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Brasil: cresce a raiva sobre escândalos e corrupção

Brasil: Ascensão da direita, à medida que raiva cresce sobre o escândalo e a corrupção

O partido dos trabalhadores de esquerda desfrutou 13 anos no topo – mas a recessão, o crime e o desencanto generalizado levaram muitos brasileiros a virarem para a direita.

Fernando Holiday é um dos poucos políticos homossexuais negros assumidos no Brasil, que antes de ganhar um só voto, alcançou a fama nacional em 2015, com uma série de vídeos virais em que atacou o sistema de acções afirmativas para negros, indígenas e pobres.

Nós, negros e pobres, podemos ganhar na vida pelo mérito”, disse ele num vídeo no Facebook. “Eu não me faço de vítima“.

Nesse ano, Holiday tornou-se na figura líder no «Movimento Brasil Livre»  – um grupo instrumental de pressão da direita nas manifestações de rua contra a corrupção revelada pela Operação Car Wash, uma investigação sobre um esquema de corrupção de vários biliões de dólares na Petrobras, companhia de petróleo estatal. Os manifestantes exigiram o impeachment da então presidente Dilma Rousseff, a qual foi eventualmente destituída em Agosto de 2016 por transgressão das leis orçamentais. Dois meses depois, Holiday foi eleito vereador da cidade de São Paulo pelo partido conservador dos democratas, um dos oito representantes municipais ligados ao Movimento do Brasil Livre.

Grupos como estes estão agora a forçar uma mudança radical nas políticas de um país administrado por 13 anos pelo Partido dos trabalhadores de esquerda, fundado pelo antecessor de Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva.

Os eleitores indecisos votaram na direita“, disse Marcus Melo, professor de ciência política na Universidade Federal de Pernambuco.

A economia brasileira luta para escapar à recessão. Há 14 milhões de pessoas desempregadas. O crime violento aumenta, enquanto os escândalos de corrupção que mancharam o partido de Rousseff desde então, complicaram a administração do seu sucessor, Michel Temer. E os brasileiros desiludidos procuram cada vez mais por liberais de mercados livres, cristãos evangélicos e populistas de direita.

Nas mesmas eleições municipais que colocaram Holiday como vereador, João Doria, empresário conservador e ex-apresentador da versão brasileira do The Apprentice, ganhou uma vitória sem precedentes na primeira ronda, na qualidade de prefeito de São Paulo, a maior cidade da América do Sul e, Marcelo Crivella, bispo evangélico fundamentalista, foi eleito prefeito do Rio de Janeiro.

No cenário nacional, Jair Bolsonaro, ex-capitão do exército e deputado federal, está actualmente em segundo lugar em algumas sondagens para as eleições presidenciais de 2018. Ele tem uma plataforma agressiva da direita e anti-crime, defende pontos de vista homofóbicos e elogiou a ditadura militar que decorreu no Brasil de 1964 a 1985, a qual executou centenas dos  seus oponentes e torturou brutalmente milhares de pessoas, incluindo Rousseff, uma ex-guerrilha marxista. Bolsonaro, que promete, se eleito, nomear generais para seu gabinete, é saudado por multidões nos aeroportos e comício, que entoam o seu nome e ostentam que ele nunca esteve vinculado a alegações de corrupção – ao contrário de muitos dos seus colegas legisladores.

Homens não identificados a deter um aluno durante um protesto em São Paulo, Brasil, em 9 de Outubro de 1968. Fotografia: Agência Estado / AP

Os seus partidários dizem que se sentiram legitimados pelos protestos pro impeachment. Antes, “era inadmissível que você se posicionasse como da direita no Brasil – era basicamente uma palavra de juramento”, disse Douglas Garcia, 23, um dos organizadores do movimento Direita São Paulo, um grupo pró Bolsonaro com 185 mil seguidores na seu página do Facebook.

O Movimento do Brasil Livre começou a partir de uma “ansiedade para criar uma linguagem simples e disseminar e transformar o liberalismo económico e político, numa força política relevante no Brasil”, disse Kim Kataguiri, 21 anos, outro dos seus jovens líderes e que planeia concorrer ao Congresso nas eleições do próximo ano.

Kim disse ainda que alguns coordenadores do Movimento do Brasil Livre receberam formação dos «Students for Liberty», uma rede que defende do mercado livre, e  que faz parte do «Atlas Network», organização americana sem fins lucrativos (??? – Ndt) que divulga ideais sobre mercado livre. Students for LibertyAtlas Network receberam financiamento de Charles Koch, que com seu irmão David, controla a Koch Industriesa gigante norte-americana da energia, combustíveis fósseis e petroquímicos. (está tudo dito ver aqui!-Ndt)

Fabio Ostermann, cientista político independente, de Porto Alegre, no sul do Brasil, ajudou a fundar o Movimento do Brasil Livre e  foi também membro do ramo brasileiro dos «Students for Liberty». Participou também durante três meses num curso de verão organizado por Koch no Institute for Humane Studies em Virgínia por três meses.

“Eles fornecem formação básica, uma introdução sobre como organizar «thinktank», como publicitar ideias liberais”. Foi a educação do «primeiro mundo» que me deu uma capacidade analítica para além da realidade brasileira”.

Ostermann, assim como Charles Koch,  minimizam os riscos das mudanças climáticas. Ele deixou o Movimento do Brasil Livre porque, segundo ele, apoia o governo de Temer, que ele considera corrupto. No entanto, concorda com eles num ponto chave: nem apoiar o retorno de uma ditadura militar.

Mas outros da direita brasileira também o fazem. A cada segunda-feira à noite, um grupo de cerca de 40 encontra-se num salão ornamentado iluminado por um  lustre no Clube Nacional de São Paulo.

“[Quando] há ladrões no Estado, tem de se ligar para a polícia. Quem é a polícia do povo? É o exército”, disse Antônio Paiva, 68 anos, advogado e produtor rural, antes do início da reunião. Disse que uma junta de dois civis e um oficial militar devem assumir o Brasil por dois anos e gradualmente reintroduzir a democracia, começando pelas eleições municipais.

Depois, os participantes comem o bolo para comemorar o aniversário de Paiva. Edna Leite, 61 anos, funcionária na educação pública, disse que a amnistia de 1979 que precedeu o retorno do Brasil à democracia, permitiu que muitos líderes esquerdistas voltassem à sociedade – como Rousseff.

“Você não pode recuperar essas pessoas para a sociedade”, disse ela. “Elimine-os”

Aqueles que pedem abertamente um retorno à ditadura militar são uma minoria, mas parece que estão a crescer.

O apoio à democracia caiu de 54% em 2015 para 32% em 2016, de acordo com o Latin Barometer.

Segundo Enio Mainardi – 82 anos e magnata publicitário aposentado cuja página do Facebook com cerca de 20 mil seguidores, é  usada para divulgar pontos de vista da direita e repreender a esquerda brasileira, – o apoio para  o retorno à ditadura militar manifesta-se cada vez mais na sociedade brasileira. Disse ainda que quando jovem,  opôs-se à ditadura militar do Brasil , mas agora está a mudar  de ideia.

“Eu não tinha ideia, não estava claro, que o regime militar estava certo”, disse ele.

Diogo, filho de Enio, é um dos fundadores do The Antagonist, um influente site de notícias da direita que apoia a Operação CarWash e Sergio Moro, e ataca o Partido dos Trabalhadores.

Os apoiantes de Lula e Rousseff dizem que os ricos detestam o Partido dos Trabalhadores porque fez mais para ajudar os pobres do Brasil do que qualquer outro, mas Mainardi disse que o partido foi corrompido pelo poder.

“Se ler o que as pessoas razoáveis dizem no Facebook, você verá ódio”, disse Mainardi. Sua esposa aposentada, Teresa Mainardi, de 64 anos, disse que apoiou a intervenção militar para controlar a vasta população do Brasil.

Ambos votarão em Jair Bolsonaro na eleição de 2018  que actualmente lidera as sondagens. Mas no início deste mês, Lula foi condenado a quase 10 anos de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro, o que poderá torná-lo inelegível.

Provavelmente, nenhum dos candidatos de direita  será uma boa notícia para a Amazónia, onde a desflorestação aumentou 29% no ano passado.

Bolsonaro, numa entrevista que deu em Abril ao jornal brasileiro Estado de S. Paulo, disse que o Brasil deveria limpar mais terras florestais para produzir alimentos para a população mundial crescente.

Ambientalistas, disse ele, “espero que não me torne presidente”.

fonte

artigos relacionados: Confissões de John Perkins – Brasil: Esqueletos no armário

 

 

 

One comment on “Brasil: cresce a raiva sobre escândalos e corrupção

  1. voza0db
    29 de Outubro de 2017

    FOSSA BRASILIS já era faz TEMPO!

    Gostar

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This entry was posted on 29 de Outubro de 2017 by in Brasil, corrupção, Irmãos Koch, USA and tagged , , .

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