A Arte da Omissao

Porque é que Trump bombardeou Cheyrat?

Pourquoi Trump a-t-il bombardé Cheyrat ?

| Damasco (Síria) | 2 de Maio de 2017

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A quando do bombardeamento de Cheyrat, eu tinha observado que era apenas um encolher de ombros e que o secretário de Estado tinha usado este ataque para colocar pressão sobre seus aliados europeus e obrigar os verdadeiros organizadores desta guerra – o Reino Unido – a se revelar. No entanto, hoje sabemos um pouco mais.

O Presidente Trump, que tem de fazer face à oposição da classe dominante do seu país e ao seu “Estado Profundo”  (normalmente refere-se a uma rede de poderes civis e militares que controlam ou minam governos eleitos democraticamente- Ndt) e utilizou este ataque para “restaurar a credibilidade” (sic) da Casa Branca.

No verão de 2013, o Presidente Obama, acusou a Síria de ter utilizado gás em Ghouta e, assim, ter cruzado a “linha vermelha”. Mas, no entanto, não mencionou consequências e escondeu-se atrás do Congresso para nada fazer. A sua impotência foi ainda mais visível em virtude da declaração de guerra de 2003 (a “Lei de Responsabilidade Síria”), ele tinha todo o poder para bombardear a Síria sem qualquer autorização do Parlamento.

Trump ao acusar a Síria de ter usado gás venenoso, desta vez em Khan Cheikhoun, e de imediato a bombardear,  demonstrou a “credibilidade” que o seu antecessor não tinha. Consciente que Síria não foi culpada em Ghouta nem em Khan Cheikhoun, Trump conseguiu avisar o Exército Árabe da Síria com antecedência para que eles tivessem tempo de  evacuar a base.

Com isso, começou as negociações com o “estado profundo” norte americano, pelo menos com um dos seus porta-vozes, o senador John McCain. Um representante de Israel, o senador Lindsey Graham, também esteve presente nas discussões.

Os europeus, ficaram obviamente surpreendidos ao saberem que Donald Trump se tinha comportado como o “senhor da guerra”, ao afirmar o seu status como presidente de um Estado membro da ONU. Convém ter em mente o contexto específico dos EUA, onde o seu “Estado Profundo” é composto principalmente por militares e incidentalmente por alguns civis.

De acordo com informações que temos, parece que o presidente Trump concordou em renunciar – no momento – ao desmantelamento da NATO e da União Europeia. Esta decisão significa que Washington continua a considerar – ou a fingir que considera – que a Rússia é o seu principal inimigo. Por outro lado, o “estado profundo” norte americano, concordou em renunciar ao apoio dos jihadistas e a não continuar com o plano britânico da “primavera árabe”.

Para selar o acordo, duas figuras neoconservadoras devem entrar brevemente na administração  Trump para dirigirem a política europeia:

- Kurt Volker, Director do Instituto McCain,  será nomeado Director do Gabinete da Eurásia para o Secretário de Estado. Volker, ex-juiz militar, foi embaixador do presidente Bush Jr na NATO durante a guerra na Geórgia (Agosto de 2008).

- Tom Goffus, um dos assistentes de McCain no Comité do Senado para os Serviços Armados, será nomeado como assistente adjunto do Secretário de Defesa e encarregue pela Europa e NATO. Goffus é um oficial da Força Aérea que já ocupou esse tipo de função em nome de Hillary Clinton e do Conselho de Segurança Nacional.

Em relação à Síria, o acordo, se ratificado por ambas as partes, deve marcar o fim da guerra dos Estados Unidos contra a República Árabe da Síria; guerra que continuaria por iniciativa do Reino Unido e Israel, com os seus aliados (Alemanha, Arábia Saudita, França, Turquia, etc.). Gradualmente, os chamados “Amigos da Síria”, que reuniram 130 países e organizações internacionais em 2012 começam a encolher. Hoje, são apenas 10.

Thierry Meyssan
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This entry was posted on 3 de Maio de 2017 by in Europa, GEOPOLÍTICA MUNDIAL, ONU, Síria, USA and tagged , , , , .

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