A Arte da Omissao

ACORDEM

Estados Unidos criam condições para a invasão da Venezuela

nota: links dentro de «» e realce de frases com esta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo de Thierry MeyssanLes États-Unis créent les conditions de l’invasion du Venezuela

Os Estados Unidos têm um projecto para a Bacia do Caribe que o Pentágono enunciou em 2001. Sendo este último destrutivo e assassino, é vergonhoso. Então eles estão a trabalhar para terem uma narrativa aceitável. É o que vemos na Venezuela. Atenção: as aparências gradualmente mascaram a realidade; durante as manifestações, a preparação para a guerra continua.

| Damasco (Síria)

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Convencido de que o apoio dos Estados Unidos é mais importante que o voto de seus compatriotas, Juan Guaidó  proclamou-se presidente interino da Venezuela.

Criar o conflito (só mentecaptos ou países reféns dos Estados Unidos e seus parceiros, como Portugal o é, fingem não reconhecer o método que desde o 11 de Setembro foi usado para destruir o Médio Oriente alargado e que para a História não têm forma de limpar o sangue de suas mãos.  Não se entende como nós cidadãos, engolimos os que os media fazem entrar na nossa casa e confortavelmente assistimos à destruição de Estados-nações, sob a falsa bandeira de perseverar a Democracia e salvar povos -Ndt)

Nos últimos meses, os Estados Unidos conseguiram convencer um quarto dos Estados membros da ONU – incluindo 19 americanos – a não reconhecer o resultado da eleição presidencial venezuelana de Maio de 2018. Portanto, não reconhecem mais a legitimidade do segundo mandato do Presidente Nicolas Maduro.

Gavin Wiliamson, ministro da Defesa britânico, «disse numa entrevista ao Sunday Telegraph» publicada em 21 de Dezembro de 2018, que o seu país está a negociar a instalação de uma base militar permanente na Guiana para retomar a política [imperial] perante a crise de Suez. No mesmo dia, um deputado guianense derruba o governo do seu país e refugia-se no Canadá.

No dia seguinte, a ExxonMobil alega que um barco fretado por ela para conduzir uma exploração de petróleo na área disputada entre a Guiana e Venezuela, foi expulso pela marinha venezuelana. Esta expedição foi autorizada pelo governo cessante da Guiana, que administra de facto a área disputada.

Imediatamente, o Departamento de Estado dos EUA e depois o «Grupo Lima», denunciam o risco que a Venezuela representa para a segurança regional. No entanto, em 9 de Janeiro de 2019, o presidente Nicolas Maduro «revelou gravações em áudio e vídeo» que atestam que a ExxonMobil e o Departamento de Estado norte americano mentiram deliberadamente para criarem uma situação conflituosa e forçar os Estados latino-americanos a desencadearem uma guerra entre eles. Membros do Grupo Lima admitem a manipulação, excepto Paraguai e Canadá.

A 5 de Janeiro de 2019, a Assembleia Nacional da Venezuela elegeu o seu novo presidente, Juan Guaidó, e recusa-se a reconhecer a legalidade do segundo mandato do presidente Nicolas Maduro. Passa a afirma-se então a ideia de que a situação é comparável à da incapacidade do Presidente por motivo de doença, conforme previsto no artigo 233 da Constituição. Não sendo o caso actual o previsto na Constituição, o presidente da Assembleia Nacional assume interinamente. (algo não previsto Constituição – Ndt).

A 23 de Janeiro de 2019, movimentos anti e pro Maduro organizam em Caracas dois eventos em simultâneo. Nesta ocasião, Juan Guaidó proclama-se presidente interino e faz um juramento para essa função. Os Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Israel reconhecem-no imediatamente como o novo presidente da Venezuela. Espanha, que participou nas tentativas de golpe contra Hugo Chávez, empurra a União Europeia a seguir esse movimento.

A lógica dos acontecimentos levou a Venezuela a romper relações diplomáticas com os Estados Unidos e a  fechar a sua embaixada em Washington. Mas os Estados Unidos, apoiando o golpe de Estado de Juan Guaidó, não reconheceu essa ruptura e mantêm a sua embaixada em Caracas, de onde continuam a despejar óleo no fogo.

Em 24 de Janeiro, o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, apareceu na televisão cercado por todo o alto comando para reafirmar o compromisso do exército de servir a nação e ao presidente constitucional eleito, Nicolas Maduro. Dito isto, pediu para continuar o diálogo com a oposição pró-EUA. O exército é a única administração eficaz, aquela em que o país repousa.

Aplicar esquema já testado

Na situação actual, a Venezuela está com um presidente constitucional eleito e um presidente interino autoproclamado.

Ao contrário do que os venezuelanos como um todo imaginam, o objectivo dos Estados Unidos não é derrubar Nicolas Maduro, mas aplicar na bacia do Caribe a doutrina Rumsfeld-Cebrowski de destruição das estruturas estatais. Tal, implica certamente a eliminação de Nicolas Maduro e também de Juan Guaidó.

O esquema actual já foi experimentado ao fazer que a Síria passasse de uma situação de turbulência interna (2011) para a  agressão por um exército de mercenários (2014).

O papel da Liga Árabe  é exercido neste caso pela Organização dos Estados Americanos (OEA), cujo Secretário-geral já reconheceu o Presidente Juan Guaidó.

O papel dos Amigos da Síria, neste caso é mantido pelo Grupo Lima que coordena as posições diplomáticas dos aliados de Washington.

O papel do líder da oposição, Burhan Ghalioun, neste caso é ocupado por Juan Guaidó.

Na Síria, o colaborador de longa data do NED (organização sem fins lucrativos dos EUA, fundada em 1983 com o objectivo declarado de promover a democracia no exterior. Mais uma falsa bandeira – Ndt.), Burhan Ghalioun, foi substituído por outros, depois por outros, a ponto de todos esquecerem o seu nome. É provável que Juan Guaidó seja igualmente sacrificado.

No entanto, o modelo aplicado na síria funcionou apenas parcialmente.

Em primeiro lugar porque a Rússia e a China opuseram-se repetidamente no Conselho de Segurança da ONU. Segundo, porque o povo sírio juntou-se gradualmente à República Árabe da Síria e demonstrou uma resiliência excepcional. Por fim, porque o exército russo veio equipar e apoiar o exército sírio contra os mercenários estrangeiros e a NATO que os supervisionava.

O Pentágono, ao verificar que não poderá mais usar os jihadistas para enfraquecer o Estado sírio, deixa os eventos subsequentes nas mãos do Tesouro Americano que tudo fará para impedir a reconstrução do país e do Estado.

Nos próximos meses, o autoproclamado presidente interino Juan Guaidó criará uma administração paralela para:

  •  encaixar dinheiro do petróleo de litígios em curso
  •  resolver a disputa territorial com a Guiana;
  •  negociar a situação dos refugiados
  •  cooperar com Washington e prender líderes venezuelanos nos Estados Unidos, sob vários pretextos legais.

Se levarmos em conta a experiência adquirida no Oriente Médio alargado dos últimos oito anos, não devemos interpretar os acontecimentos actuais na Venezuela como os do Chile em 1973. O mundo após a dissolução da URSS não é mais o da Guerra Fria. Na época, os Estados Unidos pretendiam controlar toda a América, excluir qualquer influência soviética e queriam explorar a riqueza natural dessa área com o menor controle nacional possível e com o menor custo.

Hoje, os Estados Unidos continuam a ver o mundo como unipolar. Eles não têm mais aliados nem inimigos. Para eles, a população está integrada à economia globalizada, ou vive em territórios dotados de recursos naturais, que não precisam necessariamente de explorar, mas que devem sempre controlar. Como esses recursos naturais não podem ser controlados ao mesmo tempo pelos Estados-nação e pelo Pentágono, Washington visa impedir o funcionamento das estruturas estatais desses países. (eles também querem o petróleo, vejam «aqui» – Ndt)

Este mapa foi tirado de um powerpoint de Thomas P. M. Barnett, assistente do almirante Arthur Cebrowski, numa conferência no Pentágono em 2003. Ele mostra todos os Estados (zona rosada) que devem ser destruídos. Este projecto não tem a ver com a Guerra Fria nem com a exploração de recursos naturais. Depois do “Médio Oriente alargado”, os estrategas americanos preparam-se para desmoronar a “Bacia do Caribe“.

Cegar os actores

Assumindo que Juan Guaidó acredita mesmo que está a resolver a crise e a servir o seu país ao proclamar-se presidente em exercício, é de facto o oposto. A sua acção provocará uma situação que será assimilada como uma guerra civil.

Ele ou seus sucessores pedirão ajuda aos seus irmãos latino-americanos. Brasil, Guiana e Colômbia mobilizarão forças de paz apoiadas por Israel, o Reino Unido e Estados Unidos. A agitação continuará até que cidades inteiras sejam reduzidas a ruínas.

Não importa se o governo venezuelano é bolivariano ou liberal ou que seja anti ou pró-EUA. O objectivo não é substituí-lo, mas enfraquecer o Estado por muito tempo. Esse processo começa na Venezuela e continuará noutros países da Bacia do Caribe, começando pela Nicarágua, até que não haja mais poder político real em toda a região.

Esta situação é cristalina para muitos árabes, cujos países caíram na mesma armadilha, mas no momento, os latino-americanos não parecem ver isso claramente.

É claro que ainda é possível que os venezuelanos, apesar do seu orgulho, tomem consciência da manipulação a que estão sujeitos, superem suas divisões e salvem o seu país.

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This entry was posted on 8 de Fevereiro de 2019 by in Venezuela and tagged .

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