A Arte da Omissao

Maus tempos para o presidente Erdoğan

Acumulam-se as acusações contra o presidente Erdoğan da Turquia. Enquanto a Rússia e os Estados Unidos indirectamente fornecem armas ao PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão – NdT), a Turquia é acusada de planear os atentados de Paris e Bruxelas; uma acusação apoiada pelas próprias declarações de Erdogan e por um testemunho esmagador do rei Abdullah da Jordânia. Além disso, Washington abriu uma investigação sobre um desfalque maciço a favor do AKP (O Partido da Justiça e Desenvolvimento -NdT).

| Damasco (Síria) | 31 de Março 2016

Thierry Meyssan

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Numa só semana os negócios presidente Erdogan enfraqueceram significativamente.

Em primeiro lugar, a suspeita que paira sobre a sua responsabilidade pelos ataques em Paris e Bruxelas.

No primeiro caso, a Turquia teria tentado chantagear o presidente Holland a propósito do seu compromisso não cumprido em ajudar a «consertar »  a « questão curda ».

Lembramos que no início de 2011, os ministros dos Negócios Estrangeiros  francês e turcoAlain Juppé e Ahmed Davutogly, assinaram um acordo secreto onde fixavam as condições de guerra contra a Líbia e  Síria. Mas uma das cláusulas  previa o apoio da França na resolução da “questão curda” não minar “a integridade territorial da Turquia.” Por outras palavras, tratava-se de criar um novo Estado, que abrangesse o Iraque e Síria, para poder  expulsar os curdos turcos. Este projecto de limpeza étnica, que corresponde a uma plano já antigo dos estrategas  israelitas, foi aprovado  pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e publicado por Robin Wright no The New York Times em Setembro de 2013.

O presidente Hollande, quando chegou ao poder, comprometeu-se a honrar o acordo. Para isso, a 31 de Outubro de 2014, recebeu oficialmente Erdoğan,  onde  secretamente se  encontrou  com Salih Muslim, presidente do YPG (sigla que significa «People’s Protection Units», Unidades de Protecção Popular. São forças de defesa da região curda na Síria. Surgiram após a Guerra Civil que eclodiu na Síria e que se começou a espalhar para o Curdistão sírio, Curdistão sírio conhecido agora como Curdistão ocidental-NdT) onde foi  prometido que ele se tornaria presidente do novo estado.

No entanto, após a vitória curda em Kobanî (cidade curda-síria, na fronteira com a Turquia-NdT), Hollande começou a mudar de tom. Ele recebeu oficialmente o outro co-presidente do YPG, Asya Abdullah Öcalan, fiel a Ocälan (Abdullah Öcalan, apelidado de Apo, é um líder independentista curdo, fundador e secretário-geral do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), criado em 1978-NdT).

Hollande, sem saber muito bem o que fazer com os curdos, decidiu usar como pretexto a crise dos refugiados para financiar uma guerra mais ampla na Síria. Por fim, quando a Rússia começou a sua campanha de bombardeamentos, a miragem israelo-turca-francêsa de um pseudo Curdistão descaneceu-se.

Para se desculpar, Hollande propõe um financiamento mais amplo à guerra, com o pagamento anual de € 3 biliões à Turquia pela União Europeia sob o pretexto de ajudar os refugiados. Exasperado Erdoğan teria patrocinado os ataques de 13 de Novembro de 2015 em Paris.

Em segundo lugar, muitos países europeus manifestaram a sua irritação com a política imposta pela França à União no que dizia respeito à Síria. Um dos críticos mais ferozes foi a Bélgica, que, para mostrar o seu mau humor, concedeu asilo político aos líderes do PKK. O projecto do pseudo Curdistão pareceu novamente viável quando a Rússia anunciou a retirada de seus bombardeiros, mas a França não conseguiu convencer a União. Num discurso transmitido pela televisão,  Erdoğan ameaçada detonar bombas em seu solo belga, logo teria comandado os ataques em Bruxelas a 22 de Março de 2016.

A tese da responsabilidade turca é credenciada pelo testemunho do rei Abdullah, da Jordânia, a 11 de Janeiro perante os membros do Congresso dos EUA. Segundo a acta da reunião, que, oportunamente foram divulgadas, o rei assegurou que Erdoğan estava a tentar mover combatentes para a Europa para levarem para lá a jihad.

E como uma desgraça nunca vem só, o promotor implacável  de Manhattan  prende o homem de negócios iraniano-Azeri-turco que justiça Turca acusou de desviar US $ 2,8 biliões para o Irão com o fim de financiar o AKP.

(fonte)

Artigos relacionados:

Turquia age como base para a insurgência e como posto de comando recuado  das forças dos Estados Unidos / NATO.

Erdogan menace l’Europe!

Turkish president threatens to send millions of Syrian refugees to EU

Links desta cor e realces desta no corpo do artigo são da minha responsabilidade

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