A Arte da Omissao

Delator expõe como o aliado líder da NATO arma e financia o ISIS

Tradução do artigo, Whistleblower exposes how NATO’s leading ally is arming and funding ISIS de Nafeez Ahmed

Eu sou o chefe de polícia que recebeu ordens para proteger terroristas do ISIS

Este exclusivo foi publicado pela INSURGE INTELLIGENCE, projecto de jornalismo de investigação.

+ O chefe da inteligência turca, Hakan Fidan, é apontado como membro de grupo terrorista ligado à Al-Qaeda e ISIS

+ Durante anos, a  Inteligência turca forneceu directamente ajuda militar ao ISIS 

+ O governo turco desviou suprimentos militares para o ISIS através de uma agência de ajuda humanitária

+ combatentes do ISIS, incluindo al-Baghdadi, receberam tratamento médico gratuito na Turquia e “protecção” da polícia turca.

+ O chefe do ISIS na Turquia recebeu “protecção 24/7” sob a ordem pessoal do presidente Erdogan

+ Investigações policiais turcas sobre o  ISIS estão a ser  sistematicamente invalidadas

+ O petróleo do ISIS é vendido com a cumplicidade das autoridades na Turquia e na região curda do norte do Iraque

+ A NATO afirma o papel da Turquia como aliado na guerra contra o ISIS

Um ex-alto funcionário da divisão de operações  turca contra o terrorismo tem soprado o apito acerca do patrocínio deliberado do presidente Recep Tayyip Erdogan ao chamada Estado Islâmico (ISIS), usado como ferramenta geopolítica para expandir a sua influência na região  e marginalizar em casa os seus adversários políticos.

Ahmet Sait Yayla foi Chefe da Divisão de Operações Contra o Terrorismo da Polícia Nacional turca entre 2010 e 2012, antes de ser chefe da Divisão da Ordem Pública e Prevenção do Crime até 2014. Anteriormente, tinha trabalhado na Divisão de operações contra terrorismo, ocupando o cargo de chefia de nível médio ao longo dos seus vinte anos na polícia, antes de se tornar chefe de polícia em Ancara e Sanliurfa.

Nas entrevistas dadas à INSURGE intelligence, Yayla revelou que durante a sua carreira policial, testemunhou pessoalmente evidências do patrocínio ao alto nível do Estado turco ao ISIS, factos que eventualmente o levaram a renunciar. Decidiu ser um delator após a repressão autoritária de Erdogan, a quando do fracassado golpe militar de Julho. Esta é a primeira vez que um ex-chefe de operações antiterrorista revela o que sabe sobre a ajuda do governo turco a grupos terroristas islâmicos.

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O ex-chefe da Polícia Nacional antiterrorista turca, ao falar, colocou em risco considerável a sua própria família. Como parte da acção de repressão de Erdogan após o fracassado golpe militar de Julho, o filho de 19 anos de Yayla foi impedido de deixar o país, e eventualmente preso sob a acusação de terrorismo.

Quando falei pela primeira vez com Yayla, tinha acabado de lançar em Washington DC o seu novo livro, ISIS Defectors: Inside Stories of the Terrorist Caliphate, em co-autoria com a Professora Anne Speckhardespecializada em psicologia da radicalização.

“A Turquia apoia o Estado islâmico e outros grupos jihadistas“, disse Yayla

“Primeiramente soube-o através do que vivenciei como chefe da polícia nacional turca, o que me levou a deixar a polícia. Em segundo lugar, devido às entrevistas que fiz a ex-terroristas do ISIS,  como parte da minha pesquisa sobre o fenómeno jihadista – muitos dos quais afirmam que o ISIS recebe apoio oficial da Turquia.”

Yayla foi o primeiro oficial antiterrorista turco a reivindicar em primeira mão, o apoio secreto de Erdogan a grupos terroristas islâmicos. Ele tem conhecimento íntimo da relação do governo com o ISIS, ao ter trabalhado em estreita colaboração com altos funcionários do governo em Ancara – incluindo com o próprio Erdogan – na discussão de operações.

Depois da minha entrevista inicial a Yayla, fiquei com grandes dúvidas sobre as suas experiências específicas no patrocínio turco ao ISIS. Mas eu estava com dificuldades em falar com ele.

A 30 de Julho, recebi um e-mail dele, onde  esclarecia o seu silêncio.

“Sinto muito, mas não pude entrar em contacto consigo“, escreveu Yayla: “Estive a tentar retirar o meu filho da Turquia. Foi retido na fronteira sem qualquer fundamentação. Ele é um estudante universitário de 19 anos. Eles não explicam nada e apenas o barraram na polícia fronteiriça. Claro, a razão sou eu, sobre o que estou a escrever  e sobre a minha posição contra Erdogan. Estamos tão estressados com a sua detenção. Como sabe, a tortura e outras atrocidades que eu não quero pensar, têm-se tornado comuns nas duas últimas semanas na Turquia. Deixe-me lidar com esta crise e mais tarde falo consigo, se não se importar.”

O filho de Yayla é Yavuz Yayla, estudante de relações internacionais na Universidade de Cukurova. Eu não podia imaginar o que Yayla estaria a passar. Então, dentro de dias, a situação agravou-se:

“Infelizmente, o meu filho foi preso”, escreveu noutro e-mail.

A acusação foi a de ter uma factura de um dólar na sua mochila, facto para ser acusado de estar entre os golpistas. Ele tem 19 anos, estudante do primeiro ano da faculdade, não tem nada a ver com ninguém nem com quaisquer golpistas, mas é apenas para se vingarem de mim, porque eu estou a gritar factos e Erdogan não está a gostar.”

Apesar do conhecimento directo da corrupção do sistema de segurança nacional da Turquia, Yayla foi apanhado de surpresa pelos desenvolvimentos:

Eu nunca pensei que chegassem tão baixo. Simplesmente, nada se pode fazer. Literalmente, a acusação do procurador apresentou duas evidências para  o considerarem um terrorista: tentar deixar o país através de meios legais a partir de um portão da fronteira, onde foi detido devido ao fato de ter um passaporte oficial (passaporte verde, com o qual pode ir para UE sem visto, passaporte que eu consegui na Universidade) e ter uma factura de um dólar na sua mochila,  que tinha tirado a mim anos atrás, quando voltei de uma conferência nos EUA. Estamos num ponto em que as palavras não podem descrever a frustração que estamos a ter individualmente ou como vítimas desta tentativa de golpe.”

A 4 de Agosto falei com Yayla por telefone. Sua voz estava notoriamente mais fraca em comparação com a nossa conversa inicial. A primeira coisa que  disse foi que não tinha sido capaz de parar de chorar, com receio do que aconteceria a seu filho.

A situação era intratável. Para tentar que seu filho fosse libertado, Yayla necessitava de um bom e corajoso advogado. Mas os advogados já tinham sido também purgados por Erdogan – especialmente os que aceitaram defender pessoas detidas pelas autoridades, acusadas de estarem ligadas ao golpe.

“Então, eu não posso encontrar um advogado”, disse Yayla. “Os advogados têm medo. Tudo o que dizem é que ‘temos também família, eles vão prender-nos também.‘”

Equipas de agentes de combate ao terrorismo foram enviados  a casa do pai de Yayla em Ancara. Fizeram uma busca na casa, e repetidamente colocaram perguntas sobre Ahmet. Desde então, Yavuz Yayla permanece em detenção indefinida acusado de  terrorista, e os processos de recurso têm sido infrutíferos.

Para Yayla, o verdadeiro alvo dessas acções é óbvio. “Eles querem silenciar-me” referindo-se à administração de Erdogan:

Eu sei de vários entendimentos internos. Como eles ajudavam directamente o ISIS.

Nos dois meses da detenção do seu filho, Yayla foi incapaz de se comunicar com ele por telefone, embora os presos tenham o direito  a um telefonema de 10 minutos semanalmente.

No início de Setembro, as autoridades turcas libertaram temporariamente Yavuz com todos os seus pertences pessoais, apenas para o deterem novamente na porta da prisão. Desta vez, foi preso, alegando que o seu passaporte tinha sido cancelado pelo governo. O advogado que Ahmet tinha finalmente encontrado para seu filho, retirou-se do caso sob a pressão da inteligência turca.

Na realidade, o cancelamento do passaporte de Yavuz estava ligado a seu pai. As autoridades turcas tinham cancelado os passaportes de Ahmet Yayla e dos seus familiares em Julho de 2016, depois de Yayla ter escrito um artigo no World Policy Journal, onde destacou as evidências do apoio de Erdogan ao terrorismoMas esse artigo mal arranhava a superfície do que Ahmet Yayla sabe em primeira mão sobre a relação incestuosa do governo turco com o ISIS.

terror humanitário

Yayla disse que as alegações controversas da imprensa turca, relativas ao apoio a grupos militantes na Síria através de uma ONG turca de caridade, Humanitarian Relief Foundation (IHH), são reflexos integralmente precisos da relação obscura entre o governo turco e grupos jihadistas.

A 3 de Janeiro de 2014, o jornal Hürriyet  informou que a policia turca tinha  encontrado uma quantidade significativa de munições e armas,  em camiões que transportavam ajuda humanitária em nome da Humanitarian Relief Foundation (IHH) a rebeldes islâmicos na Síria.

Logo surgiram os testemunhos do promotor e oficiais de policia das acções judiciais, dizendo que os camiões foram alegadamente acompanhados por funcionários do Estado turco e pela Organização Nacional de Inteligência (MIT).

Os documentos judiciais, alegam que entre o final de 2013 e início de 2014 peças de misseis, munições e morteiros tinham sido encontrados em camiões que entregavam suprimentos às áreas da Síria sob o controle de grupos jihadistas.

Entretanto, o governo de Erdogan proibiu todos os meios de comunicação social turcos de relatarem dados sobre os processos judiciais. As alegações, afirmou o governo, faziam parte de uma conspiração para minar a sua presidência – organizada pelo clérigo muçulmano exilado, Fethullah Gulen, residente nos Estados Unidos.

No entanto e de acordo com Ahmet Yayla, as alegações contra Erdogan e a Humanitarian Relief Foundation (IHH) são precisas, e não têm nada a ver com uma conspiração Gulenista.

“Eu estive indirectamente envolvido no início das investigações anti-terroristas contra a Humanitarian Relief Foundation (IHH), disse Yayla.

“Na altura e como resultado delas, o  líder da Humanitarian Relief Foundation (IHH) foi preso, dadas às evidências obtidas de que o grupo estava por trás de grande parte do apoio ao ISIS. A IHH tem fornecido armas e munições a muitos grupos jihadistas na Síria, e não apenas ao ISIS.”

Yayla observa que o ataque à Flotilha da Liberdade em 2010 pela Força de Defesa de Israel (IDF), onde um navio da IHH foi impedido de transportar suprimentos humanitários para a faixa Gaza, tinha sido organizado com a aprovação de Erdogan:

Ao enviar o navio para a faixa de Gaza, Erdogan queria que as pessoas pensassem que estava a apoiar  Jerusalém e a Palestina. Queria ser visto como um herói. Em vez disso, pessoas foram mortas. Mas Erdogan usou este incidente para radicalizar pessoas na Turquia em torno de si.”

Mesmo antes do incidente com a frota, a Humanitarian Relief Foundation (IHH) tinha-se tornado no principal parceiro da Agência de Cooperação Internacional Turca  (TIKA) – agência oficial de ajuda humanitária do governo turco – para distribuir essa ajuda por todo o mundo.

Só que, não eram apenas bens humanitários que a IHH  distribuía. Entre esses bens, seguiam as armas “, disse Yayla.

raízes dos militantes

O benfeitor chefe da Humanitarian Relief Foundation (IHH) no governo turco foi Hakan Fidan, que dirigiu a  TIKA entre 2003 e 2007. Ex-oficial militar turco, tornou-se  vice-subsecretário do primeiro-ministro em 2007. Desde 2010,  é o chefe da agência de inteligência do Estado turco, MIT.

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Hakan Fidan, chefe da agência de inteligência do Estado turco, MIT

Mas de acordo com Ahmet Yayla, Fidan foi o principal suspeito de uma série de ataques terroristas na década de 1990 – quando Yayla trabalhava como policial em Ancara. Os ataques envolveram assassinatos de intelectuais turcos de esquerda filiados com o jornal Cumhuriyet, sob a forma de carros-bomba e encomendas explosivas. Entre as  vítimas, estavam o jornalista Ugur Mumtu, o activista dos direitos das mulheres, Bahriye Ucok e o intelectual Ahmet Taner Kislali.

Operações policiais ligaram os autores dos ataques a uma célula terrorista gerida pela Hezbollah turca (TH).  Dois indivíduos-chave, hoje próximos de Erdogan, foram identificados pela polícia como membros da célula: Hakan Fidan e Faruk Koca, este último um dos membros fundadores do partido AKP.

A Hizbollah turca (TH) é uma organização terrorista islâmica sunita que surgiu na década de 1980, inicialmente dirigida por uma facção curda. É particularmente activa contra o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), e apoia abertamente a violência como  meio de estabelecer um estado islâmico na Turquia.

O grupo não tem ligações com o grupo libanês com o mesmo nome. Mas de acordo com Yayla, operações policiais turcas revelaram que a Hezbollah turca (TH) tinha ligações com elementos de alto nível do aparelho de segurança da Turquia, bem como relações fortes com  oficiais pós-revolucionários da inteligência iraniana.

Em 2000, uma publicação do Human Rights Watch, documentou um padrão alarmante de ligações entre as forças de segurança turcas e a Hezbollah turca (TH), incluindo depoimentos de altos funcionários do governo turco – como o ministro Fikri Saglar, que  afirmou que a TH foi desde o início controlada pelas “forças armadas” e ” alargada e reforçada, com base numa decisão do Conselho de Segurança Nacional em 1985.”

Em Abril de 1995, um relatório oficial do parlamento turco, concluiu que  “unidades militares” turcas forneciam “assistência” a um  acampamento secreto da Hezbollah turca “na região de Seku, nas aldeias de Gönüllü e Çiçekli, no distrito de Gercüs de Batman.”

A Hezbollah turca (TH)  foi  designada como uma organização terrorista pelo Departamento de Estado.

Ao longo da última década, enquanto a  (TH) mantinha o seu compromisso com a violência,  concentrou-se em actividades políticas. No entanto, o seu legado violento continua vivo. Há uma linha directa de descendência entre a TH,  al-Qaeda e ISIS.

Halis Bayancuk, cujo nome de guerra é Abu Hanzala, é o emir do ISIS na Turquia. Anteriormente, a emissora estatal da Turquia, TRT, identificou Bayancuk como o chefe do braço da al-Qaeda na Turquia. Mas Bayancuk é também o filho de Haci Bayancuk, um dos membros fundadores da Hezbollah turca (TH).

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Halis Bayancuk (na foto à direita), emir do ISIS na Turquia e filho de Haci Bayancuk, membro fundador da Hezbollah turca, r durante a sua prisão pela polícia turca. Ele não está algemado. Ahmet Yayla explica que, sob Erdogan, os agentes do ISIS têm de tal forma o reino livre, que quando presos,  nunca são algemados pela polícia turca.

As operações policiais de 2007 em Bingol e Koceeli, e as de 2008 em Istambul, Ancara e Diyarbakir, revelaram a cooperação ao alto nível entre os líderes da Hezbollah turca (TH) e a al-Qaeda. Uma rede da al-Qaeda na Turquia liderada por Muhammed Yasar foi sinalizada como ter operado em nome da TH.

Emrullah Uslu, ex-analista de política da unidade turca da Polícia Nacional Antiterrorista, diz que a maioria dos membros da rede da al-Qaeda na Turquia “tiveram contacto” com a  Hezbollah turca (TH).

Segundo o jornalista turco Sibel Hurtas, hoje, uma facção dissidente da Hezbollah turca (TH), que recrutou novos salafistas jihadistas para o seu rebanho, “luta agora ao lado do ISIS e de outras facções extremistas na Síria”.

Yayla, referiu acerca da onda de assassinatos na década de 1990, que “centenas de páginas de documentação sobre a Hezbollah turca foram descobertas nas batidas policiais da época em Ancara:

Os arquivos provaram a existência de vínculos directos entre a inteligência iraniana, e duas figuras, hoje muito próximas de Erdogan: Hakan Fidan e Faruk Koca. Mostraram que tanto Fidan como Koca faziam parte da célula terrorista da Hezbollah turca, que esteve por trás desses atentados.”

Devido à investigação policial, Fidan fugiu da Turquia para a Alemanha, mudando-se depois para os EUA, onde continuou a viver exilado. No entanto, quando o AKP assumiu o poder sob Erdogan, Fidan voltou para a Turquia e reassumiu o seu papel como chefe da agência de ajuda humanitária turca. O seu estado de ‘procurado’ desapareceu inexplicavelmente.

Daesh: bastardo do deep state turco (estado dentro de outro estado -Ndt)

Devido às suas credenciais humanitárias, a Humanitarian Relief Foundation (IHH), agora parceira do Governo turco sob a liderança de Fidan, fornece a “cobertura perfeita” para Erdogan escalar a sua estratégia secreta na Síria,  que  continuou quando Fidan passou a ser chefe da inteligência do Estado turco.

Se as afirmações de Yayla estão corretas, então o actual chefe da poderosa MIT da Turquia sob Erdogan é um membro da al-Qaeda,  afiliada da  Hezbollah turca, que por sua vez foi responsável por assassinatos terroristas de dissidentes de esquerda na década de 1990.

Por volta de 2012 em diante, Yayla explicou que, várias centenas de camiões de suprimentos passaram a ser  enviados pela Humanitarian Relief Foundation (IHH) para a Síria.

Yayla, ao descrever as várias operações policiais activas contra a Humanitarian Relief Foundation (IHH), com base nas suas relações com a Al-Qaeda, confirmou que uma grande parte das operações que envolveram ataques anti-terroristas em Gazientep, Van, Kilis, Istambul, Adana e Kayseri,  colocaram a descoberto a estreita relação de trabalho da IHH com operativos da al-Qaeda e ISIS, ao fornecerem  armas a grupos jihadistas através da fronteira.

Embora Erdogan e seus ministros tenham condenado a operação policial, Yayla, que, como  Chefe de Polícia em Ancara reportava a Erdogan, confirmou que a operação foi o resultado de uma investigação policial em curso sobre o apoio a jihadistas dentro da Turquia – não uma conspiração Gulenista. A Humanitarian Relief Foundation (IHH) foi apenas um canal para essas acções de apoio à jihadistas sírios.

O resto das operações foram realizadas directamente pelo MIT (agência de inteligência do Estado turco -NdT)”, disse Yayla. “O MIT efectuou abertamente o carregamento de armas e explosivos para a Síria em camiões, bem como de combatentes reais, várias vezes transportados em autocarros. Alguns deles foram capturados pela polícia turca.”

Milhares de combatentes estrangeiros invadiram a Turquia ao longo dos últimos anos para se juntarem a grupos que lutam contra o regime de Bashar al-Assad na Síria.

Pela primeira vez, nas entrevistas de Ahmet Yayla com a INSURGE intelligence, é fornecida a confirmação  directa e interna de que, não só o governo de Erdogan fechou os seus olhos aos movimentos desses combatentes através da fronteira com a Síria – como também a polícia turca havia detectado o papel da agência de inteligência estatal da Turquia no funil de combate estrangeiro, ao fornecer assistência directa ao ISIS:

“Em 2014 e 2015, a agência MIT (agência de inteligência estatal da Turquia – NdT) transportou em autocarros, terroristas do ISIS de Hatay para Sanliurfa. Às vezes, eram deixados na fronteira, outras vezes transportados através da fronteira. Quando os terroristas voltavam à Turquia, eram muitas vezes parados para controle de rotina de drogas. Nos autocarros, os guardas turcos da fronteira encontraram Kalashnikovs e munições. Os ocupantes eram detidos e interrogados, e os motoristas admitiram abertamente que o MIT os havia contratado para transportar terroristas e combatentes estrangeiros.”

Yayla não estava directamente envolvido nestas operações, mas ficou ciente das suas conclusões contundentes,  durante o seu papel de polícia, ao ter  acesso irrestrito aos registos relevantes.

Bombas para a caridade

A Humanitarian Relief Foundation (IHH), há muito que é suspeita de ligações ao terrorismo por diversas agências de inteligência ocidentais.

Um telegrama confidencial do Departamento de Estado da embaixada dos EUA em Istambul obtido pelo Wikileaks, datado de 21 de Julho de 2006, confirma que a IHH é “suspeita por alguns financiamentos internacionais ao terrorismo … Em 1997, oficiais locais foram presos na sede da IHH em Istambul, depois de uma incursão das forças de segurança ter descoberto armas de fogo, explosivos e instruções de fabricação de bombas”.

O telegrama descreve também a cerimónia fúnebre de Shamil Basayev, comandante militar  da afiliada da al-Qaeda na Tchetchénia, co-organizada pela IHH e  onde esteve presente o seu presidente, Bulent Yildirim.

Em 2003, Shamil Basayev foi designado como terrorista pelo Departamento de Estado, devido ao seu envolvimento admitido em vários massacres de civis reféns e atentados suicidas, bem como às suas “ligações com a Al-Qaeda.

Nesse contexto, o resto do telegrama é digno de nota:

“Os carpideiros continuaram a entoar slogans em árabe intercalados com as seguintes frases em turco: ‘assassinos russos – fora da Tchetchênia’, ”assassino israelitas – fora da Palestina’, ‘assassinos americanos – fora do Oriente Médio’, ‘Shamil Basayev – o seu caminho é o nosso caminho “e” Hamas  – vai resistir.’ Como uma possível referência à próxima temporada eleitoral, Yildirim também tinha uma mensagem para o Governo turco: “não apoie estes infiéis – se você seguir em frente, estamos prontos a segui-lo.’ A meio da cerimónia, os participantes queimaram uma bandeira para grande alegria da multidão. Quanto a Basayev, Yildirim elogiou-o, alegando que ele visou a independência e morreu por Deus e pela causa.”

Yayla confirmou que a operação policial à Humanitarian Relief Foundation (IHH) de 1997, tinha identificado vínculos directos entre a caridade e a al-Qaeda. Pessoal da IHH, disse ele, estava a ser preparado para operações de combate na Chechênia, Bósnia e Afeganistão.

Os documentos encontrados durante a operação revelaram que as armas estavam secretamente a ser fornecidas  a grupos ligados a Osama bin Laden.

Apoiantes do ISIS também transportam regularmente e impunemente peças para dispositivos explosivos pela fronteira turca-síria.

Fotografias fornecidas exclusivamente à INSURGE por Yayla, obtidas por ele directamente de ex-membros do ISIS, retratam seus membros  a manipular as chamadas  “bombas bolas de fogo do inferno” feitas a partir de feita a partir de reservatórios de gás liquefeito de petróleo, as peças são fabricados em Konya, centro urbano na Turquia onde residem centenas de apoiantes do ISIS.

“Um ex-membro do ISIS disse que estes fornecimentos são provenientes de fontes protegidas por forças de segurança turcas”, disse Yayla.

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O desertor de Yayla confirmou que as peças são transportadas por camião através da fronteira com a Síria para fazer as bombas. Os camiões rotineiramente passam pelas alfândegas turcas sem problemas. “Elas mataram centenas de civis e crianças“, disse Yayla.

Elas são muito eficazes. O desertor explicou-lhe que as “bombas bolas de fogo do inferno” são pelo menos dez vezes mais potentes e letais que os morteiros normais. Todos os materiais para essas bombas foram comprados na Turquia e levados de lá  para a Síria.

O chefe de polícia com ordens para proteger ISIS

“Eu testemunhei várias com os meus olhos e ouvidos, o governador de Sanliurfa [cidade próxima da fronteira com a Turquia-Síria] a falar com líderes de grupos terroristas na Síria”, disse Yayla.

Em várias reuniões de segurança de alto nível que envolveram os chefes de polícia, Yayla e seus colegas tiveram que esperar que o governador terminasse os seus telefonemas com os líderes rebeldes.

“Era realmente chocante”, lembrou Yayla. “Ele iria falar abertamente sobre a situação na Síria, e repetidamente perguntava pelo telefone como poderia ajudar a fornecer o que fosse necessário, alimentos ou medicamentos, literalmente, tudo o que fosse necessário.

As coisas chegaram a um ponto crítico quando o governador – que é um nomeado político do Ministério do Interior – começou a exigir que Yayla supervisionasse a protecção de centenas de combatentes do ISIS que estavam a ser enviados para a Turquia a fim de receberem tratamento médico.

Eu sou o chefe de polícia que recebeu ordens do governador para proteger terroristas do ISIS. E eu atribuí policiais para essa tarefa”, disse Yayla. “Os registos oficiais da polícia acerca desta política ainda existem, e podem ser vistos nos programas de atribuição. Esses registos não podem ser destruídos.”

“Eu era o oficial designado para colocar a polícia a proteger terroristas”, repetiu ele, com uma descrença palpável no seu tom.

A partir de 2013, a luta perto da fronteira com a Turquia tornou-se tão intensa que centenas de rebeldes jihadistas foram feridos:

“Combatentes do ISIS entravam na Turquia através da fronteira com Sanliurfa para serem tratados em hospitais turcos. Como chefe de polícia, recebia ordens do governador, para que os meus policiais fornecessem protecção 24/7 aos terroristas feridos. Chegou a um ponto que havia tantos membros do ISIS a serem tratados, que eu não conseguia encontrar policias suficientes para os proteger. Estávamos a sofrer de uma grave escassez de mão de obra por causa dessas exigências. Quando se chegou a esse ponto, eu não tive escolha, senão dizer ao governador, que realmente não me importava mais com isso, e disse-lhe, veja, eu não tenho mão de obra, a cidade está a sofrer – Eu não posso fazer o meu trabalho.”

O governador ficou aborrecido, disse Yayla, mas devido ao grande volume de combatentes do ISIS que entravam na Turquia para tratamento médico, as suas exigências não podiam ser cumpridas.

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Fadhil Ahmad al-Hayali, ex-nº 2 do ISIS. As autoridades turcas secretamente forneceram-lhe tratamento médico 

Foi uma loucura, ver chegar ambulâncias com placas europeias a transportar membros do ISIS“, disse Yayla.

“Na verdade, Fadhil Ahmed al Hayali, foi ferido num bombardeamento americano. Perdeu uma perna, e foi levado para um dos hospitais onde recebeu tratamento. Depois disso, voltou para a Síria. Ninguém lhe cobrou o tratamento. Ele estava completamente livre.

A política de prestar assistência médica gratuita aos combatentes do ISIS durou  até 2015. A pressão do presidente Obama para fechar as fronteiras levou Erdogan a relaxar a sua política nesse ano.

As dúvidas claras de Yayla sobre o comprometimento das operações policiais,  levaram eventualmente  o governador  a obrigá-lo a sair da divisão do contra terrorismo.

“Eu estava tão interessado em lutar contra o terrorismo  que criei um sistema para ir atrás dos terroristas antes de eles estabelecerem novas células”, explicou Yayla.

Se alguém estivesse envolvido em praticas terroristas, eu enviava policiais para intervirem, por exemplo, falando com membros da família de forma a evitar uma nova radicalização. Desta forma, os meus policiais começavam a intervir com os membros do ISIS, logo que as suas actividades eram detectadas.”

Mas o governador não concordou.

“Ele não gostava do que eu estava a fazer, e colocou-me fora da divisão do  contra terrorismo. Devido à minha antiguidade na Polícia Nacional da Turquia, ele não podia demitir-me. Então, colocou-me no comando da Ordem Pública e Departamento de Investigações .

Yayla continuou comprometido em usar a sua autoridade na repressão aos terroristas. Ele pediu a funcionários do seu departamento para prosseguirem a política de pararem e prenderem suspeitos de terrorismo que se movimentassem pela cidade, e entregá-los às unidade de combate ao terrorismo. Sem surpresa, disseram: “O governador também não gostou dessa ideia.”

Na verdade, Yayla reclamou:

“Na maioria das vezes o centro de expedição era instigado a não enviar pessoal de combate ao terrorismo, nem mesmo por rádio, uma vez que este estava a ser gravado. Em vez disso, os oficiais turcos contra o terrorismo, através de um contacto telefónico com os nossos funcionários, pediam-lhes para deixarem seguir os terroristas. ‘Por que estão a pará-los? Deixem-nos ir “, diriam eles“.

Yayla disse que, como consequência desta política, o ISIS foi capaz de aumentar a sua presença na Turquia, com total impunidade:

Basicamente, a polícia não era autorizada a parar dentro da cidade, gente do ISIS.”

Entre as alegações mais chocantes do Yayla, é a que o governo turco tem protegido directamente o líder das operações turcas do ISIS , Halis Bayancuk, também conhecido como Abu Hanzala,  filho de um dos fundadores da Hezbollah turca.

“As minhas fontes policiais confirmam que em 2015, Erdogan atribuiu protecção policial 24/7 a Bayancuk“, disse Yayla. “Eu ainda comunico com outras fontes e chefes da polícia. Eles rotineiramente reclamam que as autoridades mais altas turcas trabalham com o ISIS, e que os seus esforços para prenderem membros do ISIS na Turquia são obstruídas pelo divisão do contra terrorismo.”

 

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Fotografias fornecidas exclusivamente a Insurgé por Yayla, de dois membros do ISIS a serem presos separadamente pela polícia turca. Nenhum dos detidos está algemado.

Yayla descreve vários exemplos, onde os seus próprios policiais investigavam supostos membros do ISIS sem qualquer apoio dos colegas do contra terrorismo:

“Os membros do ISIS quando chegam na Turquia, muitas vezes cortam a barba e  cabelo para que  possam misturar-se na sociedade. Detectives experientes irão seguir os seus movimentos desde a sua chegada à Turquia, registar as suas actividades na cidade, recolher e partilhar provas sobre eles com a unidade de combate ao terrorismo. Mas o facto é que eles não receberão o apoio do departamento de combate ao terrorismo. Em vez disso, ser-lhes-ão transmitidas instruções: ‘Não os parem, não é o vosso trabalho.” E para piorar a situação, a polícia abrirará investigações para essas mesmas autoridades no sentido de investigarem os terroristas.”

Yayla disse que o golpe militar forneceu a oportunidade perfeita para Erdogan erradicar os oficiais críticos destas políticas, com o pretexto de atingirem a conspiração Gulenista: “Muitos desses oficiais simplesmente não podem falar – se falam serão presos.

a logística do porto segurosangue por petróleo

A Turquia, membro chave da NATO  e suposto aliado do Ocidente na luta contra o ISIS,  tornou-se agora num refúgio aberto  e seguro para os jihadistas: “O ISIS tem uma grande base de apoio logístico em Gaziantep. Por exemplo, todos os seus uniformes são concebidos em Gaziantep, talvez mais de 60.000 deles ao longo dos últimos dois anos “.

Isto não é inteiramente surpreendente, dado que Gaziantep foi anteriormente a principal base de apoio logístico à  Hezbollah turca (HT), e mais tarde á al-Qaeda na Turquia.

“Existem uma cúpulas que servem de edifícios em Gazientep onde os jihadistas estão a viver – tanto do ISIS como da Jabhat al-Nusra [ex-filial da Al-Qaeda rebatizada de Jabhat Fateh al-Sham]”, disse Ahmet Yayla. “Estas são enormes apartamentos preenchidos com jihadistas. Muitos deles não se incomodam em  misturar-se. Eles mantêm a sua aparência distinta, com o seu estilo de roupa particular e longas barbas. E saem e entram livremente através da fronteira.”

Mas as revelações surpreendentes de Yayla sobre o apoio do Governo turco ao ISIS não terminou aí. Ele também referiu em primeira mão, relatos obtidos a partir de dezenas de entrevistas que fez a desertores do ISIS que estavam escondidos na Turquia. Alguns deles são analisadas no novo livro de Yayla com o seu colega acadêmico Speckhard, ISIS Defectors (desertores do ISIS-Ndt),  bem como no seu recente artigo no jornal Perspectives on Terrorism.

As alegações de que o filho e genro de Erdogan estiveram directamente envolvidos nas operações de contrabando do petróleo do ISIS têm aparecido na imprensa turca, mas são fervorosamente negadas pelo governo.

Independentemente destas reivindicações, as próprias fontes de Yaya entre os desertores do ISIS, confirmaram o papel tanto da Turquia como do Governo Regional Curdo (KRG) no norte do Iraque, no sentido de facilitarem as vendas de petróleo do ISIS.

A principal via para obter o petróleo vindo do território do ISIS é através do norte do Iraque”, disse Yayla. “O petróleo do ISIS é transportado por camião e misturado com petróleo do norte do Iraque. É por isso que o KRG e Erdogan são amigos “.

A rede do petróleo do ISIS envolve uma combinação de interesses concorrentes – incluindo os de Bashar al-Assad, suposto arqui-inimigo do ISIS ‘.

Quando as refinarias tinham problemas, o ISIS recorria a Bashar que enviava engenheiros de petróleo para resolverem os problemas. Combatentes do ISIS escoltavam e protegiam os engenheiros de Bashar, permitindo-lhes a resolução dos problemas. De seguida os mesmos eram enviados  de volta e em segurança para Bashar.”

Será que isto significa que Bashar al-Assad foi, de facto, um  patrocinador do ISIS através da compra de seu petróleo?

Sim e não”, disse Yayla. “Bashar não está diretamente debaixo do controle do ISIS, mas precisa de manter um fornecimento seguro de petróleo, e o ISIS precisa de manter as suas vendas de petróleo. É uma relação de conveniência. Alguns desertores disseram-me que ficaram incomodados com isso. A justificação oficial do ISIS é que eles mantêm negócios  com outros estados, mesmo que sejam seus inimigos.”

O ISIS faz tanto dinheiro com as vendas de petróleo em geral, que teve de deixar de contar o dinheiro através da  moeda, para passar a ser contado em quilos.

Um ex-emir do ISIS disse a Yayla:

Uma parte do petróleo vai directamente para a Turquia, mas a maior parte vai para o norte do Iraque para se misturar com o petróleo iraquiano.”

De acordo com Yayla:

Ele [o desertor do ISIS] sabe que tanto para a Turquia como para o  KRG, os petroleiros do ISIS são protegidos, não são parados, são intocáveis. Não só um petroleiro – petroleiro após petroleiro após petroleiro. As estradas foram bloqueadas em vários lugares para impedir a entrada do ISIS e outras organizações terroristas. No entanto, ele e outras fontes do ISIS disseram-me que os camiões e navios-tanque passam sem problemas, nos postos de controlo, sem serem parados. Isto prova simplesmente que o ISIS estava sob ordens de não mexer com os navios turcos, e vice-versa.”

A aliança da NATO com o terror

Perguntei a Yayla a grande questão. Porquê?

Por que é que a Turquia financia o ISIS, especialmente quando o grupo terrorista nos últimos anos não se tem esquivado de atingir alvos dentro da Turquia?

Yayla especula que a corrupção política nos mais altos níveis do governo de Erdogan corroeram a segurança nacional da sociedade turca.

Eu acho que Erdogan quer estabelecer um novo estado turco – Salafi, xiita e o Islamismo político, todos amalgamados”, disse ele.

Não se deixem enganar. Para Erdogan, o Islamismo político é meramente a ferramenta útil para consolidar a sua base de apoio na Turquia. E é agora a sua principal ferramenta para usar contra toda a oposição interna ao seu governo – em particular os curdos, que são uma força de combate potente contra 0 ISIS.”

O que é perturbador  é o silêncio ensurdecedor da NATO.

Em resposta às alegações do patrocínio do Estado Turco ao ISIS, um porta-voz da NATO afirmou não estar  arrependido sobre o papel contínuo da Turquia dentro da aliança liderada pelos Estados Unidos.

Numa longa declaração, o oficial da NATO disse:

A Turquia é o aliado da NATO mais  exposto à violência e instabilidade da Síria e Iraque.  Todos os outros aliados ajudam a proteger a Turquia com uma série de medidas, incluindo a implantação de sistemas de defesa com mísseis Patriot. A luta contra o ISIS exige um esforço abrangente e sustentável, incluindo o  corte do financiamento ilegal ao ISIS e o terminar do fluxo de combatentes estrangeiros. Todos os aliados da NATO estão a contribuir para a Coligação Global, liderada pelos Estados Unidos no combate ao ISIS. A Turquia está a dar um contributo fundamental, inclusive, hospedando outros Aliados da NATO na sua base aérea de Incirlik, e reforçando a segurança da sua fronteira com a Síria. Na nossa recente Cimeira em  Varsóvia, a NATO decidiu que os nossos aviões AWACS, contribuirão para a cobertura por rador e de imagens do ar à coligação global. Também concordámos em intensificar a nossa formação a oficiais iraquianos, inclusive no próprio Iraque. O Governo turco ofereceu-se para ajudar no esforço da formação em  instalações na Turquia.”

Ao que parece, a NATO, não tem interesse em investigar o apadrinhamento sistemático ao ISIS a partir de dentro do coração da aliança. 

Enquanto isso, Ahmet Yayla está a pagar um preço elevado ao expor o que se passa. Ao deter o seu filho com  acusações de terrorismo sem fundamento, o governo turco está agora na escalada da sua campanha contra o ex-chefe da divisão do contra terrorismo, rotulando-o publicamente de terrorista através de meios de comunicação controlados pelo Estado.

Na quarta-feira, Yayla testemunhou perante o US Congressional Subcommittee on Europe, Eurasia e Emerging Threats  sobre as evidências de que o fracassado  golpe foiencenado” por elementos do próprio governo de Erdogan. No dia seguinte, a agência state-run Anadolu acusou Yayla de ser um “alegado membro da Organização Terrorista Fetullah (FETO) supostamente liderada por Fetullah Gulen. (Yayla terá já pensado que está dentro da boca de outro lobo?- Ndt).

Mas Yayla, que  pessoalmente reportava ao próprio Erdogan, no seu  papel de  chefe de polícia, não é um Gulenista.

Erdogan  rotulará sempre de Gulenista quem estiver contra ele”, disse Yayla. “Eu não sou um Gulenista. Eu sou apenas um normaç muçulmano praticante.”

O crime real de Yayla é simplesmente a sua tenacidade em continuar a lutar contra o terrorismo, não importa quem seja responsável por isso. Sua coragem, porém, tem um peso elevado para a sua família. E, como a NATO continua a proteger o regime cada vez mais draconiano de Erdogan, a chamada “guerra contra o ISIS ‘ mói  sem fim à vista.

 Nota: links e realces desta cor são da minha responsabilidade

 

 

 

 

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One comment on “Delator expõe como o aliado líder da NATO arma e financia o ISIS

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