A Arte da Omissao

Porque é que a Europa deve separar-se de Erdogan

O presidente turco está a tentar  reunir apoio através da retórica machista contra os aliados europeus

 Why Europe must part ways with Erdogan de Ahmet S. Yayla16 de Março de  2017


ANÁLISE / PARECER:

A Turquia, uma vez aliada confiável do Ocidente, está à beira de se tornar uma ditadura autoritária.

Enquanto a NATO pondera como proteger os seus cidadãos de uma avalanche de refugiados, catástrofes humanitárias e terroristas na sua porta de leste, os eleitores turcos ponderam o referendo dos referendos.

A questão é saberem a 16 de Abril de 2017, se votam para dar ao presidente turco Recep Tayyip Erdogan a autoridade para governar por decreto, imunidade vitalícia de acusação e poderes extra-judiciais, que os ditadores totalitários dizem que não podem viver sem.

Embora o Presidente radical islâmico esteja a governar num estado de emergência desde o golpe abortado em Julho passado, ele insiste numa revisão da Constituição. Na sua visão, penas as emendas constitucionais radicais lhe permitirão derrotar os fanáticos extremistas de diversos tipos, incluindo o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK) e o Estado Islâmico. Ah sim, e  a nova constituição supostamente pavimentará o caminho da Turquia para o estado da “grande nação”  que deteve durante os tempos otomanos.

Mas, desde que a campanha do referendo do presidente se arrasta nas sondagens, Erdogan tem feito grande pressão para reunir o “sim” entre a Diáspora turca. Nas últimas duas semanas, enviou os seus principais ministros para fazerem campanha sobre o referendo entre os dois milhões de votos fortes turcos, espalhados na Alemanha e Holanda. Para sua decepção, primeiro a Alemanha e depois a Holanda, não permitiram que os ministros do partido AKP energizassem a base dos seus comícios de campanha.

Erdogan empacotou o orgulho nacional e pessoal para contra-atacar. Abertamente chamou os políticos desses países de “remanescentes de nazis”, ao orquestrar grandes demonstrações de fúria nas escadas das embaixadas holandesas e alemãs e ao impedir que o embaixador holandês regressasse a Ancara. Os partidários do AKP em Roterdão saíram às ruas em violentos confrontos com a polícia.

Desesperado para ganhar o referendo, o presidente queima pontes com a UE, independentemente aos custos. Embora contrário aos interesses a longo prazo da Turquia, Erdogan está empenhado em estimular o apoio nacionalista ao seu referendo com uma retórica machista contra os aliados europeus da Turquia.

Não é difícil saber porque é que o presidente quer  imunidade de acusação. Entre as futuras preocupações dele, estão os próximos processos de acusações do tribunal federal de Nova Iorque por lavagem de dinheiro, evasão ao embargo iraniano e fraude bancária. Ele usou um empresário turco-iraniano, Reza Zarrab, de 33 anos, para lidar com transacções de grandes somas de  dinheiro entre o Irão e a Turquia, rompendo com as sanções contra o Irão.

Erdogan está preocupado com  Zarrab, que está preso em Nova York e se declarou como “não culpado”, possa  testemunhar contra ele. Outra situação legal complicada que  enfrenta é o agora exposto apoio ilícito e, que dura há anos, a organizações terroristas na Síria, incluindo os Estados islâmicos e os afiliados da al Qaeda. (agora? há mais de 3 anos que se expõe esse crime. Não nos órgãos de comunicação cooperativos, está claro -Ndt)

Observadores próximos das eleições turcas vão dizer que o Sr. Erdogan é conhecido pela sua perseguição a inimigos falsos, especialmente quando a votação se aproximar.

A sua lista de inimigos inclui os Estados Unidos, os secularistas, os israelitas, os curdos e agora os europeus que são o principal parceiro comercial da Turquia.

Tendo fechado todas as estações de TV e jornais da oposição, e tendo encarcerado centenas de repórteres e editores, o cachorrinho turco continua a papaguear a sua narrativa de herói heróico, mas cercado. Especialmente agora que os meios de comunicação turcos são na sua grande maioria controlados por Erdogan, a maioria dos turcos só vê nas notícias de TV, as que o Sr. Erdogan quer que vejam e ouçam.

O poderoso chefe de Estado da  Turquia é um mestre em intimidação. Com os europeus mais apreensivos do que nunca com os ataques terroristas, Erdogan amplificou a mensagem dos seus partidários do clero para defender uma forma turca de Salafismo, empurrando basicamente a sua base também para os jihadists na Europa. Ameaçou fechar a base aérea da NATO em Incirlik, insinuou que poderia desencadear mais uma onda de migrantes da Síria, do Iraque e de muitos países da África e que pode optar por abrir os portais do Estado Islâmico para a Europa.

Especialistas em contra-terrorismo estimam que o séquito do ISIS na Turquia é de milhares. Um dos jornais  pro-Erdogan publicou recentemente um artigo que sugere que a Turquia deveria levar o fogo até às casas dos Europeus, para que eles tivessem com ele dentro dos seus próprios países.

Chegou a hora do Ocidente levantar a sua voz mais forte contra as violações dos direitos humanos na Turquia e deixar claro às vítimas que eles têm um campeão nas nações do Ocidente. Erdogan jogou habilmente as cartas dos refugiados Sírios e da base aérea da NATO em Incirlik contra o Ocidente durante anos, para ganhar o apaziguamento  de alguns que têm medo de perturbar o carro de maçã da NATO.

O momento de repensar essa aliança é agora, antes que seja tarde demais.

Ahmet S. Yayla, é professor adjunto de criminologia, direito e sociedade na Universidade George Mason, foi anteriormente  professor na Universidade Harran  na Turquia. Ele é co-autor do livroISIS Defectors: Inside Stories of the Caliphate Terrorista(Advances Press, 2016). (ISIS Desertores: histórias dentro do Califado Terrorista -Ndt)

Fonte

Nota: links e realces desta cor são da minha responsabilidade

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One comment on “Porque é que a Europa deve separar-se de Erdogan

  1. testemundos
    19 de Março de 2017

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This entry was posted on 18 de Março de 2017 by in Crise de refugiados, Europa, Turquia and tagged , , .

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