A Arte da Omissao

ACORDEM

O plano para uma Nova Ordem Mundial tropeça em realidades geopolíticas – Parte 2

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigoThe plan for a New World Order stumbles on geopolitical realities

de Imad Fawzi Shueibi (1)

Durante quatro séculos líderes políticos têm tentado criar uma ordem internacional que governe as relações entre as Nações e impeça as guerras. Embora o princípio da soberania de Estado tenha produzido alguns resultados, as organizações intergovernamentais reflectiram algum equilíbrio do poder vigente. Quanto à ambiciosa nova ordem mundial dos EUA ela está a ser devastada por novas realidades geopolíticas.

| Damasco (Síria)

Conselho de segurança das Nações Unidas

Esta organização, que afirmou ser mundial, era na prática apenas a expressão do desejo de dominação dos poderes vitoriosos em detrimento dos povos do mundo, cuja vontade não era tomada em consideração.

Esta realidade geopolítica foi confirmada após a criação do Conselho de Segurança, constituído por cinco grandes potências (os vencedores) como membros permanentes e outros não permanentes mas eleitos com base geográfica, o que resultou na sub-representação da África e Ásia.

A falha deste sistema surge durante a Guerra Fria. O conflito entre as duas superpotências foi imposto a pequenas nações que apoiaram todas as consequências a níveis local e regional.

Esta estruturação de papéis foi evidente no funcionamento da ONU, seja no que diz respeito a pedidos de adesão como ao tratamento dos conflitos, como observado em relação à Palestina, Coreia, a nacionalização do petróleo iraniano, a crise do Canal de Suez, a ocupação israelita, Líbano, etc.

A ONU foi criada com a proclamação da “fé nos direitos humanos fundamentais, na dignidade e valor da pessoa humana, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres e das nações grandes e pequenas, para criar as condições necessárias sob as quais a justiça e o respeito pelas obrigações decorrentes dos tratados e outras fontes do direito internacional”. No entanto, o sistema de veto privou outras nações do direito de se envolverem igualmente.

Em última análise, as instituições internacionais sempre mostraram o equilíbrio de poder longe de qualquer ideia de justiça nos sentidos filosóficos ou morais.

O Conselho de Segurança é um directório global (a continuação do instalado por Metternich). Ele reserva a capacidade de impor resoluções apenas pelos vencedores aliados da Segunda Guerra Mundial e não por aqueles que procuram a paz.

Após a dissolução da União Soviética foi crucial mudar o sistema internacional.

A remodelação das relações internacionais pelos EUA

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Leo Strauss (1899-1973)

É nesse momento que os discípulos de Leo Strauss triunfaram nos EUA com a ajuda de jornalistas neoconservadores. Na opinião deles, a sociedade é dividida em três castas: os sábios, os senhores e as pessoas. Os sábios sozinhos possuem a verdade e revelam apenas parte dela a alguns políticos (os senhores), enquanto as pessoas devem submeter-se às suas decisões.

Eles continuaram a promover as suas ideias e a exigirem a anulação dos princípios do Tratado de Vestefália, nomeadamente o respeito pela soberania do Estado e a não interferência nos assuntos internos. Para imporem a hegemonia ocidental invocaram o “direito da intervenção humanitária” e a “responsabilidade de proteger“, direitos dos sábios, executados pelos senhores e impostos às pessoas.

Melhorando a linguagem da Segunda Guerra Mundial, os discípulos de Leo Strauss também pedem a substituição da “resistência” por negociação.

Em 1999, os apelos dos neoconservadores foram transmitidos a vários países ocidentais, incluindo o Reino Unido e França. Tony Blair apresentou o ataque ao Kosovo pela NATO como a primeira guerra humanitária na história. Num discurso em Chicago argumentou que o Reino Unido não procurou defender o seu próprio interesse  mas promover valores universais. A sua declaração foi saudada tanto por Henry Kissinger como por Javier Solana (que era na altura o secretário geral da NATO e ainda não da UE). Logo após, a ONU nomeou Bernard Kouchner como administrador do Kosovo.

 

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Tony Blair expõe a  sua doutrina (Chicago, 22 de Abril de 1999)

Não existe uma diferença significativa entre a teoria dos straussianos e a dos nazis. Em Mein Kampf, Adolph Hitler já estigmatizava o princípio da soberania do Estado declarada pelo Tratado de Vestefália.

Em termos económicos, essa visão já triunfou com o FMI, Banco Mundial e a World Trade Organization WTO (Organização Mundial do Comércio – Ndt). Estas instituições desde as suas criações têm procurado interferir nas políticas económicas, orçamentais e financeiras dos Estados, em especial nos mais pobres e vulneráveis. Alguns Estados árabes foram vítimas dos seus conselhos acerca da liberalização económica, privatização do sector público e venda de recursos naturais.

Washington hesitou sobre o que fazer depois do desaparecimento da URSS. Gradualmente OS Estados Unidos estabeleceram-se como a única superpotência, como a “hiperpotência” nas palavras de Hubert Vedrine. Posteriormente, o sistema da ONU herdado da Segunda Guerra Mundial foi considerado como passado pelos EUA. Não contente em ignorar a ONU, deixaram de cumprir com as suas obrigações financeiras, não ratificaram o «Protocolo de Quioto», recusaram juntar-se ao Tribunal Penal Internacional e humilharam várias vezes a Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura – Ndt).

Os conceitos da Segunda Guerra Mundial foram varridos pelos ataques de 11 de Setembro de 2001. A Estratégia para a Segurança Nacional dos Estados Unidos da América emitida pelo presidente George W. Bush a 20 de Setembro de 2002 proclamou uma nova lei: “acção preventiva contra os Estados mal-intencionados“. (só mesmo com esta operação de falsa bandeira é que conseguiram chegar ao ponto tão ambicionado, serem a “hiperpotência”, mas das matanças – Ndt)

A estratégia dos EUA foi acompanhada por uma agitação conceitual.

  • A noção de resistência após a resistência francesa à ocupação nazista, foi deslegitimada a favor da exigência da resolução de conflitos através da negociação, independentemente dos direitos inalienáveis das partes. Da mesma forma, o conceito de terrorismo – nunca definido no direito internacional – foi usado para deslegitimar qualquer grupo armado em conflito com um Estado, independentemente das causas desse conflito.
  • Washington ao revogar as leis da guerra reviveu os dias dos “assassinatos direccionados” abandonados após a guerra do Vietname e praticados por Israel há mais de uma década. De acordo com seus advogados, estes não são “assassinatos” mas “assassinatos em defesa própria”, embora não seja necessário proteger-se, nem qualquer relação entre a ameaça e a reacção, nem a proporcionalidade na resposta.
  • A intervenção humanitária ou a responsabilidade de proteger foi colocada acima da soberania dos Estados. (esta tradução está a ser feita em 2018, o que dá uma perspectiva fabulosa sobre os anos seguintes a 2012, as guerras de mudanças de regimes que levaram a cabo sob essas falsas bandeiras – Ndt)
  • Por fim surgiu a noção de Estados mal-intencionados.

 

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Bernard Lewis (1916 -)

Esses Estados são definidos por quatro critérios que estão em grande parte dentro do domínio da especulação e da presunção de culpa:

  • Os seus líderes oprimem seu povo e saqueiam seus pertences.
  • Não respeitam o direito internacional e constituem uma ameaça permanente para os seus vizinhos.
  • Suportam o terrorismo
  • Odeiam os Estados Unidos e os seus princípios democráticos

Uma década após o desaparecimento da URSS, os EUA lançaram sua remodelação das relações internacionais. No que diz respeito ao Oriente Médio, o filósofo neoconservador Bernard Lewis e seu discípulo Fouad Ajami estabeleceram os principais objectivos: pôr fim ao nacionalismo árabe com o ataque aos regimes tiranos que cimentaram os seus mosaicos tribais, sectários e religiosos.

A destruição e o desmembramento dos Estados nesta região levaria ao “caos construtivo”, uma situação incontrolável em que qualquer coesão social se dissolve e onde o homem retorna ao estado bruto. Essas sociedades retornam então a uma condição pré-nacional ou mesmo pré-histórica, da qual os microestados etnicamente homogéneos que por necessidade são dependentes dos Estados Unidos. Richard Perle, líder straussiano, assegurou que as guerras no Iraque e Líbano seriam seguidas por outras na Síria, na Arábia Saudita, e que culminariam triunfalmente no Egipto. (veja aqui – Ndt)

As três etapas

Em qualquer caso, a construção do Nova Ordem Mundial passou por várias etapas.

  1. 1991-2002 foi a fase de incerteza. Washington hesitou em afirmar-se como a única superpotência e decidir unilateralmente o destino do mundo. Embora este período tenha durado uma década, representa apenas um breve momento da história.
  2. Nos anos de 2003 a 2006, Washington tentou aplicar a qualquer custo a teoria do “caos construtivo” para ampliar a sua hegemonia. Fez duas guerras, uma com as suas próprias tropas no Iraque e a outra por procuração no Líbano. A derrota israelita em 2006 interrompeu temporariamente este projecto. A Rússia e China usaram duas vezes o seu veto no Conselho de Segurança (relativo ao Myanmar (conhecido também por Birmânia – Ndt) e Zimbabwe) como se timidamente demonstrassem o seu retorno ao cenário internacional.
  3. No período de 2006 a hoje (2012 – Ndt), o sistema unipolar deu lugar a um mundo não polar. O poder está amplamente disperso. A China, a UE, a Índia, a Rússia e os Estados Unidos representam apenas mais de metade dos habitantes do mundo, detêm 75% do PIB global e representam 80% dos gastos militares mundiais. Este facto justifica até certo ponto o funcionamento multipolar devido à persistente competição entre esses pólos.

A nebulosa de um mundo não-polar

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Geralmente, esses poderes devem enfrentar desafios vindos tanto de cima (organizações regionais e globais) como de baixo (milícias, ONGs, corporações multinacionais). O poder está em todo lugar e em lugar algum, em várias mãos e em vários lugares.

Além das seis grandes potências mundiais, existem inúmeras potências regionais. Na América Latina temos o Brasil, mais ou menos a Argentina, o Chile, o México e a Venezuela; na África: Nigéria, África do Sul e Egipto; No Oriente Médio, temos o Irão, Israel e a Arábia Saudita. Existe ainda o Paquistão no Sudeste Asiático; a Austrália, Indonésia e Coreia do Sul no leste da Ásia e no Pacífico Ocidental.

Muitas organizações intergovernamentais pertencem a esta lista de forças: o FMI, o Banco Mundial, a OMS e a ONU; Organizações regionais como a União Africana, a Liga Árabe, a ASEAN, a UE, a ALBA, etc., para não mencionar os clubes como a OPEP.

Devem ainda ser incluídos alguns Estados que estão dentro de «Estados-nações» como a Califórnia ou Uttar Pradesh [o Estado mais populoso da Índia  e até cidades como Nova Iorque ou Xangai.

Existem também as empresas multinacionais, onde se incluem as empresas da energia e finanças; os media globais como Al Jazeera, BBC e CNN, as milícias como Hezbollah, o Exército Mahdi ou os Talibã. Os partidos políticos devem ser tidos em conta bem como as instituições e movimentos religiosos, organizações terroristas, cartéis de drogas, ONGs e fundações. A lista não tem fim.

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Fórum Económico Mundial (Davos)

Os Estados Unidos continuam a ser a principal concentração de poder. As despesas militares anuais estimam-se em mais de US $ 500 biliões (e a pobreza cresce – Ndt). Esse número pode chegar aos 700 biliões se considerarmos o custo das operações em curso, tanto no Iraque como no Afeganistão. Com o seu PIB anual estimado em 14 triliões de dólares estão classificados em primeiro lugar na economia mundial.

No entanto, a realidade do poder dos Estados Unidos não deve ocultar o seu declínio tanto em termos absolutos como em relação a outros Estados.

Como observado por Richard Haass, presidente do Conselho de Relações Exteriores, a progressão de países como China, Rússia, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos atinge os US $ 1 trilião por ano. Isto deve-se naturalmente ao mercado da energia. Dada a explosão da demanda da China e da Índia esse montante continuará a crescer. O dólar fraco contra a libra esterlina e o euro não só resultará numa depreciação do seu valor em relação às moedas asiáticas mas também numa possível transformação do mercado de petróleo que se pagará com uma cesta de moedas ou em euros.

E quando o dólar já não for a moeda comercial do petróleo a economia dos EUA ver-se-á vulnerável a crises inflacionárias e monetárias.

Dois mecanismos básicos apoiaram o mundo não polar:

  • Uma série de fluxos financeiros encontraram caminho fora dos canais legais e sem o conhecimento dos governos. Isto sugere que a globalização enfraquece a influência das principais potências.
  • Esses fluxos têm sido amplamente utilizados pelos Estados do petróleo para secretamente financiarem actores não estatais.

Portanto, num mundo não polar, ser o Estado mais forte do mundo não garante o monopólio da força. Todos os tipos de grupos ou indivíduos podem acumular influência.

De acordo com o professor Hedley Bull, as relações internacionais foram sempre uma mistura de ordem e caos. De acordo com a sua teoria, um sistema não polar deixado a si mesmo torna-se mais complexo. E foi o que aconteceu.

Em 2011, a exacerbação das tensões sobre a Líbia mostrou que o sistema não polar não era mais viável. Apareceram duas linhas concorrentes.

A primeiro é a dos EUA centralizado. Pretende construir uma nova ordem mundial correspondente à estratégia de Washington.

Envolve a abolição da soberania dos Estados estabelecida desde a Paz da Vestefália e a sua substituição por interferências estrangeiras retoricamente justificadas como intervenções humanitárias, na verdade um cavalo de Tróia para a “American Way of Life “.

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Brasil + Rússia + Índia + China = BRIC

A segunda, apoiada pela Organização da Cooperação de Xangai e pelas economias BRICS, é a Sino-Russo. Solicita a manutenção dos princípios do Tratado da Vestefália com um olhar para a frente. A ideia é determinar as novas regras do jogo com base em dois núcleos que rodam em torno de vários pólos.

Claramente, o controlo dos recursos, incluindo as energias renováveis, é o portal ideal para a criação de um novo sistema, cujo surgimento foi bloqueado desde 1991. Também é claro que o controlo das rotas de gás e transporte está no centro do conflito sobre a Síria. Indubitavelmente, a polarização dos poderes sobre este tema vai além das causas internas e supera a questão do acesso às águas quentes ou os interesses logísticos da base naval russa em Tartus.

O imperativo energético

A batalha da energia foi a grande história de Dick Cheney. Ele conduziu-a de 2000 a 2008 em confronto claro com a China e a Rússia. Desde então, esta política foi prosseguida por Barack Obama.

Para Cheney, a procura por energia está a crescer mais rápido que o fornecimento, o que, em última instância, leva à escassez. Manter o domínio dominante Estados Unidos depende principalmente do controlo das reservas remanescentes de petróleo e gás. Além disso, de um modo mais geral, se as relações internacionais actuais são estruturadas pela geopolítica do petróleo, é o fornecimento de um Estado que determina o seu aumento ou a sua queda. Daí surgir o seu plano de quatro pontos:

  • Incentivar, seja qual for o custo, qualquer produção local por vassalos a fim de reduzir a dependência dos Estados Unidos em relação a fornecedores hostis e aumentar a liberdade de Washington.
  • Controlo das exportações de petróleo dos Estados árabes do Golfo, não para os monopolizar mas para serem usadas como alavanca contra clientes e outros fornecedores.
  • Controlo das linhas de transporte na Ásia, ou seja, as linhas de abastecimento da China e Japão, não só no petróleo mas também das matérias-primas.
  • Incentivar a diversificação das fontes de energia utilizadas na Europa a fim de reduzir a dependência europeia em relação ao gás russo e a influência política assim obtida por Moscovo.

 

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Dick Cheney (1941 – )

Além disso, os americanos estabeleceram a independência energética como o seu principal alvo. Essa foi a essência da política desenvolvida por Dick Cheney após extensas consultas com os gigantes da energia em Maio de 2001, que exige uma diversificação das fontes: petróleo local, gás doméstico e carvão, energia hidráulica e nuclear. E também é alcançado através do fortalecimento do comércio com países amigáveis no Hemisfério Ocidental, incluindo Brasil, Canadá e México.

O objectivo secundário é controlar o fluxo de petróleo no Golfo Árabe. Esta foi a principal razão para desencadear a operação Tempestade no Deserto (1991) e depois a invasão do Iraque (2003). (e depois Líbia, Síria …. Ndt)

O plano de Cheney centrou-se no controlo das rotas marítimas: o Estreito de Ormuz (através do qual passa 35% do comércio mundial de petróleo) e o Estreito de Malaca. Até à data, estas vias são essenciais para a sobrevivência económica da China, Japão, Coreia do Norte e até de Taiwan. Estes corredores permitem o transporte de energia e matérias-primas para indústrias na Ásia e a exportação de produtos manufacturados para os mercados mundiais. Ao os controlar Washington garante a lealdade dos seus principais aliados asiáticos e restringe o aumento da China.

A implementação destes objectivos geopolíticos tradicionais levou os EUA a fortalecer a sua presença naval na Ásia-Pacífico e a entrar numa rede de alianças militares com o Japão, Índia e Austrália; sempre com vista a conter a China.

Washington sempre considerou a Rússia como um concorrente geopolítico. Os EUA exploraram todas as oportunidades para reduzir o poder e influência de Moscovo. Outra preocupação particular dos EUA era crescente dependência da Europa Ocidental do gás natural russo, o que poderia afectar a sua capacidade de se opor a movimentos na Europa Oriental, Rússia e Cáucaso.

Como oferta de alternativas, Washington empurrou os europeus para a fonte na bacia do Mar Cáspio com a construção de novos oleodutos através da Geórgia e Turquia.

A ideia era contornar a Rússia com a ajuda do Azerbaijão, Cazaquistão e Turquemenistão, evitando assim o uso dos gasodutos da Gazprom. Daí aparecer ideia de Nabucco.

Para aumentar a independência energética do seu país, Barack Obama  transformou-se de repente num autarquista nacionalista. Encorajou a exploração de petróleo e gás no hemisfério ocidental independentemente dos perigos da perfuração em áreas ambientalmente sensíveis, como a costa do Alasca ou o Golfo do México e, independentemente das técnicas utilizadas, como o fracturamento hidráulico.

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No seu discurso sobre o Estado da Nação em 2012, o presidente Obama declarou orgulhosamente:

“Nos últimos três anos abrimos milhões de novos terrenos para a exploração de petróleo e gás e hoje à noite vou dar instruções à minha administração para abrir mais de 75% dos nossos potenciais recursos offshore de petróleo e gás. Agora mesmo – a produção de petróleo americano é a mais alta em oito anos. Isso mesmo – oito anos. Não é só isso – no ano passado dependemos menos do petróleo estrangeiro do que nos últimos 16 anos “.

Ele falou com particular entusiasmo sobre a extracção de gás natural por fracturamento hidráulico de xisto de petróleo: “Temos na América um suprimento de gás natural que pode durar quase 100 anos”.

Em Março de 2011, Washington aumentou as suas importações do Brasil para se libertar do petróleo do Oriente Médio.

Na verdade, Washington continuou a garantir o controlo dos EUA das rotas marítimas vitais que se estendem do Estreito de Ormuz ao Mar da China Meridional e construiu uma rede de bases e alianças que cercam a China – o poder global emergente – na forma de um arco que se estende do Japão à Corria do Sul, Austrália, Vietname e Filipinas no Sudeste, depois na Índia no sudoeste. Tudo isso é coroado com acordo com a Austrália para construir uma instalação militar em Darwin, na costa norte, perto do Mar da China Meridional.

Washington está a tentar incluir a Índia numa coligação de países regionais hostis à China para arrancar Nova Deli do alcance dos BRICS, estratégia para cercar a China que é uma preocupação muito séria para Pequim.

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Estudos mostraram uma distribuição inesperada das reservas globais de gás.

A Rússia ocupa o primeiro lugar com 643 triliões de pés cúbicos no oeste da Sibéria.

Em segundo lugar, a Arábia, incluindo o depósito de Ghawar com 426 triliões de pés cúbicos.

Em terceiro lugar, o Mediterrâneo com 345 triliões de pés cúbicos de gás, ao qual devem ser adicionados 5,9 bilhões de barris de gás líquido e 1,7 biliões de barris de petróleo.

Em relação ao Mediterrâneo, o essencial é encontrado na Síria. O depósito descoberto em Qara pode chegar aos 400 mil metros cúbicos por dia, o que tornará a Síria no quarto maior produtor da região, depois do Irão, Iraque e Catar.  

O transporte de gás do Cinturão de Zagros (Irão) para a Europa deve passar pelo Iraque e pela Síria. Isso tem perturbado os projectos americanos e consolidou projectos russos (Nord Stream e South Stream). O gás da Síria escapou a Washington, que agora deve regressar ao gás libanês.

(1) Filósofo e geopolítico. Presidente do Centro de Estudos Estratégicos (Damasco, Síria)

Parte 1

Parte 2

Este artigo da rede Voltaire foi escrito em 2012 mas a sua tradução foi feita em 2017/2018. Possivelmente em 2012 o conteúdo dele foi apelidado de teoria de conspiração. No entanto o que se passou nos anos seguintes a 2012 comprovam que não eram teorias de conspiração mas sim a pura e crua verdade. Podemos ver quase como num filme o que esteve por trás das devassas do Iraque, Líbia, Síria .. E também podemos ver o quão importante foi a operação de falsa bandeira do 11 de Setembro de 2011.

 

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This entry was posted on 15 de Janeiro de 2018 by in Nova Ordem Mundial and tagged , , , , , .

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