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ACORDEM

Médio Oriente alargado: agressão mascarada de guerras civis

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Tradução do artigo  Agression masquée en guerres civiles

de Thierry Meyssan

Se quisermos dar um passo atrás, veremos que os vários conflitos que ensanguentaram durante dezasseis anos o Médio Oriente alargado, desde do Afeganistão à Líbia, não foram uma sucessão de guerras civis, mas sim, a implementação de uma estratégia regional. Thierry Meyssan ao recordar os objectivos e tácticas dessas guerras desde a “Primavera árabe”observa a preparação das seguintes.

| Damasco (Síria) 27 de Fevereiro de 2018

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No final de 2010, começou uma série de guerras inicialmente apresentadas como revoltas populares. Sucessivamente, a Tunísia, Egipto, Líbia, a Síria e o Iémen foram varridas por esta «primavera árabe», reedição da «Grande Revolta Árabe de 1915» iniciada por Lawrence da Arábia. Mas com a diferença de que desta vez eles não dependeriam do apoio dos wahhabites mas sim da Irmandade Muçulmana.

Estes eventos foram cuidadosamente planeados pelo Reino Unido a partir de 2004, como foi atestado pelos documentos internos do Ministério dos Negócios Estrangeiros revelados pelo denunciante britânico Derek Pasquill. [1] Com a excepção do bombardeamento de Tripoli (Líbia) em Agosto de 2011, eles destacam não só as técnicas de desestabilização não-violentas de Gene Sharp [2], como também a guerra de 4ª geração de William S. Lind. [3]

O projecto britânico da «Primavera árabe» posto em prática pelos exércitos dos EUA, sobrepôs-se com o do Estado-maior dos EUA: a destruição de sociedades e Estados numa escala regional, conforme formulado pelo almirante Arthur Cebrowski, popularizado por Thomas Barnett [4], e ilustrado por Ralph Peters. [5]

Os eventos pareciam estar a diminuir no segundo trimestre de 2012, de modo que os Estados Unidos e a Rússia concordaram em Genebra, A 30 de Junho, numa nova participação no Médio Oriente.

No entanto, os Estados Unidos não respeitaram a sua assinatura. Em Julho de 2012 começou uma segunda guerra, na Síria e depois no Iraque. Pequenos grupos e comandos foram sucedidos por vastos exércitos terrestres compostos por jihadistas. Já não se tratava de guerra de 4ª geração, mas uma clássica guerra de posições, adaptada às técnicas de «Abu Bakr Naji». [6]

Desta vez e de acordo com o trabalho de Robin Wright [7], a vontade de impedir a reabertura da “rota da seda” foi sobreposta aos dois objectivos precedentes quando a China revelou a sua ambição.

Os eventos pareciam diminuir novamente no último trimestre de 2017 após a queda do Daesh, mas os investimentos nesses conflitos foram tão altos que parecia impossível que os partidários da guerra desistissem sem alcançar os seus objectivos.

Assistiu-se então à tentativa de relançar as hostilidades com a questão curda. Após um primeiro fracasso no Iraque, tentaram uma segunda vez na Síria. Em ambos os casos, a violência da agressão levou a Turquia, Irão, Iraque e Síria a unirem-se contra o inimigo externo.

Por fim, o Reino Unido decidiu prosseguir com o seu objectivo inicial de dominação através da Irmandade Muçulmana e forma o “Grupo Pequeno”, revelado por Richard Labévière [8]. Esta estrutura secreta inclui Arábia Saudita, Estados Unidos, França e Jordânia. («Inglaterra já forneceu US$ 8,3 milhões em armas à agressão saudita ao Iémen«– Ndt)

Por outro lado, os Estados Unidos aplicaram a ” Viragem para a Ásia” de Kurt Campbell [9] e decidem concentrar as suas forças contra a China. Para tal,  reformam com a Austrália, Índia e Japão o “Quadrennial Security Dialogue“.

Enquanto isso, a opinião pública ocidental continua a acreditar que o único conflito que já devastou todo o Oriente Médio alargado, do Afeganistão à Líbia, é uma sucessão de guerras civis para a democracia.

 

[1] When Progressives Treat with Reactionaries. The British State’s flirtation with radical Islamism de Martin Bright, Policy Exchange, September 2004. “I had no choice but to leak”, Derek Pasquill, New Statesman, January 17, 2008.

[2] Making Europe Unconquerable: The Potential of Civilian-based Deterrence and Defense , Gene Sharp, Taylor & Francis, 1985.

[3] “The Changing Face of War: Into the Fourth Generation” , William S. Lind, Colonel Keith Nightengale, Captain John F. Schmitt, Colonel Joseph W. Sutton, Lieutenant Colonel Gary I. Wilson, Marine Corps Gazette, October 1989.

[4] The Pentagon’s New Map, Thomas P.M. Barnett, Putnam Publishing Group, 2004.

[5] “Blood borders – How a better Middle East would look” de Colonel Ralph Peters, Armed Forces Journal, Junho 2006.

[6] The Management of Savagery : The Most Critical Stage Through Which the Umma Will Pass, Abu Bakr Naji, 2005. English version translated by William McCants, Harvard University, 2006.

[7] “Imagining a Remapped Middle East”, Robin Wright, The New York Times Sunday Review, 28 setembro 2013.

[8] « Syrieleaks : un câble diplomatique britannique dévoile la “stratégie occidentale” » de Richard Labévière, Observatoire géostratégique, Proche&Moyen-Orient.ch, 17 Fevereiro de 2018.

[9] The Pivot: The Future of American Statecraft in Asia, Kurt M. Campbell, Twelve, 2016.

 

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This entry was posted on 15 de Março de 2018 by in Medio Oriente Alargado and tagged .

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