A Arte da Omissao

Destruir o Daesh?

Tradução do artigo

Détruire Daesh? de Thierry Meyssan

Enquanto Washington multiplica os sinais que confirmam a sua intenção de destruir o Daesh, os britânicos e franceses, seguidos por todos os europeus, consideram por-se à parte. Londres e Paris coordenaram o ataque a Damasco e Hama para obrigar o exército árabe sírio a defendê-las e, assim, enfraquecer a sua presença  nos arredores de Raqqa. Os europeus esperam organizar a fuga de jihadistas para a fronteira turca.

| Cidade do México (México) | 4 de Abril de 2017

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A reunião da coligação anti Daesh em Washington que decorreu de 22 a 23 de Março 2017, correu muito mal. Se, aparentemente, os 68 membros reafirmaram o seu compromisso de lutar contra essa organização, na realidade expuseram as suas divisões.
Rex Tillerson,  Secretário de Estado Norte Americano, reiterou o compromisso do presidente Trump perante o Congresso, em destruir o Daesh e não o enfraquecer, como a administração Obama tinha afirmado. Ao o fazer, Rex  acabou com os argumentos dos membros da Coligação perante o facto consumado.

Primeiro problema: como é que os europeus em geral e a Grã-Bretanha em particular, podem salvar os seus jihadistas, se não se trata mais de os deslocar, mas sim de os suprimir de vez?

Rex Tillerson e primeiro-ministro iraquiano Haider al-Abadi, apresentaram um relatório sobre a batalha de Mosul. Apesar de ser um bom relatório, é evidente que para todos os especialistas militares ela ainda durará mais uns longos. Porque em Mosul, quase todas as famílias têm membros envolvidos com o Daesh.

Militarmente, a situação em Raqqa é muito mais simples. Os jihadistas são estrangeiros. Deve ser uma prioridade  cortar-lhes o  fornecimento de suprimentos  e separá-los da população síria.

Segundo problema: o exército dos Estados Unidos tem de obter previamente a autorização do Congresso e depois de Damasco, para se implantar na Síria. O general James Mattis (secretário de Defesa) e John Dunford (Chefe do Estado-Maior Conjunto) tentaram convencer o parlamento, mas ainda não conseguiram. Eles terão que negociar também com Damasco  e clarificar o que deve ser feito.

Quando os Europeus perguntaram o que  Washington tenciona fazer quando Raqqa for libertada, Tillerson estranhamente disse que iriam trazer de volta as pessoas deslocadas e refugiadas.Os Europeus concluíram que esta população é esmagadoramente favorável a Damasco e que Washington pretende restituir este território à República Árabe Síria.

Tomando a palavra, Augusto Santos Silva, Ministro do Negócios Estrangeiros Português, salientou que a proposta ia contra o que havia sido anteriormente decidido. Os europeus têm o dever moral, disse ele, de prosseguirem os seus esforços para protegerem os que fugiram daditadura sanguinária“. Mas, mesmo libertada, Raqqa não será uma zona segura, por causa do exército árabe sírio que será pior que o Daesh. (A minha alma está parva. Portugal acaba de branquear a invasão à Síria, não por causa da tal ditadura, mas porque geo politicamente era preciso tirar o presidente Sírio da presidência, para lá sentarem um fantoche a mando de Londres e França, USA, e os Estados Europeus escravos da NATO. Afinal os refugiados fogem de quem e porquê? É esta pergunta e resposta que o mundo precisa saber- Ndt)

A escolha dos europeus em confiarem esta intervenção a Portugal não é inocente. O antigo primeiro-ministro Português, do qual Santos Silva foi ministro, António Guterres, é o antigo Alto Comissário para os Refugiados e actual Secretário-Geral da ONU. Foi também presidente da Internacional Socialista, organização totalmente controlada por Hillary Clinton e Madeleine Albright. Em suma, é a nova fachada de Jeffrey Feltman na ONU e do clã belicista.

Terceiro problema: libertar Raqqa do Daesh, certamente, mas de acordo com os europeus, não a restituir a  Damasco. Daí a superioridade francesa. Imediatamente, vimos o jihadistas de Jobar a atacar o centro da capital e os de Hama a atacar aldeias remotas. Talvez se trate para eles, de uma tentativa desesperada de obter um prémio de consolação em Astana ou Genebra antes do fim do jogo. Talvez se trate de uma estratégia coordenada por Londres com Paris.

Neste caso, deve esperar-se uma grande operação das potências coloniais em Raqqa. Londres e Paris poderiam atacar a cidade antes que ela seja cercada de modo a forçar o Daesh a mover-se e a salvar. O Daesh poderia recuar para a fronteira turca, ou até mesmo à Turquia. A organização se tornaria no carrasco dos curdos para beneficio de  Recep Tayyip Erdoğan.

Nota: Realces desta cor e link desta são da minha responsabilidade

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This entry was posted on 5 de Abril de 2017 by in Europa, Síria, USA and tagged , .

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