A Arte da Omissao

Síria: “O povo sírio percebe que a guerra contra a Síria não é sobre Assad”

Nota do tradutor: links indicados dentro de « » e  realces desta cor, são da minha responsabilidade

Tradução da entrevista da Global CIR a Eva Karene Bartlett

“O povo sírio percebe que a guerra contra a Síria não é sobre Assad

31 de Março de 2017

É uma honra entrevistar Eva Karene Bartlett, uma jornalista independente e activista de direitos humanos bem conhecida, com vasta experiência na Síria e Faixa de Gaza, onde viveu três anos  (do final de 2008 a início de 2013). Ela documentou os crimes de guerra israelitas de 2008/9 e 2012 e os ataques a Gaza enquanto viajava em ambulâncias e fazia relatos a partir de hospitais.

Desde Abril de 2014, Eva visitou a Síria 6 vezes, dois meses no verão de 2016 e uma vez no mês de Outubro / Novembro de 2016. Nas suas primeiras visitas,  entrevistou moradores da Cidade Velha de Homs, que acabava de ser protegida por militantes, e visitou à histórica Maalula depois da aldeia aramaica ter  sido libertada. Em Dezembro de 2015, Eva regressou  à velha Homs onde encontrou o regresso da vida, pequenas lojas abertas, em algumas das igrejas históricas danificadas celebrava-se novamente o culto, e os cidadãos a prepararem novamente  a celebração do Natal.

Na sua 5ª visita à Síria, em Junho-Agosto de 2016, foi duas vezes a Alepo, visitou Palmira, Massiafe, Jableh, Tartous e Barzeh no distrito de Damasco, e regressou novamente a Maalula e Lataquia.

Na sua 6ª visita à Síria, em Outubro e Novembro de 2016, visitou mais duas vezes Alepo, bem como algumas áreas ao redor de Damasco.

Os testemunhos que Eva reuniu em Alepo contrastaram com as narrativas que os media corporativos vinham a afirmar. Muitas das suas publicações sobre a Síria, vídeos e fotos podem ser encontrados em: https://ingaza.wordpress.com/syria/.

GLOBAL CIR: Você vem do Canadá, um país que em relação aos EUA é um símbolo de paz e um país regulamentado. O que a influenciou a começar com o activismo social e jornalismo independente na parte mais turbulenta e mais sangrenta do mundo, o Oriente Médio?

Eva Karene Bartlett, aldeia de Bil’in, Cisjordânia ocupada / Foto: Arquivo privado

Eva: Nos dias de hoje,  o Canadá é retratado como um país benevolente e pacífico, muitas poucas pessoas percebem  que: o Canadá apoiou a limpeza étnica dos palestinianos ao mesmo tempo que fazia vista grossa aos seus assassinatos; participou na guerra da NATO contra a Síria; vendeu armas ao regime tirano saudita (último negócio: US$ 11 biliões), incluindo canhões antitanque e veículos de combate com metralhadoras; e etnicamente abateu povos indígenas.

No que diz respeito ao papel do Canadá na guerra contra a Síria, inclui-se a imposição das sanções criminosas e paralisantes à Síria; o apoio e financiamento (milhões de dólares) à chamada ‘oposição‘ armada na Síria e aos seus propagandistas; o encerramento das embaixadas sírias no Canadá; a diabolização do governo e exército legítimos da Síria,  a legitimação do ilegítimo “Conselho Nacional Sírio”, apoiado pela Arábia Saudita.

Crescendo no Canadá, era completamente ignorante acerca da política mundial. Com vinte e poucos anos, comecei a tomar consciência de algumas das contínuas atrocidades básicas, como a colonização sionista da Palestina, e fui impelida a aprender mais em primeira mão. Fi-lo como activista solidária e voluntária na Palestina ocupada, onde durante um período de seis anos vi alguns dos piores crimes cometidos por soldados sionistas e colonos contra civis palestinianos, incluindo crianças.

Quando a guerra criminosa contra a Síria começou no início de 2011, eu vivia na Faixa de Gaza e  também não conhecia a Síria. No entanto, muito rapidamente comecei a desconfiar do que os media corporativos alegavam saber sobre o que estava a acontecer na Síria, comecei a pesquisar em fontes independentes, e em última análise ir para lá para ver por mim mesma.

Eu costumava pensar que a Palestina era uma das questões mais difíceis de se falar, com tanta distorção dos media e com o branqueamento a favor de Israel.

No entanto, agora acredito que saber-se a verdade sobre a Síria é uma das coisas mais difíceis de se fazer, como quase tudo no mundo ocidental, com os Estados do Golfo e todas os media corporativos a conspiraram para mentirem sobre os eventos na Síria e sobre a vontade do seu povo.

O Estado do Canada e os media corporativos são tão culpados da propaganda de guerra como os media americanos, britânicos e do Golfo. Os políticos e os media corporativos do Canadá têm sangue sírio nas mãos.

GLOBAL CIR: Em muitas ocasiões as suas reportagens foram feitas directamente da Faixa de Gaza ocupada e depois da Síria devastada pela guerra. Onde consegue a coragem para tais empreendimentos?

Eva: A verdadeira coragem reside no povo da Palestina e da Síria (e do Iémen, entre outros), que enfrentam um  inferno contínuo facilitado pelo ocidente, o qual a maioria das pessoas não conseguiria suportar. Em relação à coragem dos que vão às áreas que estão a ser devastadas pela NATO, sionistas e seus aliados do Golfo e Turquia, ela vem por necessidade: há muitos jornalistas covardes que mentem e propagandeiam para continuarem as suas carreiras,  e muito poucos escolhem fazer o que é certo e opor-se à injustiça.

Eva Karene Bartlett com uma equipa média palestiniana.: foto privada

Quanto às minhas próprias experiências, estar em áreas perigosas tornou-se normal após o que vivi durante oito meses em 2007 no terreno, nas áreas da Cisjordânia na Palestina ocupada, onde entre outros crimes, vi invasões e bloqueios a aldeias pelo exército israelita fortemente armado, brutalidade excessiva contra manifestantes desarmados e violência não controlada dos colonos judeus ilegais contra civis palestinianos.

Estive duas vezes presa lá, devido ao trabalho de solidariedade, e por fim fui  deportada pelos sionistas e banida da Palestina, em Novembro de 2008 entrei em Gaza de barco, atravessando águas palestinianas, fazendo parte de um movimento voluntário para pôr em foco o assédio severo em Gaza. E assim foi, fiquei por um período cumulativo de três anos, onde testemunhei e documentei dois grandes massacres dos sionistas ao povo de Gaza,  e as guerras diárias dos sionistas sobre agricultores, pescadores, negócios e todos os aspectos da vida em Gaza.

Ir para a Síria era algo que sentia necessidade de fazer – como qualquer pessoa deveria ser capaz de o fazer – para ver e ouvir directamente o que os sírios realmente têm a dizer sobre a falsa ‘revolução‘ e o inferno que têm vivido desde  o seu início em 2011. Tal como estar na Palestina sob bombas e ataques sionistas, estar na Síria sob ataques da NATO e seus terroristas aliados, não se pensa em medo e ganha-se a força das pessoas que desafiam esses ataques e que, de alguma forma, continuam com as suas belas tradições, vivem, casam, resistem aos cultos de morte sauditas, comemoram a vida, mesmo no meio da guerra.

GLOBAL CIR: durante o ano de 2012, você reportou e documentou histórias do Hospital Central em Gaza. O que testemunhou lá e pode uma pessoa continuar a funcionar normalmente, ir ao trabalho, rir …? Como é que isso influenciou a sua vida?

EVA: Em Novembro de 2012, Israel bombardeou pesadamente toda a Gaza por mais de uma semana. Naquela época, vivia no centro de Gaza e, como o meu instinto era documentar os crimes de guerra dos sionistas, fui para o hospital principal de lá, para documentar as vítimas e mártires.

Nessa altura, vivi a minha primeira experiência,  o massacre de Dezembro de 2008 / Janeiro de 2009. Eu era um dos cerca de oito activistas internacionais de solidariedade com sede em Gaza, e durante as semanas dos bombardeamentos selvagens, eu andava no terreno, nas ambulâncias de médicos palestinianos, em algumas das áreas mais atingidas, particularmente nos distritos a norte de Gaza. Uma das ambulâncias em que andava ficou sob intenso fogo de um franco-atirador enquanto se recuperava o cadáver de um civil palestiniano. Andar nas ambulâncias foi uma tentativa de desencorajar o exército israelita de atacar médicos, como é a sua a prática padrão.

Tal permitiu-me documentar em primeira mão algumas das vítimas dos crimes de guerra de Israel, incluindo o uso do fósforo branco em distritos residenciais,  para além dos tiroteios à queima roupa  (ver vídeos / imagens e mensagens em Dezembro e Janeiro). Após o massacre, dei seguimento com o registo de testemunhos de famílias cujos entes queridos, incluindo bebés e crianças pequenas, foram mortos à queima roupa por soldados israelitas, outros que foram assassinados ou mutilados com fósforo branco e outros ainda cujos entes queridos foram assassinados com bombas flechettes (Dart), como foi o caso de um médico amigo meu.

No momento do massacre de Novembro de 2012 eu tinha experimentado a rotina do exército israelita a disparar contra agricultores, enquanto os acompanhava nas suas terras, com balas a voarem a polegadas da minha cabeça e do corpo. Assim, o conceito do ‘perigo’ já tinha desaparecido, e, infelizmente, eu já me tinha acostumado à visão de feridos e mortos. No entanto, no último dia dos atentados em 2012, duas crianças foram levadas para o hospital; as suas histórias quebraram o meu coração: nas duas horas antes da implementação de um cessar-fogo, uma garota de 4 anos foi trazida e morreu na mesa da sala das urgências. Pouco depois, entrou um menino de 14 anos de idade, também já morto à chegada. O corpo do rapaz estava tão mutilado pelo ataque do drone que o vitimou, que eu chorei como já não o fazia desde 2009. Às vezes uma tragédia quebra a barreira emocional construída para lidar com tais crimes.

Eu acredito que os palestinianos continuam, apesar de tais perdas terríveis, porque não têm outra escolha. Alguns encontram conforto na religião. E durante os momentos mais difíceis, muitos dos que conheci, encontravam algo para rir nas situações absurdas e trágicas. Para mim, que me mantém no terreno e me inspira a fazer o que for possível para contribuir, para pôr fim ao sofrimento, é a coragem e resiliência dos palestinianos, ou dos iemenitas, ou dos sírios, de qualquer pessoa que viva tais circunstâncias injustas.

GLOBAL CIRComo comenta  o papel vergonhoso dos principais meios de comunicação e jornalistas que publicam meias verdades e às vezes até mentem sobre áreas do Médio Oriente?

EVA: Os media corporativos reportaram mentiras flagrantes e branquearam  os crimes dos imperialistas, sionistas e seus aliados (e especialmente dos seus mercenários terroristas) nas guerras no Iraque, Líbia, Iêmen, para citar apenas algumas. Esta é a natureza dos media corporativos: fazerem a licitação dos magnatas dos media e censurarem qualquer jornalista que fale com sinceridade sobre questões críticas. O mesmo pode ser dito dos media estatais com interesses em derrubar os governos dos países mencionados.

Tem havido alguns jornalistas que evidenciaram honestidade e integridade nas suas reportagens, e outros que se demitiram como por exemplo da Al Jazeera, por causa da sua censura ou viés na sua propaganda de guerra contra a Síria. No entanto, muitos jornalistas brincam vergonhosamente, quer para promoverem as suas carreiras, para ganharem dinheiro, ou, em alguns casos, com medo de perderem  as suas posições.

Em múltiplas ocasiões, vi tais jornalistas na Síria, inclusive da BBC, CBC, Channel 4 News, New York Times e outros. Nós vemos o mesmo evento, mas eles o declaram falsamente ou o distorcem a tal ponto (acabando por culpar o governo ou exército sírio) para deixarem os leitores confusos. Muitos desses jornalistas também animaram a destruição da Líbia e a ocupação e a guerra no Iraque. São jornalistas e oportunistas sem vergonha.

Os (não-sírios) que têm dito a verdade são em grande parte jornalistas independentes, escritores e blogueiros que não estão nisto por dinheiro e que não precisam de responder a censuras dos editores nem temem ser demitidos. Ao fazê-lo, corroboram as verdades que os jornalistas e civis sírios têm dito há anos. Por causa disso, os media corporativos tentam duplicar esses relatórios como sendo “notícias falsas” e envolvem-se em campanhas de difamação de carácter contra alguns.

Realisticamente, os media corporativos estão a perder  seguidores e status e, cada vez mais, a secção dos comentários nos artigos on-line reflecte isto: o público em geral está mais informado e a sua capacidade de detectar mentiras e propaganda de guerra está mais forte, no que diz respeito aos media corporativos.

fotografia de Eva Karene Bartlett em  Palmira: arquivo privado

GLOBAL CIR: Muitas vezes, quando as reportagens dos media sobre a Síria usam as fontes da “oposição” das redes sociais e canais do YouTube. São essas fontes realmente confiáveis?

EVA: Os medias ou as fontes das ONGs mais citadas pelos media corporativos tendem a ser financiados pelo Ocidente e, na Síria, estão a reportar apenas de áreas ocupadas pela Al-Qaeda e terroristas afiliados. Esses factos prejudicam as suas credibilidades.

Alguns desses exemplos incluem o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (administrado por um homem pró-oposição sediado no Reino Unido, ausente por muito tempo da Síria e financiado por nações ocidentais que lutam contra a Síria); o Aleppo Media Center (AMC), também financiado pelo Ocidente e que reporta apenas de áreas ocupadas por terroristas da al-Nusra, Ahrar al-Sham e afiliados.

Exemplos de fontes comprometidas que não são dos media nem de organizações, incluem uma variedade de “activistas” e “cidadãos jornalistas” incorporados na al-Qaeda, muitos dos quais com ligações a terroristas ou seus defensores, nenhum dos quais é credível, equilibrado ou imparcial.

Por exemplo, querem que acreditemos como credíveis as fotografias do fotógrafo Mahmoud Raslan, o fotógrafo  da foto de oportunidade quase inegável em 2016, do “menino na ambulância”, Omran Daqneesh.

Raslan emitiu para Daqneesh:

“As lágrimas começaram a cair enquanto eu tirava a foto. Não é a primeira vez que chorei. Eu chorei muitas vezes enquanto filmava crianças traumatizadas. Eu sempre choro. Nós, fotógrafos de guerra, sempre choramos. … Espero que todas as fotos de crianças e ataques na Síria sejam virais para que o mundo saiba como é a vida aqui

Raslan pode ser encontrado numa selfie com alguns dos terroristas da Nour al-Din al-Zenki, que em meados de 2016,  serraram a cabeça de um jovem menino palestiniano, Abdullah Issa.

Aliás, o logótipo da AMC pode ser encontrado nas metragens questionáveis do jovem Omran Daqneesh, implicando a AMC na propaganda de guerra.

Outras fontes que muitos dos meios de comunicação corporativos usaram,  incluem os exemplos de Bana al-Abed, garota de 7 anos, incapaz de falar em inglês, mas citada como uma fonte de twitter (anteriormente) para Aleppo, e um ex comediante americano que virou apoiante jihadista, Bilal Abdul Kareem, que incita abertamente a jihad na Síria e reporta unicamente a partir de áreas da Síria que estão na mão al-Qaeda e de facções terroristas afiliadas.

Mais notoriamente, dizem-nos para acreditar nos altamente duvidosos “Capacetes Brancos”, grupo claramente parcial, por vezes, “socorristas” de jihadistas, obscenamente financiado pelo Ocidente, opera apenas nas áreas da Al Qaeda  para esses terroristas e seus afiliados. Enquanto algumas pessoas caíram nas suas cenas transparentes falsas, muitas outras do público em geral estão acordadas com o fato de que esses supostos “socorristas” são a frente PR de Washington e de financiadores de Londres (entre outros) com interesse em desestabilizar a Síria e derrubar o presidente.

GLOBAL CIRcomo comenta o facto de muitos jornalistas que usam essas fontes, e então, com base nelas, apresentam a verdade sobre a Síria, embora nunca tenham lá estado, e pessoalmente atacam-na e questionam o seu trabalho, embora você reporte com base na sua experiência em primeira mão e testemunhos directamente do terreno?

EVA: Para alguns jornalistas, isto pode ser a dissonância cognitiva e a ignorância: eles têm sofrido lavagens cerebrais  para pensarem e “reportarem” de uma certa maneira, por isso citar fontes aprovadas por grandes actores dos medias corporativos é natural para eles … mas questionar a legitimidade, credibilidade e as afiliações dessas fontes não é natural.

Outros jornalistas estão bem conscientes de que as suas fontes são parciais e apoiam a narrativa do Ocidente, mas ou optam por colocar a sua carreira em primeiro lugar e ignorar intencionalmente a verdade – à custa de vidas sírias – ou não têm a integridade moral para questionar abertamente essas fontes.

Aliás, não são apenas os jornalistas que citam fontes duvidosas e difamam aqueles que realmente visitam a Síria e falam com os sírios no terreno, mas também os chamados de “académicos” e líderes de grupos de direitos humanos. Nestes casos, acredito firmemente que eles estão bem conscientes da informação falsa das principais fontes dos media corporativos na Síria, mas estão profundamente enraizados no mesmo sistema imperialista que está a travar a guerra contra a Síria. Assim, optam por difamar aqueles que falam honestamente em favor do seu salário ou posição académica.

Eva Karene Bartlett, Síria/foto: arquivo privado

GLOBAL CIR: com base nas suas visitas à Síria, onde testemunhou o sofrimento e a destruição causados pela guerra, pode dizer-nos como os sírios vêem a guerra, quais são as suas posições sobre o presidente Bashar al-Assad e o exército sírio, e para eles qual é a causa principal da crise síria?

EVA: Em geral, encontrei sírios conscientes de que o que os media ocidentais descreveram como “revolução” ou “rebeldes” ou mesmo “moderados” são farsas, uma criação do Ocidente e seus aliados. Eu aposto que não há nenhuma família que não tenha sido tocada pela guerra contra a Síria, seja pela perda de familiares devido a actos terroristas, ou na luta contra o terrorismo, e também pelas sanções ocidentais pouco ou nada discutidas nos meios de comunicação, mas que prejudicaram a economia destruída pela guerra.

Em Homs, conheci sírios que sofreram a ocupação por militantes do exército sírio livre e pela al-Nusra, os quais roubaram alimentos a civis que permaneceram na Cidade Velha, assassinaram o padre holandês  Frans van der Lugt por este não ter cedido às exigências dos terroristas. Os civis que conheci rejeitaram a noção da “revolução” e louvaram o exército sírio por proteger a cidade. O mesmo aconteceu em Maaloula, que visitei imediatamente após a libertação e um ano e meio depois, onde testemunhei os que sofreram brutalmente nas mãos dos supostos “moderados” do Ocidente.

Em Aleppo, uma mulher parou-me no exterior das residências da Universidade de Aleppo para me dizer que não seria expulsa da cidade e do país, que os estrangeiros tentam fazer exactamente isso, que ela resiste em ficar e sustenta o exército sítio. Ouvi por toda toda a Síria esses sentimentos.

Sim, há muitos que em 2011 apoiaram a ideia dos protestos “não-violentos” para mudanças políticas, mas muitos dos que entrevistei, disseram que embora os tenham inicialmente apoiado, rapidamente perceberam que o que estava a acorrer no início de 2011 não era um ‘Revolução’, estava a matar pessoas e a destruir as infra-estruturas. Não podemos esquecer o papel de Israel no apoio aos terroristas – fornecendo-lhes cuidados em hospitais israelitas,  – e em numerosas ocasiões com bombardeamentos à Síria.

A esmagadora maioria dos sírios apoia o presidente Assad, até pesquisas ocidentais o reconhecem. Eu vi exibições de apoio em massa, de respeito e carinho para ele. Passada uma semana depois das eleições de 2014, cidadãos de Homs ainda comemoravam os resultados das eleições.
Os povos sírios percebem que a guerra contra a Síria não é sobre Assad, tratam-se de forças externas que controlam o país e os seus recursos, quebram o Eixo da Resistência para imporem um governo de marionetas que seria favorável aos interesses ocidentais – mas o qual certamente não garante um mínimo de liberdade e direitos que os sírios desfrutavam antes de 2011. Com essa nota, quase todos os sírios que eu encontrei nas  viagens à Síria e também ao vizinho Líbano, disseram-me que desejariam que a Síria pudesse retornar ao tempo antes de 2011, quando era seguro, desenvolvido e livre de terroristas, que o Ocidente continua a apelidar de “rebeldes” e “moderados”.

GLOBAL CIR: como comenta o que para nós, é uma vontade inexplicável dos palestinianos e sírios de sobreviverem nas suas terras, para lutarem, para nunca desistirem apesar de todos os infortúnios que enfrentam?

EVA: Esse tipo de resiliência estóica reflecte a força das pessoas que defendem as suas terras e lutam pelas suas existências. A limpeza étnica na Palestina, a guerra aberta e suja na Síria e o massacre selvagem saudita aos iemenitas,  podem ter infligido inumeráveis mortes e destruição, mas os criminosos – sionistas, imperialistas, sauditas, turcos e aliados – não quebraram a espírito e vontade de resistência. As suas causas são justas, eles não têm outra escolha senão lutar pelas suas existências.  Os seus atacantes não têm coragem nem valores morais e acabarão por falhar.


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This entry was posted on 28 de Junho de 2017 by in desinformação e mentiras, Síria and tagged , .

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