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ACORDEM

Bolsonaro nos EUA: prosperidade, segurança e democracia

Notas do tradutor: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo Bolsonaro en EE. UU.: prosperidad, seguridad y democracia

de do CELAG (El Centro Estratégico Latinoamericano de Geopolítica) – 12 Março, 2019

Os Estados Unidos será o primeiro destino oficial de Jair Bolsonaro como presidente. Depois de ser eleito, Bolsonaro recebeu a visita do conselheiro de segurança nacional de Donald Trump, John Bolton, e o secretário de Estado, Mike Pompeo compareceu à cerimónia de posse no dia 1º de Janeirode 2019. No início de Fevereiro, o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Ernesto Araújo, reuniu-se com o vice-presidente Mike Pence em Washington e, no final deste mês, a secretária adjunta do Departamento de Estado para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Kimberly Breier, esteve em Brasília com representantes de sociedade civil e autoridades governamentais. [1]

[1] https://www.celag.org/gira-guaido-ee-uu/

O encontro com Donald Trump, marcado para 19 de Março de 2019, terá como foco e segundo o comunicado do secretário de imprensa da Casa Branca, elementos para a construção de um “Hemisfério ocidental mais próspero, seguro e democrático”. Tópicos: comércio bilateral, cooperação em defesa e restauração da democracia na Venezuela.

Prosperidade

Poucos dias após ter tomado posse, o novo presidente brasileiro avançou no acordo para criar uma empresa conjunta entre a Boeing e a Embraer (brasileira- Ndt), avaliada em mais de US $ 4,7 bilhões e na qual a fabricante de aviões sediada em Chicago terá uma participação de 80%. Em Fevereiro, a fusão foi aprovada pelos accionistas da Embraer. [2]

[2] https://www.wilsoncenter.org/article/embraer-shareholders-approve-partnership-boeing

Da agenda comercial que será tratada pelos dois líderes, é importante destacar o interesse dos EUA na abertura do sector de hidrocarbonetos brasileiro, após o derrube de Dilma Rousseff.

Neste contexto, uma grande parte das empresas petrolíferas que ganharam licitações são dos EUA. Por exemplo, a Exxon obteve o bloco de Uirapuru, com o qual totalizou 2,2 milhões de acres sob seu poder. O consórcio entre a Petrobras, Chevron e Shell conquistou o bloco Três Marias; enquanto o bloco Dois Irmãos ficou para o consórcio Petrobras, Equinor (ex-Statoil) e BP. [3]

[3] https://markets.on.nytimes.com/research/stocks/news/press_release.asp?docTag=201806071043BIZWIRE_USPRX____BW5784&feedID=600&press_symbol=29004

Bolsonaro expressou o seu interesse em continuar com as políticas destinadas a promover a abertura energética [4], beneficiando grandemente as companhias petrolíferas dos Estados Unidos. Como exemplo disso, o actual ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, esteve recentemente em Washington onde abordou a questão num evento organizado pelo Instituto Brasil do Wilson Center,  falou sobre a nova governação do regime de exploração do «pré-sal» e afirmou que os investidores já têm total previsibilidade sobre as agendas na área de energia eléctrica, petróleo, gás e biocombustíveis no Brasil. Especificamente sobre as propostas de petróleo, há uma atribuição onerosa e a 16ª rodada de concessão será em Outubro e a sexta rodada da distribuição do pré-sal em Novembro. [5]

[4] https://www.nodal.am/2018/11/bolsonaro-admite-que-privatizara-parte-de-petrobras/

[5] http://www.mme.gov.br/web/guest/pagina-inicial/outras-noticas/-/asset_publisher/32hLrOzMKwWb/content/bento-albuquerque-debate-agenda-de-trabalho-em-washington

A 20 de Março de 2019, o Wilson Center realizará um evento intitulado “As consequências da visita do presidente Bolsonaro a Washington e as perspectivas da reforma económica”, que conta com a presença de representantes do FMI, do Conselho das Américas e de consultores financeiros. Segundo o think tank, a área mais promissora do diálogo bilateral – as relações económicas e comerciais, incluindo o aumento do investimento dos EUA no Brasil – “dependerá em grande medida da capacidade do novo governo brasileiro realizar as reformas necessárias no país, em particularmente a aprovação no Congresso Nacional brasileiro de uma significativa reforma nas pensões. [6]

[6] https://www.wilsoncenter.org/event/the-aftermath-president-bolsonaros-visit-to-washington-and-prospects-for-economic-reform

Defesa

O Brasil é o segundo parceiro comercial da indústria da defesa dos EUA na América Latina e no Caribe. Os elos em matéria de defesa e segurança em vigor há décadas foram aprofundados pelo governo ilegítimo de Michel Temer, com a criação de mecanismos como o Fórum de Segurança Permanente Brasil-USA, o estabelecimento do Diálogo entre as Indústrias de Defesa do Brasil e dos EUA e a assinatura de acordos científico-tecnológicos, como o Acordo sobre Troca de Informações sobre Pesquisa e Desenvolvimento (Master Information Exchange Agreement). [7]

[7] https://www.celag.org/bolsonaro-eeuu-union-dos-grandes/#_ftn14

É preciso lembrar que, antes da visita de Mike Pence a Temer em Junho de 2018, o governo brasileiro promulgou o «acordo-quadro» na área espacial como ponto de partida para o Acordo sobre Salvaguardas Tecnológicas que permite o uso partilhado da base de Alcântara. (Maranhão) para o lançamento de satélites. [8]

[8] https://www.celag.org/lo-que-pence-se-llevo-de-brasil/

É provável que na reunião de Trump e Bolsonaro surjam avanços substantivos na negociação. Esses acordos colocam dois dos principais países com uma agenda comum, o que geopoliticamente levantam preocupações sobre a crescente militarização do continente e o avanço dos EUA no Brasil. [9]

[9] https://www.celag.org/bolsonaro-eeuu-union-dos-grandes/

Venezuela

Um dos temas a ser discutido na viagem de Bolsonaro é a Venezuela e a construção de um hemisfério mais “próspero, seguro e democrático”. Na última reunião do Grupo Lima (GL), o vice-presidente Hamilton Mourao disse que “é possível devolver a Venezuela à democracia sem nenhuma medida extrema que nos confunda com agressores ou violadores da soberania nacional”. [10] A declaração saiu da linha intervencionista que outros membros do Grupo Lima têm. Assim, na reunião, é provável que uma declaração conjunta seja emitida e que sejam delineadas directrizes a seguir, para continuar com a entrega da “ajuda humanitária” na fronteira com a Venezuela.

[10] https://mundo.sputniknews.com/america-latina/201902251085716670-hamilton-mourao-comenta-crisis-venezolana/

A agenda da visita deixa claras as directrizes do gigante sul-americano aos imperativos geopolíticos da administração Trump: facilitar o acesso e a exploração dos recursos naturais, cooperar com a segurança hemisférica – isto é, americana – e garantir o isolamento da Venezuela na região.

O que se trata aqui, é o lançamento de mais uma lança norte americana na América, tirar proveito do «governo brasileiro» e   a sugar os recursos brasileiros.

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This entry was posted on 12 de Março de 2019 by in Brasil, USA and tagged , , .

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