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Síria: UN finge indignação acerca de Ghouta enquanto chovem Rockets terroristas sobre Damasco

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução de partes do artigo UN Feigns Outrage Over Ghouta While Terrorist Rockets Rain Down on Damascus

de Eva Bartlett – 26 de Fevereiro de 2018

Eva Bartlett quebra a série vertiginosa de informações em torno da crescente crise humanitária em  Ghouta, na Síria. Com abundantes acusações, analisar a realidade no terreno está a tornar-se cada vez mais desafiador.

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*Civis sírios colocados em gaiolas e usados como escudos humanos por Jaysh al-Islam, grupo apoiado pelos sauditas e que quase diariamente bombardeiam civis de Damasco, o grupo que o Ocidente apoia como sendo “oposição moderada“.

GHOUTA, SÍRIA – A 20 de Fevereiro de 2018, Geert Cappelaere, Director Regional da UNICEF para o Oriente Médio e África do Norte de Amã, emitiu na Jordânia uma declaração de “indignação” intitulada: “A guerra contra as crianças na Síria: Relatórios de baixas em massa de crianças no Ghouta Oriental e em Damasco “.

A “declaração” – que consiste em linhas em branco com o prefácio “Nenhuma palavra fará justiça às crianças mortas, às suas mães, aos seus pais e aos seus entes queridos” – encaixa com a retórica cada vez mais histérica dos media corporativos no subúrbio de Damasco, Ghouta, que tem estado atormentada com ataques de armas químicas por mais de quatro anos, perpetrado pelos procuradores apoiados pelos EUA e com a Frente Nusra a tentar enquadrar o governo sírio com crimes de guerra.

UNICEF ainda escreveu: “Não temos mais palavras para descrever o sofrimento das crianças e a nossa indignação. Aqueles que infligem o sofrimento ainda têm palavras para justificar os seus actos bárbaros? “

Onde esteve o dramático protesto dramático da UNICEF quando 200 civis, incluindo 116 crianças, foram abatidas por facções terroristas quando iam de comboio de Kafraya e Foua em Abril de 2017?

Essas facções incluíam Ahrar al-Sham (apoiado pela Turquia e Arábia Saudita), al-Nusra (al-Qaeda) e facções do Exército Sírio Livre.

O exército sírio livre foi armado pelos EUA, de acordo com as palavras do ex-primeiro-ministro do Catar, Hamad bin Jassim bin Jaber al-Thani – com o apoio e coordenação da Arábia Saudita, Turquia e EUA – desde o início apoiou grupos armados, mesmo a Al-Qaeda na Síria.

Esta declaração aparentemente indignada da ONU apareceu nos relatórios dos media corporativos em Ghouta Oriental, a maioria dos quais citando o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (SOHR), que funciona no Reino Unido com uma só pessoa, Osama Suleiman, e que usa o pseudónimo de Rami Abdul Rahman. Nos seus recentes relatórios sobre Ghouta, o próprio SOHR não fornece fontes.

Em 22 de Fevereiro de 2018, Mark Lowcock, Coordenador de Socorro de Emergência da ONU e o chefe da OCHA, falou no Conselho de Segurança da ONU durante cerca 10 minutos sobre Ghouta Oriental e as “400 mil pessoas sitiadas”. Nem uma só vez mencionou as facções terroristas que estão lá dentro. Nessas facções terroristas incluem-se: Jaysh al-Islam (apoiados pela Arábia Saudita), Hayat Tahrir al-Sham (da al-Qaeda), Ahrar al-Sham e Faylaq al-Rahman (a principal facção em Jobar e que relatou ter recebido mísseis guiados antitanque BGM-71 TOW

A ONU conseguiria muito menos apoio público e indignação se, em vez das declarações emotivas facilmente interpretadas, apresentasse vídeos de treino como este, que retracta o treino do Exército do Islão do então líder Zahran Alloush em Ghouta oriental com seus tanques blindados. Esta é a realidade em Ghouta oriental. Jaysh al-Islam é o grupo infame que enjaula civis, incluindo mulheres, para os usar como escudos humanos.

A ONU conseguiria menos apoio ainda se os media corporativos e da ONU mostrassem vídeos de civis como o desta mulher, que amaldiçoa os grupos armados, culpa-os pela fome e por acumularem acumular comida, e lhes diz para deixarem Ghouta.

Hoje sabemos que, em outras áreas anteriormente ocupadas da Síria, como Aleppo Oriental, Homs, Madaya, Al-Waer e outros lugares, as populações civis quando resgatadas das facções terroristas, falavam que os terroristas acumulavam alimentos e remédios, impediam-nos de sair – mantendo-os como reféns e escudos humanos.

Também transpareceu que os números que a ONU e os media corporativos citavam sobre a população de Aleppo oriental250.000 a 300.000foram altamente inflacionadas para o dobro, do número real de civis nas áreas orientais. Como escrevi anteriormente:

”110.000 Civis registados no centro de registo de Jibreen; outro estimou que 10% poderiam ter ido directo para ficar com a família; e de acordo com a Cruz Vermelha, 35 mil pessoas (“combatentes” e seus familiares) foram evacuados de Alepo. O número total foi, portanto, no máximo de 150.000, provavelmente significativamente menor. ”

No seu discurso de 22 de Fevereiro, Lowcock da ONU  só uma vez abordou os ataques terroristas a Damasco, dizendo: “bombardeamentos vindos de Ghouta Oriental estão alegadamente a matar e ferir dezenas de civis na cidade de Damasco”.

Porquê alegadamente? Porque é que Lowcock não leu os testemunhos de civis de Damasco enquanto realça o que tem sido feito a civis em Ghouta Oriental? Damasco está muito mais acessível do que Ghouta ocupada pela Al Qaeda: Lowcock poderia facilmente viajar até à capital da Síria e encontrar-se com alguns dos muitos civis afectados pelos anos constantes de mortes levados a cabo por facções terroristas posicionadas em Ghouta Oriental.

Durante semanas, Jaysh al-Islam, al-Qaeda, Ahrar al-Sham e Faylaq al-Rahman intensificaram os seus bombardeamentos pesados ​​a Damasco, intencionalmente visando áreas civis fortemente povoadas da cidade, incluindo escolas, casas e espaços com muito público. (o que é que as forças aliadas fizeram durante a guerra contra à Alemanha, quando esta pretendeu “domar” a Europa? Lutaram pelas soberanias desses Estados? Morreu muita gente é um facto. Para além dos judeus, muitos civis perderam a vida. Um Estado não tem o direito de defender o seu país, quando este é invadido e assassinado por assassinos contratados por outros vários Estados com um só fim, depor um presidente democraticamente eleito? Que caixas de pandora estamos a permitir que se abram -Ndt)

Esses ataques são violações ao acordo de zonas de cessação de hostilidades de Maio de 2017, co-assinado pela Rússia, Turquia e Irão. Ghouta Oriental é uma das quatro áreas incluídas no acordo de cessação de hostilidades. De acordo com o artigo “6º processo de Astana negocia produção de acordo de zona de cessação de hostilidades “:

”Os países envolvidos observaram ‘o progresso na luta contra o terrorismo e na eliminação do ISIL, Jabhat al-Nusra e de todos os outros indivíduos, grupos, empresas e organizações associadas à Al-Qaida ou ISIL, de forma ao bom funcionamento destas zonas de cessação de hostilidades‘ e confirmaram a sua determinação de “tomar todas as medidas necessárias para continuarem a lutar contra eles dentro e fora dessas zonas”.

Jaysh al-Islam – cujo líder político, Mohammed Alloush, que supostamente participou das conversações de paz de Maio e nas subsequentes de 2017 em Astana – é uma das facções que está a atacar Damasco. O site sírio Muraselon informou que a bomba que atacou Damasco em 23 de Fevereiro de 2017 e que matou pelo menos um civil, era um míssil poderoso, provavelmente disparado por Jaysh al-Islam. O artigo referia-se às próprias media sociais do grupo terrorista gabando-se de possuir e pretender disparar o referido míssil contra Damasco. Isto merece um pouco de indignação e mais do que um comentário passageiro.

A graduation ceremony is held at the Jaish al-Islam Military Academy, at an undisclosed location, in the rebel-held Eastern Ghouta, Syria, on Jan. 16. Jaish al-Islam is the most prominent of the numerous fighting forces operating in Eastern Ghouta (Photo: Mohammed Badra/EPA)

Uma cerimónia de graduação realizada a 16 de Janeiro de 2018 na Academia Militar do Jaysh al-Islam, num local não revelado, em Ghouta Oriental, na Síria. Jaysh al-Islam é o mais proeminente das numerosas forças de combate que actuam emGhouta Oriental (Foto: Mohammed Badra / EPA)

Na sequência da reunião do Conselho de Segurança, o representante permanente da Síria junto das Nações Unidas, o Embaixador Bashar al-Ja’afari, falou à imprensa e observou a falta de objectividade do Sr. Lowcock na declaração feita do Conselho de Segurança. O embaixador al-Ja’afari disse:

”Temos uma carta oficial do coordenador residente em Damasco, o presidente da OCHA (Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários – Ndt) na Síria, onde refere que durante 2017, OCHA – com a cooperação do governo sírio, do Crescente Vermelho sírio e com o Comité Internacional da Cruz Vermelha – forneceu assistência humanitária a 2.3 milhões de pessoas.

O Sr. Lowcock negou essa informação, quando a temos por escrito vindo do chefe da OCHA em Damasco. Então, algo está errado. Ou essas pessoas aqui em Nova York não lêem o que recebem … do seu próprio povo em Damasco, ou induzem em erro os membros do Conselho de Segurança sobre o que está a acontecer na Síria.”

Ele também corrigiu o léxico do ” cerco sufocante “, dizendo:     

[Isto] não é consistente com a realidade no terreno. Tem havido grande movimentação de camiões comerciais entre Damasco e Ghouta Oriental. O governo sírio tem facilitando a ajuda a Ghouta oriental e a evacuações médicas para hospitais em Damasco. A ONU está a ignorar imagens de vídeo publicadas por esses grupos terroristas onde mostram mulheres e crianças a serem empurradas para dentro das gaiolas de metal. “

No que diz respeito aos bombardeamentos pesados a Damasco, o Sr. Lowcock numa reunião do Conselho de Segurança uma semana antes, afirmou estarem a ocorrer. O Embaixador Al-Ja’afari citou as mais de 1.000 bombas vindas de Ghouta Oriental e que atingiram Damasco. Em 22 de Fevereiro de 2018, al-Ja’afari afirmou que o número de bombas em Damasco eram mais de 1.200, chamando a atenção pelas 8 milhões de pessoas que estão em Damasco e em risco.

Fighters from the Amjad al-Islam brigades stand next to an improvised artillery weapon in eastern al-Ghouta. (Photo: Reuters)

Combatentes das brigadas Amjad al-Islam ao lado de uma arma de artilharia improvisada em Ghouta Oriental. (Foto: Reuters)

 

 

 

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This entry was posted on 13 de Março de 2018 by in ONU, Síria and tagged .

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