A Arte da Omissao

Argentina “Griesafault”

Na Argentina, a 30 de Julho de 2014, aconteceu o inexplicável. Os credores da Argentina não receberam os seus pagamentos semi anuais, relativos aos títulos que tinham sido reestruturados, após o último incumprimento do país em 2001. A Argentina depositou £ 320m no Bank of New York Mellon, mas este não pode transferir os montantes para os credores. E porquê? Porque  um juiz federal americano, Thomas Griesa, ordenou que a Argentina não podia pagar aos credores que tinham aceite a sua reestruturação. Pela 1ª vez na história, um país está disposto e com capacidade de pagar aos seus credores, mas é bloqueado por um juiz  estrangeiro.  A Argentina entrou em incumprimento, o qual ficou conhecido por “Griesafault”. Como é que é possível, que uma só pessoa tenha poder para desencadear uma situação destas? A Argentina queria cumprir com as suas obrigações com os credores que aceitaram as reestruturações das suas dívidas.

O caminho para o incumprimento de 2001 da Argentina, começou com o balão da sua dívida soberana na década de 1990, a qual ocorria em paralelo com as reformas económicas neoliberais conhecidas por “Consenso de Washington”, reformas essas que os credores acreditavam que iriam enriquecer o país. A experiência falhou e a Argentina entrou numa profunda crise económica e social, acompanhada de uma recessão que durou de 1998 a 2002. O saldo: 57,5% dos argentinos ficaram em situação de pobreza e a taxa de desemprego disparou para os 20,8%.  A Argentina reestruturou a sua dívida duas vezes, uma em 2005 e a outra em 2010. Mais de 92% dos credores aceitaram os novos acordos. A economia aumentou, de modo que os novos títulos indexados ao PIB valeram a pena.

Mas os chamados investidores abutres viram uma oportunidade de ganharem lucros ainda maiores. Os abutres não eram nem os investidores de longo prazo na Argentina nem os optimistas que acreditaram que as políticas do Consenso de Washington iriam funcionar. Eles eram simplesmente especuladores que atacaram depois do incumprimento de 2001 e compraram títulos por uma fracção do seu valor a investidores em pânico. Não satisfeitos, processaram depois a Argentina para obterem 100% desse valor. O fundo NML Capital, filial do fundo de cobertura, Elliot Management, liderado por Paul Singer, gastou 48 milhões de US $ em títulos em 2008; graças à decisão do juíz Griesa, o NML Capital terá de receber US $ 832m um retorno de mais de 1.600%.

Os números são tão altos, em parte, porque os abutres procuram ganhar juros passados, em alguns títulos estão incluídos os prémios pelo risco de país – a maior taxa de juros oferecida quando foram emitidos, para compensar a probabilidade percebida de incumprimento. Griesa achou que era razoável. Economicamente, porém, não faz sentido. Quando um país paga um prémio de risco da sua dívida, significa que o incumprimento é uma possibilidade. Mas se um tribunal decide que um país deve sempre pagar a dívida, não há risco de incumprimento para ser compensado.

O reembolso nos termos de Griesa devastaria a economia da Argentina. O NML Capital e outros abutres compreendem apenas 1% dos credores, mas receberiam receber um total  1,5 bilião de US $. Outros resistentes (6,6% do total de credores) receberiam 15 biliões de US $.

Cada argentino pode, portanto, dever mais de 3,500 US $ – mais de um terço da renda média anual per capita. Nos Estados Unidos, aplicando a proporção equivalente significaria obrigar todos os cidadãos a pagar cerca de 20.000 dólares – tudo para encher os bolsos de alguns bilionários, com a intenção de torcer ainda mais um país seco.

Além do mais, a existência dos credit default swaps gera a possibilidade de ganhos adicionais para os abutres. Eles podem render retornos substanciais, independentemente dos títulos serem reembolsados ​​- reduzindo assim, o incentivo dos seus titulares para alcançarem um acordo.

Na fase que antecedeu o 30 de Julho, os abutres levaram a cabo uma campanha para plantarem o medo. Um segundo incumprimento em 13 anos seria um grande revés para a Argentina, alegavam eles, ameaçando a frágil economia do país. Mas tudo isso presume que os mercados financeiros não distinguem entre um padrão e umGriesafault”. Felizmente, eles distinguiram: as taxas de juro para diferentes categorias de empréstimos a empresas argentinas não reagiram ao evento. Na verdade, os custos dos empréstimos em 30 de Julho foram menores do que a média de todo o ano.

Em última análise, o “Griesafault” vai acarretar um preço alto – menos para a Argentina do que para a economia global e para os países que necessitam de acesso ao financiamento estrangeiro. A América vai sofrer também. Os seus tribunais têm sido uma farsa: como um observador apontou, era claro que o juiz Griesa nunca sondou a complexidade do problema. O sistema financeiro norte-americano, com prática em explorar americanos pobres, ampliou os seus esforços agora a nível mundial. Os mutuários soberanos não vão – nem deverão confiar na equidade e na competência do sistema judicial dos EUA. O mercado de emissão desses títulos terá que mudar para outro lugar.

Joseph E. Stiglitz, Prémio Nobel de Economia, é professor universitário na Universidade de Columbia. Seu livro mais recente, em co-autoria com Bruce Greenwald, é: Creating a Learning Society: A New Approach to Growth, Development, and Social Progress. Martin Guzman é pesquisador pós-doutorado no Departamento de Economia e Finanças na Columbia University Business School. Fonte
Agora, um tribunal do Reino Unido trouxe finalmente alguma clareza ao assunto, deliberando que os pagamentos de juros feitos pela Argentina e relativos a obrigações emitidas de acordo com a lei do Reino Unido são regidos pela lei do Reino Unido, e não por decisões judiciais dos EUA. A decisão – uma bem-vinda pausa numa série de decisões de juízes Americanos que não parecem compreender asSerá que não é claro que este sistema financeiro, baseado em ladrões e especuladores, é a médio prazo insustentável? (fonte)

Artigos relacionados com Paul Singer:

Na semana passada foram conhecidos novos processos liderados por Paul Singer (do Elliot Management Corp.) e pela família do multimilionário indiano Lakshmi Mittal (dona da metalúrgica Arcellor Mittal), que em conjunto com a acção do fundo neozelandês reclamam créditos de 613 milhões de dólares (581 milhões de euros), segundo a Bloomberg.

O fundo é um dos investidores que está a avançar com uma acção legal contra o Banco de Portugal por transferir as obrigações do Oak Finance para o Banco Espírito Santo, ou “banco mau”, em vez do Novo Banco. (fonte)

Em dezembro, o Banco de Portugal disse que não transferirá as dívidas da Oak Finance para o Novo Banco. Os investidores da Oak Finance, entre eles a Elliott, o fundo estatal de pensões da Nova Zelândia, de US$ 22 bilhões, e um truste da família do bilionário Lakshmi Mittal, disseram na ação judicial apresentada em Londres que o Novo Banco teria que lhes reembolsar cerca de US$ 613 milhões.

A princípio, o Banco de Portugal transferiu as dívidas da Oak Finance para o Novo Banco, mas reverteu sua decisão em dezembro, disseram os doze investidores em documentos do tribunal que datam de 10 de março e foram divulgados nesta semana. (fonte)

Na Argentina o promotor Stornelli aceitou a denúncia do Dr. Juan Gabriel Labaké contra a DAIA, AMIA e a deputada Patricia Bullrich por traição à pátria.

Agora os dirigentes sionistas da DAIA, AMIA, o abutre financeiro Paul Singer (NML Capital) e a deputada Patricia Bullrich serão investigados por formar um complô sionista contra a Argentina e favorecer interesses geopolíticos de Israel e EUA. (fonte)

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Nota: Links desta cor e realces desta são da minha responsabilidade

Pergunto eu?

Será que não está claro que este sistema financeiro, baseado em ladrões e especuladores, a médio prazo é insustentável?

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