A Arte da Omissao

ACORDEM

Para quando um concerto na Colômbia?

Tradução do artigo

Un concierto por Colombia

de Alfredo Serrano

celagCentro Estratégico Latino-americano de Geopolítica, em 26 de Fevereiro de 2019

Notas do tradutor : links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

 

Un concierto por Colombia

Vamos começar pelo princípio e sem rodeios. Segundo a Comissão Europeia e com base no seu próprio índice (preparado pelo Comité Permanente Inter-Agência do Grupo de Referência sobre Riscos, Alerta Precoce e Prontidão, INFORM), a Colômbia é o país latino-americano com maior risco de crise humanitária, acima da Guatemala, México, Honduras e, claro, da Venezuela.

Uma criança pobre na Colômbia teria que esperar em média 330 anos para o deixar de ser, segundo o relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Terão que passar 11 gerações.

Uma em cada dez crianças na Colômbia sofre de desnutrição crónica, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). Um relatório do Departamento Administrativo Nacional de Estatística (DANE) indica que, entre 2012 e 2016, 1.562 crianças morreram de desnutrição em todo o território nacional. De acordo com a própria Unicef, 1 em cada 3 crianças vivem em condições de pobreza multidimensional e metade das crianças com menos de dois anos de idade, no que diz respeito à vacinação,  estão numa situação crítica.

A Colômbia ocupa o terceiro lugar, entre 175 países, com a maior taxa de homicídios de crianças no mundo, segundo o último relatório da ONG internacional Save the Children para o período 2015-2017.

Nos últimos 11 meses, 162 defensores de direitos humanos e líderes sociais em 99 municípios em todo o país foram assassinados, segundo dados da Ouvidoria da Colômbia.

Segundo o último relatório da Transparência Internacional, a Colômbia piorou o seu Índice de Percepção da Corrupção, que já está na 99ª posição dos 180 países analisados. A corrupção na Colômbia custa 18.400 milhões de dólares anualmente, segundo a Procuradoria Geral do Estado; isso significa algo mais que 5% do PIB, ou 15% do orçamento nacional.

Na Colômbia, os ataques contra jornalistas aumentaram em 89% entre 2015 e 2018, segundo a Fundação para Liberdade de Imprensa. De fato, a Colômbia está (junto com o México e o Brasil) entre os 14 principais países do mundo onde os assassinos de jornalistas não são punidos nos tribunais, de acordo com o índice global de impunidade preparado pelo Comité para a Protecção dos Jornalistas.

A Colômbia continua a ser o país com o maior número de pessoas internamente deslocadas no mundo, com 7,7 milhões de pessoas em 2017, segundo pesquisa publicada pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR).

Economicamente, o peso da actividade industrial na Colômbia caiu de 25 para 12% do PIB entre 1970 e 2016, segundo dados do Banco Central da Colômbia. O sector bancário, pelo contrário, ganhou peso nos últimos anos e os seus activos atingiram 48% do PIB (quando o número era de 23% em 1990). 55% dos trabalhadores ganham menos que o salário mínimo.

O Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI) alerta para uma situação muito problemática na Colômbia. No seu último relatório, afirma: “os sistemas e ferramentas de combate ao branqueamento de capitais o financiamento do terrorismo não estão totalmente de acordo com a abordagem baseada no risco e existem lacunas importantes na supervisão das actividades.” Este relatório determina que a Colômbia ignorou a realidade do montante total de dinheiro lavado no país. Num estudo do Banco Mundial, estimou-se que o volume de activos lavados na economia colombiana equivale a 7,5% do PIB.

No campo democrático, a Colômbia é o país da região com o nível mais baixo de participação eleitoral em toda a América Latina. Entre 1994 e 2018, o número médio de abstenções para as nomeações presidenciais foi de 54,21%. Dois dados adicionais confirmam esta fragilidade do sistema democrático colombiano: a) no plebiscito sobre os acordos de paz, a abstenção foi de 62,57%). O popular referendo anticorrupção realizado em 2018 teve uma taxa de abstenção de 67,96%.

Por tudo isto, e por muito mais, proponho a Sua Excelência o Presidente da República da Colômbia, Sr. Ivan Duque Márquez, que convoque o Grupo De Lima para tentar obter ajuda para o seu país, que de acordo com os dados de várias organizações internacionais, bem precisa. Sugiro que vá às Nações Unidas ou, se preferir, à Organização dos Estados Americanos (OEA), para encontrar o apoio relevante para o seu país. E se nada disto lhe apetece, terá  sempre o concerto.

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This entry was posted on 6 de Março de 2019 by in Colômbia and tagged .

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