A Arte da Omissao

Trump – dois passos para a frente, um passo para trás

Tradução do artigo “Trump : deux pas en avant, un pas en arrière” de Thierry Meyssan

Enquanto a imprensa internacional descreveu a grande inversão de Donald Trump, Thierry Meyssan acha que não é assim: longe de ter abandonado o seu ideal de paz, o presidente dos EUA grita e  bombardeia, mas toma cuidado para não cometer nada irreversível.

| Damasco (Síria) | 18 de Abril de 2017

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A mudança radical da retórica do presidente Trump sobre a sua política externa foi acompanhada pelo bombardeamento da base síria de  Cheyrat  e de uma montanha afegã.

O mundo tremeu perante esta demonstração de força: 59 mísseis Tomahawk na Síria e a mãe de todas as bombas, GBU-4  / B3 no Afeganistão. No entanto, a base de Cheyrat no dia seguinte estava novamente operacional, enquanto “a mãe de todas as bombas” causou efectivamente o colapso de três saídas de um túnel natural, mas não destruiu os quilómetros de passagens subterrâneas escavadas ao longo do tempo pelos rios nas montanhas. Muito barulho por pouco.

Estas duas operações foram claramente destinadas a convencer o Estado Profundo dos EUA, de que a Casa Branca apoiava novamente a sua politica imperial. Elas tiveram o efeito desejado na Alemanha e na França. A chanceler Angela Merkel e o presidente François Hollande aplaudiram o seu suserano e pediram um fim para a Síria. A surpresa acabou por vir de outro lado.

O Reino Unido não se limitou a seguir o exemplo. Boris Johnson,  ministro dos Negócios Estrangeiros, propôs impor sanções contra a Rússia, alegando que ela é cúmplice dos “crimes” sírios, responsável de uma forma ou outra pela resistência afegã e muitas outras coisas. Na reunião dos ministro dos Negócios Estrangeiros do G7, Johnson anunciou o cancelamento da sua viagem a Moscovo e convidou todos os parceiros para quebrarem as suas relações políticas e comerciais com a Rússia. Estes últimos, embora tenham aprovado a iniciativa britânica, mantiveram-se prudentemente cautelosos. Rex Tillerson, secretário de Estado dos EUA, por sua parte, rejeitou claramente esta proposta tola e manteve a sua viagem a Moscovo. Com calma, Johnson declarou então que os europeus teriam mandado Tillerson à Rússia para este tentar incutir algum senso aos russos.

Enquanto o protocolo internacional prevê a recepção de um ministro pelo seu homólogo e não pelo chefe do governo local, a imprensa atlantista apresentou a hospitalidade de Tillerson por Lavrov como um esfriamento das relações russo-americanas. Antes que ele tivesse tempo para dar as boas vindas ao seu convidado, Sergey Lavrov foi interrompido por um jornalista de Washington, ocorrência que o levou a criticar o jornalista severamente. Recordando-lhe a educação, o ministro russo recusou responder-lhe e  abreviou as apresentações.

O encontro, em privado, durou mais de quatro horas, o que parece muito tempo para quem não tem nada a dizer. Em última análise, os dois homens pediram uma audiência com o presidente Putin, que os recebeu ao longo de duas horas adicionais.

Terminadas as reuniões, os dois deram uma conferência de imprensa. Muito sérios, asseguraram terem exclusivamente anotado as suas diferenças. Sergey Lavrov advertiu os jornalistas para o perigo que uma ruptura teria para o mundo.

No entanto, no dia seguinte, o mesmo Lavrov, falou à imprensa russa e disse que tinha chegado a um acordo com seu hospede. Washington comprometia-se a não atacar o exército árabe sírio e a tratar da coordenação militar entre o Pentágono e o exército russo para o tráfego aéreo restaurado no céu sírio.

Aparentemente, a administração Trump grita poder e bombardeia, mas na realidade, não quer cometer danos irreparáveis. O pior e o  melhor são então possíveis.

 

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This entry was posted on 27 de Abril de 2017 by in USA and tagged , , .

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