A Arte da Omissao

Revelações: a jiade de Lafarge-Holcim

Tradução do artigo “Revelations – Lafarge-Holcim’s jihad” de Thierry Meyssan

Por ocasião do lançamento do livro de Thierry Meyssan, « Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump », vamos publicar uma série de artigos, e desenvolver alguns dos numerosos pontos nele contido. Após a intervenção de Jean-Luc Mélenchon no debate da eleição presidencial francesa, começamos com a verdadeira história da Holcim-Lafarge na Síria.

| Damasco (Síria) | 24 de Março de 2017

JPEG - 30.7 kb

A 2 de Março de 2017, a sociedade Lafarge-Holcim reconheceu que a sua subsidiária síria “tinha remetido fundos a terceiros para encontrar acordos com um número de grupos armados, incluindo terceiros abrangidos pelas sanções, de forma a continuar a sua actividade e garantir a passagem segura dos funcionários e suprimentos de e para a fábrica”. [1]

A empresa de cimento foi já objecto de duas investigações. A primeira iniciada a 15 de Novembro de 2016 pelas associações Sherpa e ECCHR enquanto a segunda foi lançada pelo ministro francês da Economia. Ambas reagiram às alegadas revelações no Le Monde, segundo as quais a Lafarge pagou dinheiro ao Daesh, violando as resoluções da ONU.

JPEG - 29.7 kbImporta observar que os artigos publicados a 2 de Março 2, na Intelligence Online (site confidencial pertencente ao Le Monde) e a 22 de Junho no Le Monde, foram escritas por uma jornalista externa a estas publicações, Dorothy Myriam Kellou. Esta jovem estudou na Universidade de Georgetown, conhecida pelas suas ligações à CIA, e foi assessora de imprensa no consulado francês em Jerusalém.

Estas publicações foram confirmadas pelo livro de Jacob Waerness, Risikosjef i Syra, no qual o ex-funcionário descreveu a grave situação de segurança do pessoal da Lafarge na Síria. O autor continuou a trabalhar com a cimenteira após a publicação do seu livro.

As pseudo revelações do Le Monde, foram organizadas em conluio com a Holcim-Lafarge para desviar a atenção da opinião pública e juízes e concentrar essa atenção num único ponto: aceitar ou não ser refém do Daesh. Mas, a verdade é muito mais grave.

A preparação da guerra contra a Síria

A Junho de 2008, a NATO organizou a reunião anual do Grupo Bilderberg [2] em Chantilly (Estados Unidos), na qual Hillary Clinton e Barack Obama apresentaram-se aos participantes. Dos 120 presentes estavam Basma Kodmani (mais tarde porta-voz da Coligação Nacional da Síria) e Volker Perthes (mais tarde assistente de Jeffrey Feltman na ONU para a Síria). Durante um debate sobre a continuação da política externa dos Estados Unidos, eles intervieram para apresentar a importância da Irmandade Muçulmana e o papel que ela poderia desempenhar na “democratização” do mundo árabe. Jean-Pierre Jouyet (mais tarde secretário-geral no Palácio do Eliseu), Manuel Valls (mais tarde primeiro-ministro) e Bertrand Collomb (chefe da Lafarge) estiveram presentes ao lado de Henry R. Kravis (futuro coordenador financeiro do Daech). (ver General Americano conta que as guerras no oriente médio estavam planejadas há 10 anos atrás, – Ndt)

A Lafarge na Síria

A Lafarge é líder mundial das cimenteiras. A NATO confiou-lhe a construção dos bunkers dos jiadistas na Síria e a reconstrução da parte sunita no Iraque. Em troca, a Lafarge deixou a Aliança gerir as suas instalações nos dois países, nomeadamente a fábrica de Jalabiyeh (na fronteira turca, a norte de Alepo). Durante dois anos, a multinacional forneceu os materiais de construção para as gigantescas fortificações subterrâneas que permitiram que os jiadistas desafiassem o Exército árabe sírio.

Lafarge é agora liderada pelo norte americano Eric Olsen, que integrou na empresa as fábricas dos Frères Sawiris e Firas Tlass. Firas Tlass é o filho do general Moustapha Tlass, ex-ministro da Defesa do presidente Hafez al-Assad, irmão do general Manaf Tlass, que a França pensou para o próximo presidente sírio, e irmão de Nahed Tlass Ojjeh, viúva do negociante de armas saudita Akram Ojjeh, que trabalhou com o jornalista Franz-Olivier Giesbert.

As ligações entre a Lafarge e as forças especiais francesas foram facilitadas pela amizade entre Bertrand Collomb (agora presidente honorário da multinacional) e o General Benoît Puga (Chefe de Gabinete dos Presidentes Sarkozy e Hollande).

A mentira do Le Monde

Inicialmente, o jornal on-line dos mercenários anti síria, Zaman Al Wasl, publica e-mails que mostram que Lafarge pagoudinheiro ao Daech. Em segundo lugar, Le Monde publicou os seus artigos e os documentos do Zaman Al Wasl são removidos do seu site (no entanto podem ser encontrados aqui no nosso site).

De acordo com o Le Monde, a multinacional Lafarge comprava petróleo para manter a sua fábrica na Síria em actividade. O que é falso, porque a fábrica funcionava principalmente a carvão, que continuou a ser enviado a partir de Turquia. Sem perceber da enormidade da sua confissão, o quotidiano admite que Lafarge produzia 2,6 milhões de toneladas de cimento por ano, destinadas às “áreas rebeldes”. Durante esta guerra terrível, nada podia ser construído por civis nessas áreas.

Soldados do Daesh na fábrica da Lafarge-Holcim em Jalabiyeh (Síria)

A construção dos bunkers dos jihadists

Ao longo de dois anos foram produzidos 2,6 milhões de toneladas de cimento, o que perfaz pelo menos 6 milhões de toneladas produzidas para os “rebeldes”. Eu coloco a palavra “rebeldes” entre aspas porque esses combatentes não são sírios, vêm de todo o mundo muçulmano e até mesmo da Europa.

Esta quantidade de cimento é comparável à utilizada pelo Reich alemão em 1916-1917 na construção da Linha Siegfried. Desde Agosto de 2012, a NATO – incluindo a França – organizou uma guerra de posições de acordo com a estratégia descrita por Abu Musab “O sírio” no seu livro de 2004, La Gestion de la barbárie (a gestão da barbárie – Ndt). Pode-se imaginar o número de engenheiros militares da Engenharia NATO – incluindo os franceses – que foram necessários para construir este conjunto de livros.

 Lafarge, os Clinton e a CIA

Em 1980, a Lafarge foi defendida no seu julgamento pela poluição no Alabama, por um advogado famoso, Hillary Rodham-Clinton. Ela conseguiu reduzir a multa aplicada pela Agência de Protecção Ambiental para apenas 1,8 milhões.

Durante o mandato de George Bush pai, a Lafarge prestou serviços à CIA, ao transportar armas ilegais para o Iraque, que posteriormente foram utilizadas numa rebelião, quando o Iraque invadiu o Kuwait e a Coligação planeou ir libertá-lo.

Durante o mesmo período, Hillary Rodham Clinton, tornou-se directora da multinacional, cargo que deixou quando o seu marido foi eleito para a Casa Branca. De seguida, Presidente Bill Clinton reduziu para US $ 600 000 dólares a multa da Lafarge, que a sua esposa não tinha conseguido evitar.

As boas relações continuam, a empresa pagou 100.000 dólares para a Fundação Clinton em 2015 e seu novo CEO, Eric Olsen, não hesita em ser fotografado com Hillary Clinton.(ver Clinton Cash – Ndt)

A intervenção militar russa

Entrincheirados nos seus bunkers, os jihadistas não temiam o Exército Árabe da Síria e não tinham dificuldades em manter as suas posições. Por dois anos, o país foi dividido em dois, desde que o governo escolheu salvar a população e assim abandonar a área.

Quando a Rússia interveio militarmente a pedido do governo sírio, a sua missão era destruir com bombas penetrantes os bunkers dos jihadistas. A operação deveria ter durado três meses, de Setembro de 2015 ao Natal ortodoxo (6 de Janeiro de 2016). No entanto, a extensão das construções da Lafarge-Holcim mostrou-se tão importante que o exército russo teve necessidade de seis meses para as arrasar.

Conclusão

Quando a transnacional Lafarge-Holcim terminou a sua missão ao serviço da engenharia militar da NATO, fechou a sua fábrica e emprestou-a à Aliança. A fábrica de Jalabiyeh foi transformada na sede das Forças Especiais dos Estados Unidos, França, Noruega e Reino Unido, que ocuparam ilegalmente no norte da Síria.

Ao contrário da cortina de fumaça do Le Monde, não se tratava da história triste de uma empresa de construção que negociou com jihadistas para salvar o seu pessoal. A responsabilidade da Lafarge-Holcim, é o seu papel central numa grande operação militar para destruir a Síria; uma guerra secreta que custou a vida a centenas de milhares de

Thierry Meyssan

[1] « Communiqué de Lafarge-Holcim sur ses activités en Syrie », Réseau Voltaire, 2 mars 2017.

[2] « Ce que vous ignorez sur le Groupe de Bilderberg », par Thierry Meyssan, Komsomolskaïa Pravda (Russie) , Réseau Voltaire, 9 avril 2011.

Se algum dia, o actual e vergonhoso Tribunal Internacional voltar a ser entidade idónea que deveria ser e julgar as atrocidades e mortes levadas a cabo pelas invasões chamadas de “primaveras árabes”,  uma outra Lafarge terá que ser construída para “acomodar” esta escumalha que está espalhada pelo mundo e tão próxima de nós. Escumalha que considero tão terrorista ou mais, que os “terroristas” por ela criados.

Nota: links desta cor são da minha responsabilidade

Anúncios

One comment on “Revelações: a jiade de Lafarge-Holcim

  1. Pingback: sob o livro “Sous nos Yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump” de Thierry Meyssan | A Arte da Omissao

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

Categorias

Faça perguntas aos membros do Parlamento Europeu sobre o acordo de comércio livre, planeado entre a UE e o Canadá (CETA). Vamos remover o secretismo em relação ao CETA e trazer a discussão para a esfera pública!

%d bloggers like this: