A Arte da Omissao

ACORDEM

Iêmen e Palestina desmascaram a farsa das “ações humanitárias” dos EUA

Notas do tradutor : links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo

Yemen y Palestina desenmascaran la farsa de “Las acciones humanitarias” de EEUU

de Nazanín Armanian

Nazanín Armanian, é uma escritora e politóloga iraniana que desde 1983 está exilada em Espanha. Licenciou-se em Ciências Políticas pela Universidade Nacional de Educação à Distância, onde deu aulas de 2009 a 2013. De 2007 a 2012 leccionou também questões islâmicas em cursos complementares da Universidade de Barcelona. Em 2015 é professora da cadeira de Relações Internacionais na UNED. É também tradutora oficial de persa/farsi para espanhol. A sua área de investigação é o mundo islâmico, o Islão político, a geopolítica do Médio Oriente e Norte de África e os direitos das mulheres. Colabora em diversos meios de comunicação espanhóis e mantém uma coluna semanal no blog Punto y Seguido do diário Público. (fonte)

24 de Fevereiro de 2019

Somente os ingénuos podem acreditar que um certo Donald Trump, os criminosos de guerra como John Bolton e Elliott Abrams, ou Bruxelas, se desviam pelas classes desfavorecidas da Venezuela. “Não participamos no que para nós não é ajuda humanitária», afirma o responsável pela Cruz Vermelha da Colômbia, Christoph Harnisch, um testemunho directo do que realmente está a acontecer.

Este vídeo não está presente no artigo

Entrevista a Christoph Harnisch, chefe da delegação do Comité Internacional da Cruz Vermelha na Colômbia,  sobre a controvérsia em torno dos contentores prontos para serem deixados na Venezuela.

Atenção ao minuto 10:50

Enquanto descarga algumas toneladas de “ajuda” na fronteira da Venezuela, Trump reduz drasticamente a contribuição dos EUA para a Agência das Nações Unidas para os Refugiados da Palestina no Oriente Próximo (UNRWA), reduz de 300 milhões para 60, deixando numa situação extremamente desumana 5,3 milhões de pessoas condenadas à miséria pelo colonialismo israelita.

Os governos dos EUA apoiaram não apenas a corte de electricidade e água em Gaza, mas também o assassinato de um povo desarmado – incluindo milhares de crianças – ao entregarem armas a Israel e vetando todas e cada uma das resoluções condenatórias da ONU. Gaza está à beira de uma catástrofe.

No Iémen, milhões de pessoas enfrentam a pior crise humanitária do mundo, causada pelo agrupamento liderado pelos Estados Unidos e pela Arábia Saudita, que bombardeia o país desde 2015. Os portos iemenitas também foram bloqueados para impedir a entrada de alimentos, materiais sanitários, combustível e ajuda humanitária a 20 milhões de pessoas. Não lhes treme as mãos para lançar mísseis, mesmo nos campos de refugiados. 70% da população precisa de assistência humanitária urgente, 7 milhões deles enfrentam a fome e milhares já morreram de cólera. Claro que acabar com o conflito prejudica o negócio.

No Sudão do Sul, entre 2014 e 2018 e segundo a ONU, pelo menos 400 mil pessoas morreram devido à violência, à fome e à crise humanitária. E ninguém derramou uma única lágrima por eles.

No Iraque, entre 1991 e 2003, os bombardeamentos no país foram acompanhados por um embargo ao povo que pôs fim à vida de 2 milhões de pessoas, o mais criminoso da história, porque eram apenas “danos colaterais” na conquista de objectivos supremos.

Quais são os reais objectivos dos EUA?

Criar opiniões favoráveis ao governo impopular de Donald Trump.

Lavar o rosto de uma oposição já questionada pelas suas ligações à CIA.

Desviar a atenção dos verdadeiros responsáveis pela crise, apresentando-se como salvadores.

Demonizar o presidente Maduro (como foi feito com Saddam Hussein, Milosevic ou Kadafi), tão cruel e implacável que mata o seu próprio povo, enquanto os EUA e a Europa recusam-se a impor uma punição mínima a alguns aliados que se parecem mais com gangues criminosos do que com governos.

Os verdadeiros propósitos de Washington para a Venezuela são geopolíticos e económicos. Se não, desde quando se provoca um estado de guerra contra uma nação para acabar com o seu sofrimento?

A arma das”preocupações humanitárias”

A Responsabilidade de Proteger (“R2P”), formulada pela ONU em 2005, que dá à “comunidade internacional” o direito de intervir num país para proteger seus habitantes de genocídio, crimes de guerra, limpeza étnica e graves violações de direitos humanos, tem sido o pretexto das agressões militares dos EUA e seus aliados, mas com o objectivo real de consolidar a hegemonia das elites militaristas euro-americanas sobre o mundo. (estamos perante crime reais de genocídio no Sudão, na Somália, na Argélia… Ndt)

Ou será que algum Estado do sul se atreve a enviar tropas para a França em apoio aos colectes amarelos e derrubar um Macron como um mau governante? Ou alguém pensa que o Tribunal Penal Internacional julgará o “trio dos Açoresou os reis que assassinaram o jornalista Khashoggi?

Washington normalizou o seu domínio sobre outras nações em nome de sua “excepcionalidade”, que lhe permite sequestrar pessoas de outros países e prendê-las em prisões ilegais mas públicas, sujeitando-as à mais brutal tortura com total impunidade.

Nesta rodada de negócios chamada “guerra, arrasaram a Líbia, a primeira reserva de petróleo da África, para” salvar o seu povo do ditador”, tornando-a no principal laboratório da escravidão e da barbárie no mundo.

Na Síria, eles usaram o corpo do pequeno Alan Kurdi para manipular os sentimentos nobres da empatia de pessoas boas e justificar uma intervenção militar. Então, quando falham, e, a fim de se livrar de milhares de refugiados, inventaram a farsa dos refugiados violadores ingratos ” na Alemanha, e subornaram Tayyeb Erdogan para que admitisse  “os devolvidos”: foram dezenas de milhares de vidas destruídas, corpos esmagados.

Foram para o Afeganistão para libertar as mulheres da burca, e eles estão a bombardear o país  há 18 anos, matando pelo menos um milhão de pessoas e forçando milhões a fugir de suas casas: as mulheres estão em pior situação agora do que há 45 anos.

O direito das pessoas de receber ajuda em situações de catástrofe é uma questão política e deve ser canalizada por instituições internacionais com critérios éticos.

 

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This entry was posted on 27 de Fevereiro de 2019 by in Venezuela and tagged , .

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