A Arte da Omissao

Síria: evacuação de elementos da Al Nusra com segurança de Al-Waer em Homs (Dias após massacre de terroristas a mais de 100 evacuados civis de Foua e Kafraya)

Tradução do artigoAl Nusra Safely Evacuates From Al-Waer, Homs (Days After Terrorists Massacre Over 100 Civilian Evacuees of Foua and Kafraya)” de Eva Bartlett

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Foto de Vanessa Beeley, que escreve: “O olhar do ódio. Um terrorista da Frente Al-Nusra aguarda em Al Waer, Homs para embarcar nos autocarros que os levarão em segurança para Idlib e depois para a Turquia, destino da sua escolha. Justiça do governo sírio e amnistia em comparação com loucura do Reino Unido / EUA / NATO “

Vanessa Beeley, jornalista independente britânica, esteve no dia 18 de Abril de 2017, com uma delegação internacional em al-Waer, Homs, durante a 5ª evacuação de terroristas da al-Nusra e de outros militantes que há anos ocupavam a área.

Em Março de 2017, o jornalista sírio Mohamed Ali fez uma reportagem a partir de al-Waer, durante uma das evacuações anteriores, e observou que a evacuação estava a ser  feita pelo Syrian Red Crescent, polícia militar russa e pessoal de segurança sírio e que nenhum pessoal da ONU estava envolvido.

Em relação a essa evacuação, a agência noticiosa síria, SANA, reportou:

“150 pessoas da vizinhança de al-Wa’er em Homs tinham o seu estado estabelecido de acordo com o decreto da amnistia No. 15 de 2016 e à luz do acordo de reconciliação alcançado na última segunda-feira. Partiram para o norte da província de Homs, no âmbito da implementação do acordo de reconciliação que foi alcançado no bairro, abrindo o caminho para o regresso de todas as instituições governamentais.

Acerca da evacuação de 18 de Abril de 2017, Vanessa Beeley escreveu:

Hoje em Al Waer, Homs, testemunhamos a evacuação de terroristas da frente Nusra e suas famílias para Jarablus e Turquia. Sob o acordo de Amnistia e Reconciliação do governo sírio, eles foram capazes de sair com as suas armas, com segurança para o destino de sua escolha. Esta, contrasta com o tratamento horrível dos  civis evacuados de Kafarya e Foua,  que foram massacrados em Rashideen com o atentado suicida realizado por extremistas financiados pelos EUA. Nós, no Ocidente “civilizado”, trazemos a barbárie a um país que demonstra consistentemente o significado da verdadeira civilização, dignidade e humanidade … Eles foram levados com sucesso para Idlib, primeiro passo a caminho da Turquia, sob a polícia de Amnistia e Reconciliação do governo sírio, 2010 pessoas foram evacuadas de Al Waer, incluindo 519 terroristas da frente Nusra. “

Relacionados:

Vanessa Beeley’s “Images from after Rashideen massacre, buses and survivors who were taken to Jebrin after NATO and Gulf state terrorists had torn their lives apart.”

[artigo da autora: No ‘Red Lines’ After US-Backed Terrorists Massacre Idlib’s Foua Civilians]

Sobre a evacuação de 18 de Abril de 2017, a SANA reportou

“O governador de Homs terminou na terça-feira a evacuação do quinto grupo de militantes e algumas de suas famílias das partes ocidentais do bairro de Al-Waer, passo para limpar o bairro de armas e militantes e restaurar os estabelecimentos estatais. O repórter da SANA disse que o quinto lote incluía 519 militantes e centenas das suas famílias que rejeitaram o acordo de reconciliação. O repórter acrescentou ainda que 55 autocarros transportaram os militantes e suas famílias para o nordeste de Alepo sob a supervisão do Syrian Arab Red Crescent, das Forças de Segurança Internas e da Polícia Militar Russa. O quinto grupo de militantes e algumas das suas famílias começaram a abandonar o bairro de Al-Waer na segunda-feira à tarde, enquanto o governador de Homs, Talal al-Barazi, enfatizava que até o final do corrente mês, o acordo de reconciliação no bairro de Al-Waer será terminado e será iniciada a reabilitação das instalações e infra-estruturas danificadas do bairro …


Em Dezembro de 2015 visitei al-Waer
Mesmo enquanto al-Nusra e outros terroristas a ocupavam, o governo sírio enviava comida e remédios, fornecia pão, e serviços como electricidade e água, eram melhores do que na grande Alepo sob bombardeamentos dos terroristas.
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Sobre a visita em Dezembro de 2015, eu escrevi:

Ouvindo a minha gravação a caminho de al-Waer, Homs,  um jornalista sírio de Damasco adverte-me:

“Devemos ter mais cuidado agora, porque todos do outro lado podem ver-nos muito bem.”

Perguntei quantos terroristas permaneceram. Hayat, jornalista de Homs,  diz-me:

Há aqueles (terroristas) que não quiseram participar na reconciliação para deixar al-Waer. Os que partiram num comboio civil foram 447 civis e 100 combatentes (sem armas); 172 rebeldes (armados) não partiram – não querem fazer a reconciliação com o governo. 20 feridos (combatentes e civis) que precisavam de cuidados médicos de emergência partiram em ambulâncias. Cerca de 2.200 ou mais combatentes permanecem em al-Waer.”

Ao chegar perto de al-Waer, o motorista pergunta, “vamos entrar?” “Estamos agora na linha de frente”, diz ele. Hayat, fica sério e diz:Não é seguro, a qualquer momento eles podem fazer qualquer coisa, até quebrar o cessar-fogo.”

O jornalista de Damasco que ia comigo diz: “Estamos perto dos combatentes, estamos muito perto deles agora, devemos ter cuidado.”

Chegamos ao último posto militar, antes da entrada para al-Waer.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A fábrica de pão à entrada de al-Waer produz pão para a população, o trigo é fornecido pelo governo sírio.

De acordo com Hayat, o jornalista de Homs que estava comigo, embora 292 terroristas (bem como 447 civis) tenham deixado al-Waer sob acordo de Dezembro, mais de 220o terroristas permanecem ainda dentro de al-Waer, com outros 150.000 civis – de uma população que era de 750.000. Segundo Hayat, o governo sírio continua a fornecer não só trigo / pão, mas também electricidade e água, embora as pessoas dentro de al-Waer não paguem:

“Eles não pagam pela electricidade, pela água … a área não está sob o controle do governo. Os rebeldes não permitem que as pessoas paguem, para prejudicarem o governo. Se as pessoas pagarem e forem descobertas, os terroristas as matariam “.

No final deste vídeo, Hayat está a dizer-me que as pessoas de dentro do al-Waer virão pegar o pão, e que o garoto ao fundo é de al-Waer.

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Tariq, um morador palestiniano de al-Waer, nascido em 1957, é natural de Akka, Palestina. Da sua vida na Síria, ele (como qualquer outro amigo palestiniano ou pessoa que eu conheci na Síria) disse-me: “O governo sírio trata-me tanto bem quanto a um sírio”.

** Nesta foto, ele estava a pegar pão para levar de volta para a sua família em al-Waer (por ter parado para falarmos, recebeu uma chamada no seu telemóvel de alguém da sua família, preocupada com ele, pois estaria a demorar mais do que era normal).

Relacionado: A 2014 article on Reconciliation movement in Syria, including an interview with the Minister of Reconciliation, Dr. Ali Haidar

Em contraste com a longo ocupação de al-Waer, a cidade velha de Homs viu em Maio de 2014, terroristas a serem evacuados para outro lugar da Síria, permitindo que os moradores de Homs começassem a reconstruir as suas vidas.


Excertos da minha visita a Homs em Junho de 2014, onde entrevistei sobreviventes da ocupação dos terroristas:

Alguns dos moradores que permaneceram na cidade velha de Homs durante o cerco conversaram com a IPS sobre as suas provações e perdas nas mãos dos grupos armados, incluindo as brigadas Nusra e Farooq. Muitos deles argumentaram que o que aconteceu em Homs não foi uma revolução, opinião comungada pelo padre jesuíta holandês Frans van der Lugt,  assassinado um mês antes da cidade ser libertada.

“Fui baptizado nesta igreja, nela casei e nela baptizei meus filhos”, disse Abu Nabeel, morador da Cidade Velha de Homs. A igreja de St. George, com suas paredes desintegradas, é um das 11 igrejas destruídas  da cidade velha. Já sem o seu tecto de madeira, painéis de madeira, as estruturas das paredes, estão em montões fora da igreja antiga.”

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“A maior parte dos danos são dos últimos dias antes dos rebeldes irem embora”, disse ele. “Mas vamos reconstruir.” Essa reconstrução já começou, com os residentes a raspar os entulhos e a repavimentar pequenas áreas que foram danificadas.”

O interior arqueado da igreja de St. Mary (uma al-Zinnar) carrega as marcas das  queimaduras que os rebeldes fizeram antes de irem embora. Como em muitas outras, objectos foram saqueados ou vandalizados, com os rebeldes a deixarem grafítis sectários nas paredes. “Os símbolos relacionados com o cristianismo foram removidos. Mesmo de dentro de casas. Se você tivesse uma imagem da Virgem Maria, eles a removiam “, disse Abu Nabeel.

Voluntários já plantaram um jardim no seu pátio, na tentativa que “trazer alguma beleza de volta” a Homs.

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Uma estátua no pátio da Igreja dos 40 Mártires ficou sem cabeça. “Este foi um dos fundadores da igreja, então cortaram-lhe a cabeça”, disse Abu Nabeel. A igreja foi menos danificada que as outras, mas Abu observou que “queimaram os bancos para se aquecerem.”

Do lado de fora de um prédio antigo, mas intacto, alguns homens lavaram à mangueirada a rua e repavimentaram pequenas secções do passeio.

“Este era um dos maiores restaurantes da cidade velha de Homs. As pessoas costumavam fazer casamentos aqui “, disse Abu Nabeel acerca do  edifício. “Foi usado como quartel-general dos rebeldes. Por dentro estava danificado, mas muito já foi consertado.“

Numa rua em Bustan al-Diwan, iovens voluntários pintaram sobre os grafítis dos rebeldes e usaram vidro partido da Igreja de Saida Salaam para criarem um mosaico colorido. Os escombros que cobriam as ruas tinham sido varridos e colocados em pilhas no centro de algumas faixas, para permitirem que as pessoas passassem.

Mais adiante, ao longo de uma faixa da cidade velha, uma parede rebentada revelava uma camionete queimada usada pelos rebeldes  nos seus ataques e, a escola que ocuparam até o dia em que partiram de Homs. O veículo destruído era apenas um exemplo da destruição final dos gangues armados em retirada.

Abu Nabeel explicou que os rebeldes minaram a área antes de partirem. “Deixaram explosivos presos nas casas, por toda parte, mesmo atrás quadros nas paredes”.

No pátio de uma igreja jesuíta havia uma cadeira solitária de plástico adornada com flores e uma foto do padre Frans van der Lugt, o padre jesuíta assassinado a 7 de Abril de 2014.

The chair in which Father Frans van der Lugt was assassinated by an insurgent with a point-blank shot to his head.

Nazim Kanawati, que conhecia e respeitava o jesuíta, chegou momentos depois do padre de 75 anos ter sido baleado na parte de trás da cabeça. “Estávamos cercados e sitiados. Este era o único lugar para onde poderíamos ir. Todo mundo adorava estar aqui “, disse ele.

“O padre Frans era um pacificador e desempenhou um papel importante na organização da evacuação de civis da Cidade Velha durante o cerco. Ambos os lados confiavam nele, e ele não distinguia entre cristãos e muçulmanos. A sua preocupação era com a humanidade. “

Como o Padre Frans, Nazim Kanawati recusou-se a deixar Homs enquanto outros fugiam. “Eu não quis ir embora, eu sou um sírio, eu tinha o direito de estar lá.”

Embora tenha escolhido ficar na Cidade Velha, o Padre Frans era um critico acerca dos rebeldes. Em Janeiro de 2012, escreveu:

“Desde o início vi manifestantes armados a marchar nos protestos, que começaram primeiro a atirar na polícia. Muitas vezes a violência das forças de segurança é uma reacção à brutal violência dos rebeldes armados”.

“As pessoas em Homs já estavam armadas e preparadas antes dos protestos começarem”, disse Kanawati

Abu Nabeel explicou-me que, além do distrito de Hamidiyeh, onde existem várias igrejas antigas, também tinham fugido cristãos de outras áreas ocupadas pelos rebeldes armados.

“Viviam cerca de 100.000 cristãos na Cidade Velha de Homs antes dela ser tomada pelos terroristas. A maioria fugiu em Fevereiro de 2012. Em Março de 2012 apenas 800 haviam ficado, e no final pouco mais de 100″, disse Abu.

O cerco que o exército sírio impôs à Cidade Velha na tentativa de expulsar os rebeldes teve um efeito drástico sobre a vida diária dos que restaram.

“De repente, ficámos sem electricidade e água. Tivemos que esperar pelos camiões de água para encher os tanques “, disse Kanawati. “Haviam muitos idosos que não podiam sair de casa. Nós levávamos comida e remédios para as pessoas da comunidade.”

Antes de  Homs se vir liberta dos rebeldes armados que também assaltavam casas, a vida tornou-se impossível. “Havia comida no começo, mas depois começou a escassear. No final, não tínhamos nada, comíamos o que quer que pudéssemos colher”, disse Kanawati.

Ninguém esperava que o próprio sacerdote fosse morto, atestou Kanawati. “Alguém que estava provavelmente nos seus vinte anos veio aqui, com o seu rosto coberto e ordenou ao padre Frans para ir com ele. O padre Frans recusou. Então o homem disse-lhe para se sentar nesta cadeira, e disparou para a sua cabeça.”

Abu Nabeel acrescentou mais informações sobre o assassinato de van der Lugt.

Três ou quatro dias antes do padre Frans ser morto, o exército sírio tinha alvejado um veículo cheio de explosivos, que os rebeldes planeavam enviar para a cidade. Muitos dos líderes rebeldes mortos eram menos extremistas que os rebeldes estrangeiros, e estavam a proteger a igreja. Depois das suas mortes, os outros rebeldes foram à igreja e exigiram que o padre Frans entregasse os objectos de valor que os moradores da área tinham deixado para ele guardar. Como recusou,  mataram-no.”

Mohammed, um sírio do distrito de Qussoor de Homs, é agora um dos 6,5 milhões de sírios deslocados internamente.

“Agora sou um refugiado em Latakia. Dois dias por semana, trabalho em Homs, e depois volto para Latakia e fico na casa do um amigo. Saí da minha casa no final de 2011, antes da área ser assumida pelas brigadas de al-Nusra e al-Farooq.”

Ele falou da natureza sectária dos rebeldes e dos protestos desde o início em 2011

Eu vivia numa casa alugada num bairro diferente de Homs, enquanto renovava a minha própria casa. Um pouco à frente minha varanda, havia pessoas a protestar, não chamando pela liberdade nem  mesmo pelo derrube do “regime”. Eles cantavam temas sectários, diziam que encheriam de sangue Al-Zahara – um bairro Alawi. E também al-Nezha – onde havia muitos alawis e cristãos.

Minha tia vive noutro bairro próximo. Ela é Allawi e seu marido é sunita. Por ela ser Allawi, os “rebeldes” queriam matar os seus dois filhos. Escolhemos Bashar al-Assad, disseram eles, ‘vamos matá-lo, porque você o escolheu.

As janelas e a maçaneta da porta da casa dos irmãos Aymen e Zeinat al-Akhras não existiam, mas a casa estava intacta. Zeinat, farmacêutica, e Aymen, engenheiro químico, sobreviveram à presença dos homens armados e ao assédio resultante na Cidade Velha. Cada espaço na sua pequena sala estava cheio de livros e caixas de famílias e vizinhos que fugiram, que confiaram nos irmãos Akhras que escolheram ficar e aguentar a tempestade.

Nós não saímos, nós não escolhemos sair”, disse Zeinat..A nossa loja familiar tem cerca de 75 anos agora”, acrescentou Aymen. “Nós não a queríamos perder nem a mercadoria.”

Muito do que trouxeram para a casa, tiraram da loja através de um buraco na parede para o quintal, para que os rebeldes não as vissem e roubassem.

A área foi tomada em duas etapas, explicaram os irmãos. “Primeiro, os rebeldes chegaram perto da nossa casa, enquanto o exército sírio estava do outro lado. Quinze dias depois, os rebeldes trouxeram mais forças e armas e tomaram o controlo da área e mataram todos os soldados sírios nessa área. Em Fevereiro de 2012, assumiram completamente a cidade “, disse Aymen.

Aymen and Zeinat al-Akhras in their Old City home in Homs.

Zeinat falou dos cortes de energia, que às vezes duravam dias e da falta de gás de cozinha.

Começamos a usar o fogão a lenha. Nós colocávamos a panela às 10 da manhã, e comíamos às 4 da tarde … Não importava que não tivéssemos electricidade para o frigorífico – não tínhamos comida para lá colocar , disse ela. Ganhei cinco quilos! – disse Zeinat. “Tinha perdido 34. Aymen disse para eu me pesar. Eu cheguei à  balança e disse, ‘O que são 34 quilos?’. Uma criança de dez anos pesa mais do que isso! E Aymen tinha 43 quilos. Para um homem, 43 quilos – disse ela rindo.

A queda drástica de peso não foi devido à má preparação. Pelo contrário, Zeinat disse que tinham comida suficiente para  um ano.

“Nós éramos doze irmãos espalhados por oito casas na área, e a casa da família. Todos nós tínhamos lojas de comida.”

Mas as reservas de alimentos não sobreviveram ao saque dos rebeldes.

“Eles vieram oito vezes roubar a nossa comida. As primeiras vezes, bateram na porta, e depois entravam armados. As últimas coisas que roubaram foram as nossas ervilhas secas, o nosso trigo rachado, as nossas azeitonas, e finalmente o nosso za’atar (tomilho selvagem). Começamos a comer erva e qualquer coisa verde que pudéssemos encontrar em Fevereiro de 2014, e foi tudo o que tivemos até Homs ser libertada,” disse Zeinat. Na última vez que eles vieram, tínhamos algumas especiarias. Eu estava a colocar especiarias sobre a relva e ervas daninhas que na altura comíamos, para lhes dar algum sabor. Não nos deixaram nada. Até as especiarias levaram. Não nos deixaram nada.

Os rebeldes também roubaram objectos de valor. “Dinheiro, ouro,  levaram meu passaporte”, Zeinat riu. – O que eles iam fazer com ele?

Abu Abdu tinha uma casa num distrito de Homs entre Khaldia e Bayada.

Nunca me interessei por política, mudava sempre de canal na altura das notícias. Mas quando os eventos começaram aqui, e começámos a ouvir as mentiras, meu senso de nacionalidade despertou e passei a ver sempre as notícias , disse ele.

Ele explicou enquanto mostrava vídeos e fotos da sua área: “Este é o nosso edifício de apartamentos, estávamos no terceiro andar. Eu fiz esta filmagem por volta de 10 de Maio, depois dos rebeldes terem deixado Homs. “

Eles levaram os nossos pertences pessoais, nosso dinheiro, roubaram tudo, até mesmo as bombas usadas para bombear água até aos andares mais altos. Roubaram a fiação eléctrica, os contadores de electricidade, as torneiras da cozinha e banheiro, o motor da máquina de lavar roupa … não podiam levar a máquina inteira para ficarem só com o motor. Levaram o ventilador de tecto, os azulejos da parede … quebraram a caixa de jóias de madeira da minha filha e roubaram as 100 Liras em moedas sírias diferentes que o seu noivo lhe tinha dado como presente. Todo esse esforço por 100 libras sírias (cerca de US $ 1,50)“, disse ele.

Enquanto isso, apesar do retorno da calma à Cidade Velha de Homs, os rebeldes continuam a sua campanha de bombardeamento a civis em áreas civis da cidade. Em Junho de 2014, dezenas de pessoas foram mortas por carros-bomba e ataques com lança-roquetes.

A 19 de Junho de 2014, a agência de notícias Sana reportou seis mortos e quarenta feridos com um carro-bomba, bem como sete mortos, 25 feridos seis dias antes.

O governo sírio, continua no entanto com esforços para restaurar a normalidade na cidade. A 26 de Junho de 2014, notícias de Sana relataram que o ministro da Cultura, Lubanah Mshaweh, disse que haviam planos em andamento para a restauração da mesquita Khalid Ibin al-Walid de Homs, Santa Maria (um al-Zinnar) e 40 igrejas dos Mártires.

Também no dia 26 de Junho de 2014, as brigadas Nusra, filiais da Al-Qaeda e uma das principais facções que ocuparam Homs, reportaram ter prometido fidelidade ao Estado islâmico extremista de Takfiri no Iraque e ao ISIS na Síria.

Esta lealdade a um grupo que foi documentado ter decapitado, mutilado, crucificado e flagelado sírios e iraquianos, dá mais crédito à opinião dos moradores de Homs, de que os eventos na Síria não são uma revolução.

Vídeos da autora:

Homs residentes de Homs falam dos carros bombas de Abril de 2014

Homs heflah to celebrate June 3 Presidential elections

“Freedom”: Homs resident speaks of the early days of the “crisis”

Homs: “We wanted to protect our house”



Mais excertos da minha vista a Homs em Dezembro de 2015:

Quando a visitei em Junho de 2014, depois dos terroristas terem sido na sua maioria extraídos de Homs, a destruição e o vandalismo que vi eram imensos. Mesmo naquela época, assim que os terroristas se foram, os moradores da Cidade Velha voltavam lentamente para começarem a limpeza e pensarem em reconstruir as suas vidas.

Agora, um ano e meio mais tarde, enquanto imensa reconstrução permanece ainda por fazer, houve uma melhoria significativa. Vi novas lojas abertas e vi casas, lojas, ruas e igrejas decoradas no espírito do Natal.

As luzes de Natal pendiam sobre as ruas da Cidade Velha e nos pátios da igreja. Um amigo de Homs enviou-me mais tarde  fotos das ruas iluminadas à noite, da igreja St. Mary (Um al-Zinnar), que tinha sido queimada, agora reparada e decorada, repleta de adoradores, um coro juvenil e uma banda.

Na Igreja Jesuítica da Cidade Velha, novos retratos do padre holandês Frans van der Lugt, assassinado em Abril de 2014 pelos terroristas “moderados” do Ocidente. A igreja tinha também uma árvore de Natal simples e uma cena da natividade caseira, cujas paredes da gruta eram feitas de papel marrom amassado.

Foram reabertos dois restaurantes bem conhecidos, que sofreram diferentes graus de destruição. O Beit al-Agha, grandemente danificado pelos terroristas, está agora de volta à vida, embora ainda sejam necessários alguns reparos. O outro, Al-Bustan, que tinha sido completamente devastado, está totalmente reconstruído e aberto aos clientes. Fotos da Comunidade de al-Hamidiya no Facebook, mostram um restaurante cheio durante o Natal, e danças à noite. A página mostra celebrações nas diferentes igrejas e nas ruas da antiga Homs.

Em Saha al-Majaa, uma praça da Cidade Velha, eu vi seis moradores locais a acrescentar toques finais na árvore de Natal que tinham trabalhado com materiais não usados e outros comprados. Numa sala próxima, estavam armazenadas figuras da natividade em tamanho natural, feitas de esponja e pano e outros materiais básicos, à espera de serem expostos. Os moradores da vizinhança haviam trocado por tecido, comprado em Tartous.

Venha amanhã às 17:00 e verá a exibição concluída, “Eu fui convidada, mas não tive a possibilidade de voltar. No entanto, as fotos nos meios de comunicação sociais mostram que os seus esforços criativos têm valido a pena: nesta praça onde o desespero já foi profundo, a esperança floresce de novo “.

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Relacionado:

Os vídeo seguintes, diz respeito à uma Conferência de Imprensa, que ocorreu no passado dia 9 de Dezembro de 2016. Conferência de quem é contra a propaganda da mudança de regime, pela paz e pela soberania nacional, na Síria.

Oradores: Dr. Bahman Azad, Membro do Comité de Coordenação da Hands Off Syria e Secretário de Organização do Conselho para a Paz dos EUA, e Eva Bartlett (a autora deste artigo-Ndt) jornalista independente do Canadá.

A mensagem nela transmitida, vem ao encontro das diversas traduções de opiniões, que tenho feito, relativas à responsabilidade do Ocidente nas guerras no Médio Oriente alargado.

Não consegui arranjar todos os vídeos com legendas em português. No entanto e caso ajude, active  as legendas em inglês.

Conferência a 9.12.2016

Parte da conferência com legendas em português

Conferência de Agosto de 2016

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This entry was posted on 23 de Abril de 2017 by in Afinal Quem é Terrorista?, Síria and tagged , , , , .

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