A Arte da Omissao

ACORDEM

EU: A União Europeia ataca a liberdade de escolha

Links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo L’Union européenne s’attaque à la liberté de choix

de Thierry Meyssan

Antigamente, as coisas eram mais simples: eram organizadas eleições para se conhecer a vontade dos cidadãos e o resultado era aplicado. Gerações lutaram para obter esse direito de expressão. Hoje em dia, as coisas são muito diferentes com a União Europeia: a eleição não deve implicar um risco e, se o fizer, a consulta é proibida. Agora uma eleição não é mais do que uma forma de dar a impressão de que as decisões que Bruxelas fez foram as decisões dos  cidadãos.

| Damasco (Síria) | 2 de Outubro de 2017

JPEG - 28.3 kb

Muitos políticos são hipócritas, quando fazem declarações públicas numa direcção e agem na escuridão na direcção contrária. Esta duplicidade pode ser legítima e habilidosa em situações de conflito, se esses actores políticos defenderem interesses ou princípios específicos. No entanto, torna-se intolerável quando esses actores não mudam  só as posturas, mas também a substância. 

Ao longo de  trinta anos, a União Europeia passou de uma instituição previsível  a uma burocracia que defende  interesses variados e obscuros. Por três anos, tem pisado firmemente os ideais que proclama. Aqui estão cinco exemplos:

Em 2005, os franceses e holandeses votaram contra o tratado que estabelece uma Constituição para a Europa.

A União Europeia parou os referendos planeados na Dinamarca, Irlanda, Polónia, Portugal, República Checa e Reino Unido. Então, em 2007, alterou alguns elementos puramente formais desse tratado e impôs a sua adopção pelo Conselho Europeu sob o nome de Tratado de Lisboa.

Na Irlanda, a sua constituição exigia que fosse organizado um referendo, no qual o povo rejeitou o Tratado. A Comissão Europeia declarou que o texto tinha sido mal interpretado e, sem qualquer alteração ao texto, os irlandeses em 2008 repetiram o referendo.  Desta vez, o povo aprovou-o.

Em 2014, um país da Europa Oriental foi vítima de um golpe de Estado que levou ao poder nazis assumidos. Várias regiões deste país ergueram-se para restabelecer a legitimidade constitucional. Uma delas organizou um referendo para determinar se rompia com o Estado em que o poder foi centralizado e tornar-se parte de outro Estado Federal Democrático, do qual já tinha sido membro no passado.

A União Europeia optou por apoiar o golpe de Estado e o novo governo, incluindo os nazis. No entanto, denunciou a natureza inconstitucional do referendo e tomou medidas de retaliação económica contra o Estado que tinha aceite a integração dessa região rebelde. Ao fazê-lo, a União Europeia apoiou publicamente os nazis assumidos, baseou-se numa legalidade que o golpe de Estado anulou, colocou essa legalidade diante da legitimidade dos novos governantes e declarou uma guerra económica a um Estado que não concordou com ela.

Três meses depois, em Junho de 2014, a União Europeia proibiu a realização de eleições presidenciais nos consulados de um país estrangeiro.  Este acto da UE constitui uma violação flagrante da Convenção de Viena.

A UE considerou que o provável vencedor desta eleição não deveria presidir este país e, portanto, antecipadamente recusou reconhecer a votação. No entanto, as eleições prosseguiram nesse país e em todos os seus consulados localizados fora da União.

Quando os resultados foram anunciados, todas as embaixadas estrangeiras presentes no país – incluindo as dos Estados Membros da UE – asseguraram que a eleição tinha sido realizada de forma justa e sincera. Mas a União Europeia manteve a sua posição e recusou reconhece-la.

• Três anos depois, em Setembro de 2017, um clã que exerce o poder, sem um mandato eleitoral, numa região do Médio Oriente e em campos petrolíferos vizinhos que ilegalmente ocupa,  organizou unilateralmente um referendo para a independência. Não sem antes ter expulso os habitantes das áreas que havia conquistado.

A União Europeia considerou que a instabilidade nessa parte do mundo impossibilitava a realização de eleições presidenciais, mas que era possível organizar um referendo para a independência. Declarou ainda que o referendo era legítimo, mas que o momento não era apropriado.

 

Alguns dias depois, no coração da própria União, um governo regional organizou unilateralmente um referendo para a  independência, de forma a não ter que  compartilhar com o resto do país, a riqueza que desfruta.

A União Europeia, que subsidiou em grande parte as associações independentes, não queria pronunciar-se sobre este referendo. Para a UE, este referendo  – em contraste com a  Justiça na Polónia e Hungria – é uma questão interna de um Estado membro.

E quando o governo deste Estado usou a força,  violando a sua própria constituição,  para evitar que o referendo fosse realizado (também anti-constitucional), a UE não reagiu a essa conduta.

Colocando à parte os nossos sentimentos pessoais com os franceses e holandeses, irlandeses, ucranianos da Crimeia, sírios, iraquianos curdos e espanhóis da Catalunha, em nenhum desses casos a União Europeia procurou conhecer e respeitar a escolha dos cidadãos. E não mostrou um comportamento lógico sobre a questão de fundo.

Thierry Meyssan

2 comments on “EU: A União Europeia ataca a liberdade de escolha

  1. voza0db
    11 de Outubro de 2017

    O bacano esqueceu-se do Kosovo e da Escócia!

    De resto QUEM CONTINUA A SUSTENTAR SALAFRÁRIOS VIA VOTO… SÓ TEM O QUE MERECE!

    Gostar

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

This entry was posted on 11 de Outubro de 2017 by in União Europeia and tagged , .

Navegação

Categorias

Follow A Arte da Omissao on WordPress.com
%d bloggers like this: