A Arte da Omissao

Terror no UK: O que sabia a Primeira Ministra?

Nota do tradutor: links indicados dentro de « » e  realces desta cor, são da minha responsabilidade

Tradução artigo “TERROR IN BRITAIN: WHAT DID THE PRIME MINISTER KNOW?

de «John Pilger», 31 de Maio de 2017

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O que não foi referido na campanha das eleições gerais da Grã-Bretanha foi isto. As causas da atrocidade de Manchester, em que 22 pessoas, na sua maioria jovens, foram assassinadas por um jihadista, estão a ser  suprimidas para proteger os segredos da política externa britânica.

Perguntas críticas como – o porquê do serviço de segurança do MI5 ter mantido “activos” terroristas em Manchester e o porquê do governo não ter avisado o público da ameaça presente no meio dele – permanecem sem respostas, desviadas com a  promessa de uma “revisão” interna.

O suposto terrorista suicida, Salman Abedi, fazia parte de um grupo extremista, o grupo Libyan Islamic Fighting, (Grupo de Combate Islâmico da Líbia- Ndt), que prosperou em Manchester,  preparado e utilizado pelo « MI5 » há mais de 20 anos.

O LIFG (Libyan Islamic Fighting Group / Grupo de Combate Islâmico da Líbia – Ndt) é proscrito pela Grã-Bretanha como sendo uma organização terrorista,  que procura um “estado islâmico de linha dura” na Líbia e que “faz parte do movimento extremista islâmico global mais amplo, inspirado na Al-Qaida”.

A “prova irrefutável” é que, quando Theresa May era Secretária do Interior, os jihadistas do LIFG foram autorizados a viajar sem obstáculos por toda a Europa e encorajados a envolverem-se na “batalha”: primeiro na Líbia para remover Mu’ammar Gadaffi  e depois a juntarem-se aos grupos afiliados da al-Qaeda na Síria. (interessa só o imediato. projectar o futuro, é exercício que não é feito -Ndt).

No ano passado, o « FBI teria colocado Salman Abedi » numa “lista de vigilância terrorista” e alertou o MI5 que o seu grupo estava a procurar um “alvo político” na Grã-Bretanha. Porque não foi detido e a rede impedida de planear e executar a atrocidade de 22 de Maio de 2017?

Estas questões surgem devido « a um vazamento do FBI »  na sequência do ataque de 22 de Maio – assim, o pânico, a indignação peculiar de Londres  dirigida contra Washington  e as desculpas de Donald Trump.

A atrocidade de Manchester,  levanta de novo a rocha da política externa britânica, em revelar a sua aliança faustiana com o Islão extremista, especialmente com a seita conhecida como Wahhabismo ou salafismo, cujo guardião principal  e banqueiro, é o reino do petróleo da Arábia Saudita, o maior cliente de armas da Grã-Bretanha. Este casamento imperial remonta à Segunda Guerra Mundial e aos primeiros dias da Irmandade Muçulmana no Egipto. O objectivo da política britânica era parar o « pan-arabismo »: Estados árabes a desenvolverem um secularismo moderno, a afirmarem as suas independências do oeste imperial e a controlarem os seus recursos. A criação de Israel foi para  acelerar isto. O pan-arabismo desde então tem sido esmagado; o objectivo agora é a divisão e a conquista.

Em 2011, de acordo com a « Middle East Eye », o LIFG de Manchester (Libyan Islamic Fighting Group / Grupo de Combate Islâmico da Líbia – Ndt),  era conhecido como os “meninos de Manchester”. Implacavelmente opostos a Muammar Gaddafi, eram considerados de alto risco e um alguns deles estava sob controlo do governo britânico – em prisão domiciliária – quando  as manifestações anti Gadaffi eclodiram na Líbia, um país forjado por inúmeras inimizades tribais. De repente, as ordens de controle foram levantadas. “Eu fui autorizado a ir, sem perguntas”, disse um membro do LIFG. O MI5 devolveu os seus passaportes e a polícia antiterrorista no aeroporto de Heathrow, foi informada para os deixar embarcar nos seus voos.

A queda de Gaddafi, que controlava as maiores reservas de petróleo de África, era planeada há muito tempo em Washington e Londres. De acordo com a inteligência francesa, o LIFG realizou várias tentativas de assassinato de Gadaffi na década de 1990 – suportadas pela inteligência britânica. Em Março de 2011, a França, a Grã-Bretanha e os EUA, aproveitaram a oportunidade de uma “intervenção humanitária” e atacaram a Líbia. Eles foram acompanhados pela NATO sob a cobertura de uma resolução da ONU para “proteger civis”.

Em Setembro de 2016, um « inquérito da Comissão de Inquérito dos Assuntos Internacionais da Câmara dos Comuns »,  concluiu que o primeiro-ministro David Cameron levou o país à guerra contra Gaddafi, sob uma série de “pressupostos erróneos” e que o ataque “levou ao surgimento do Estado islâmico no Norte de África”. A Comissão dos Comuns citou o papel de Cameron na Líbia como um “show de merda”.

De facto, Obama foi um actor principal no “show de merda”, exortado pela sua secretária de Estado, Hillary Clinton, e uns média que acusavam Gaddafi de planear “genocídio” contra o seu próprio povo. “Nós sabíamos … que se esperássemos um dia mais”, disse Obama, “Benghazi, uma cidade do tamanho de Charlotte, poderia sofrer um massacre, que seria propagado por toda a região e manchado a consciência do mundo”.

A história do massacre foi fabricada por milícias salafistas que enfrentavam uma derrota contra as forças do governo da Líbia. Eles disseram à Reuters que iria haver “um verdadeiro banho de sangue, um massacre como vimos em Ruanda”. A Comissão dos Comuns disse: “A proposição de que Mu’ammar Gaddafi teria ordenado o massacre de civis em Benghazi não foi suportada por evidências disponíveis”.

A Grã-Bretanha, a França e os Estados Unidos destruíram efectivamente a Líbia, um Estado moderno. De acordo com os seus próprios registos, a Nato lançou 9.700 “ataques”, dos quais mais de um terço atingiram alvos civis. Eles incluíram bombas de fragmentação e mísseis com ogivas de urânio. O bombardeamento das cidades de Misurata e Sirte foram do tipo tapete (são tantas as bombas largadas em simultâneo que o destino fica totalmente destruído -Ndt). A Unicef, organização das crianças da ONU, reportou que uma grande proporção das crianças mortas “tinham menos de dez anos”.

Mais do que “dar origem” ao Estado islâmico – o ISIS já se tinha enraizado nas ruínas do Iraque após a invasão de Blair e Bush em 2003 – esses medievalistas tinham agora todo o Norte de África como base. O ataque também desencadeou uma debandada de refugiados que fugiram para a Europa.

Cameron foi celebrado em Tripoli como o “libertador”, ou imaginou que era. As multidões que torceram por ele, incluíam os fornecidos secretamente e treinados pelos SAS da Grã-Bretanha e inspirados pelo Estado islâmico, como os “meninos do Manchester”.

Para os americanos e britânicos, o verdadeiro crime de Gadaffi era a sua independência do culto às imagens e o seu plano de abandono do petrodólar, pilar do poder imperial americano. Com muita coragem, ele tinha planeado subscrever uma moeda africana comum, estabelecer um banco para toda a África e promover a união económica entre os países pobres mas com recursos preciosos. Acontecesse ou não, a própria ideia era intolerável para os EUA, enquanto se preparava para “entrar” em  África e subornar governos africanos com “parcerias” militares.

O ditador caído fugiu para salvar a sua vida. Um avião da Royal Air Force descobriu o seu comboio, e nos escombros de Sirte, ele foi sodomizado com uma faca por um fanático descrito nas notícias como “um rebelde”.

Tendo saqueado o arsenal da Líbia no valor de US $ 30 biliões, os “rebeldes” avançaram para o sul, aterrorizando cidades e aldeias. Atravessaram o Mali subsaariano, destruíram a frágil estabilidade do país. Os franceses sempre ansiosos, enviaram aviões e tropas para sua antiga colónia, “para lutar contra a Al-Qaeda”, ou a ameaça que eles tinham ajudado a criar.

A 14 de Outubro de 2011, o presidente Obama anunciou que estava a enviar tropas das forças especiais para o Uganda,  para se juntarem à guerra civil de lá. Nos meses seguintes, as tropas de combate dos EUA foram enviadas para o  Sudão do Sul, Congo e República Centro-Africana. Com a Líbia garantida, a invasão americana ao continente africano estava em andamento, grande parte dela não noticiada.

Em Londres, o governo britânico encenou uma das maiores feiras de armas do mundo. O isco nas bancadas era o “efeito da demonstração da Líbia”. A Câmara de Comércio e Indústria de Londres realizou uma apresentação intitulada « “Médio Oriente: um vasto mercado para as empresas de defesa e segurança do Reino Unido” ». O anfitrião foi o Royal Bank of Scotland, um importante investidor em bombas de fragmentação,  amplamente utilizadas contra alvos civis na Líbia. A propaganda elogiou as “oportunidades sem precedentes para as empresas britânicas de defesa e segurança”.

No mês passado, a primeira-ministra Theresa May esteve na Arábia Saudita, on de vendeu mais de £ 3 biliões de armas britânicas que os sauditas usam contra o Iémen. Com base em salas de controle em Riade, os conselheiros militares britânicos ajudam os bombardeamentos sauditas, que já mataram mais de 10 mil civis. Agora há sinais claros de fome. Uma criança iemenita morre a cada 10 minutos de uma doença evitável, diz a Unicef.

A atrocidade de Manchester de 22 de Maio foi o produto desses estados de violência implacáveis em lugares distantes, alguns deles  patrocinados por britânicos. As vidas e os nomes das vítimas quase nunca são conhecidas por nós.

Esta verdade luta em ser ouvida, assim como se esforçou para ser ouvida quando o metro de Londres foi bombardeado a 7 de Julho de 2005. Ocasionalmente, um membro do público iria quebrar o silêncio, como o londrino de leste que andava à frente de uma equipe de reportagem da CNN: “Iraque!” disse ele. “Nós invadimos o Iraque. O que esperávamos? Continuem.”

Numa grande reunião com a imprensa que eu assisti, muitos dos convidados importantes proferiram “Iraque” e “Blair” como uma espécie de catarse para o que eles não ousaram dizer profissionalmente e publicamente.

No entanto, antes de invadir o Iraque, Blair foi advertido pelo Comissão Conjunta de Inteligência de que “a ameaça da Al-Qaeda aumentará com o início de qualquer acção militar contra o Iraque … A ameaça mundial de outros grupos terroristas islâmicos e indivíduos aumentará significativamente “.

Assim como Blair trouxe para a Grã-Bretanha, a sua violência e a de  George W Bushe com o “show de merda”, David Cameron, apoiado por Theresa May, agravou o seu crime na Líbia e as suas terríveis consequências, incluindo aqueles que foram mortos e mutilados em Manchester Arena a 22 de Maio de 2017.

O retorno está de volta, não é de surpreender. Salman Abedi actuou sozinho. Ele era um criminoso mesquinho, não é mais. A extensa rede revelada na semana passada pelo « vazamento americano » desapareceu. Mas as perguntas não.

Porque é que Abedi conseguiu viajar livremente pela Europa para a Líbia e de volta para Manchester, apenas alguns dias antes de cometer o seu crime terrível? Foi Teresa May informada pelo MI5 que o FBI o tinha monitorizado, como parte de um planeamento de células islâmicas para atacar um “alvo político” na Grã-Bretanha?

Na actual campanha eleitoral, o líder trabalhista Jeremy Corbyn fez a referência a uma “guerra contra o terror que falhou”. Como ele sabe, nunca foi uma guerra contra o terror, mas uma guerra de conquista e subjugação. Palestina. Afeganistão. Iraque. Líbia. Síria. Diz-se que o Irão é o próximo. Mas antes, há outro Manchester, quem terá a coragem de dizer isso?

trabalho de 2 jornalistas e um escritor em 2011:

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This entry was posted on 4 de Junho de 2017 by in Afinal Quem é Terrorista?, Inglaterra, Líbia and tagged , , .

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