A Arte da Omissao

Estes são os tempos

“Estes são os tempos que tentam as almas dos homens. Nesta crise, o soldado de Verão (nome pelo qual, durante a década de 1770, eram conhecidos os soldados que se juntaram ao Exército Continental durante a Primavera ou o Verão, mas que desertaram no Outono ou no Inverno – Ndt) e o patriota do sol (pessoas que apoiavam os revolucionários quando a revolução estava a ir a bem – mas não de outra forma -Ndt), irão encolher-se ao serviço do seu país; mas quem o sustenta agora, merece o amor e o agradecimento do homem e da mulher. Um pai generoso deve dizer: “Se tiver que haver problemas, que seja no meu dia, para que o meu filho possa ter paz”, eu amo o homem que pode sorrir em apuros, que pode reunir forças na angústia, e crescer bravo pela reflexão. Pela perseverança e fortaleza temos a perspectiva de um futuro glorioso.”

Em Dezembro de 1776, George Washington ordenou que fossem lidas às suas tropas em Valley Forge essas palavras escritas por Thomas Paine. Também eram lidas em tabernas, escolas e igrejas em todas as colónias. Elas reuniram uma nação que tinha experimentado derrotas após derrotas para manter a luta contra os poderes repressivos da Inglaterra imperialista.

Mais uma vez estamos nesse momento. Estamos a ser testados. As nossas almas estão a ser julgadas – aqui na América e em tantos outros países por todo o mundo. Precisamos de escritores como Tom Pain. Nós precisamos de você.

Mesmo que não se considere um escritor, o facto de estar a ler este blogue é indicativo de que o é. Você escreve emails. Usa também o tweet, facebook, ou outros órgãos de comunicações social. Talvez escreva também contos, artigos… livros. O que é importante é que escreva e a palavra escrita nunca foi tão importante ou necessária. É muito poderosa.

Há um paralelo interessante entre o tempo de Tom Paine e o nosso.

Embora a história popular retracte a revolução americana como uma revolta idealista, ela foi impulsionada pela economia. A Companhia das Índias Orientais controlava o comércio mundial, bem como muitas das políticas do governo britânico. Suas acções abusivas nas colónias levaram ao Tea Party de Boston (referência à Festa do Chá de Boston, uma acção directa dos colonos americanos de Boston em 1773, contra o governo britânico e a Companhia das Índias Ocidentais – Ndt) e, finalmente, à revolução. Após a independência, o Congresso dos EUA percebeu que as corporações tinham sido uma ameaça à democracia e decidiu nunca mais permitir que elas tivessem novamente tal poder.

Foram aprovadas leis que restringiram a concessão de cartas corporativas apenas às empresas que garantiam a realização de um serviço público. Nenhuma empresa foi autorizada a comprar outra. Em média, as cartas foram limitadas a dez anos. Depois disso, cada corporação tinha que provar como condição para renovar a sua carta, que de facto tinha servido o público e tinha de garantir que o continuaria a fazer.

Estas leis vigoraram aproximadamente durante um século, até que John D. Rockefeller e os seus associados convenceram os legisladores dos estados de Nova Jersey e Delaware que, na nova era industrializada e para melhor servirem o público, as regras tinham que mudar. Segundo eles, a exploração e o processamento eficientes do petróleo, não poderiam ser feitos em dez anos ou numa pequena escala.

Eram necessárias novas leis que incentivassem cartas de longo prazo e a consolidação de recursos financeiros e tecnológicos – ou seja, monopólios. Conhecidos como “actos que permitem”, essas leis prometiam aos seus proponentes, a geração de enormes lucros que poderiam ser tributados. Os impostos iriam engordar os cofres do governo – que por sua vez serviriam para pagar salários mais elevados aos legisladores e a outros políticos. Outros Estados rapidamente seguiram o exemplo. Rockefeller e os seus amigos criaram conglomerados que compraram os seus concorrentes ou os expulsaram do negócio; os seus tentáculos monopolísticos eventualmente espalharam-se pelo planeta.

Alguma coisa é-vos familiar? Vai piorar.

Depois de Milton Friedemann ter vencido o Prémio Nobel de Economia em 1976, a ideia de que as corporações deveriam maximizar os lucros, independentemente dos custos ambientais e sociais, tornou-se no objectivo geral dos negócios. Também levou ao crescimento extremamente rápido das corporações globais. Empresas locais em países tão diversos como Japão, Coreia, Alemanha, Reino Unido, China e os EUA expandiram-se rapidamente e assumiram o controlo dos governos.

Através de uma variedade de estratégias, incluindo o financiamento de campanhas políticas, manobram os seus executivos em altas posições governamentais, contratam exércitos de lobistas, inundam consumidores com extensas relações públicas e cruzadas de marketing e prometem – assim como ameaçam – impactar economias através da localizando das suas instalações em – ou removê-las de – cidades e países. Essas empresas elevaram-se a posições de grande poder.

Os accionistas da Companhia das Índias Orientais dos anos 1700 olham para nós. Cresce-lhes água na boca. Tom Paine também está a olhar cá para baixo.

Ele está a apontar o seu dedo a VOCÊ. “Escreve!” Diz ele. “Exponha a história de um sistema que está a falhar – esta economia da morte que se baseia na guerra e na destruição do planeta. Conte a nova história sobre a necessidade – e divertida – de a transformar numa economia da vida – baseada na limpeza da poluição, na regeneração dos ambientes devastados e na criação de novas tecnologias que não devastam a Terra “.

Tom olha através dos séculos para você. “Estes são os tempos… Escreva!”

John Perkins, 25 de Abril de 2017

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