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ACORDEM

Sanções dos EUA à Venezuela bloqueiam entrada de medicamentos matando milhares

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo “U.S. Sanctions Block Medicine from Venezuela, Killing Thousands

de Real News Network

1 de Julho de 2019

 

Venezuelanos comuns falam como as sanções tornaram cada vez mais difícil o acesso a medicamentos que salvam vidas.

Transcrição do vídeo

MIKE FOX: Carolina Subero é a mãe de três filhos, de um bairro pobre a leste de Caracas. Sua filha mais nova, Jenjerlys, é uma linda menina de 5 anos de idade. Mas ela é autista e epiléptica, o que significa que precisa de medicamentos. Ela não consegue ter medicamentos.

CAROLINA SUBERO: Ela tem convulsões todos os dias. Ontem à noite teve três. O medicamento ajuda a torná-los não tão ruins. Quando não conseguimos o remédio dela, eles mandam-na para o hospital.

MIKE FOX: Carolina diz que a sua filhinha costumava tomar quatro remédios diferentes para os ataques. Mas agora, por causa das sanções dos EUA que impedem a importação de medicamentos essenciais, Carolina só pode receber uma das drogas. E isso apenas algumas vezes, porque é muito caro. Uma caixa de comprimidos que durará 10 dias pode custar-lhe um mês de salário mínimo ou três sacos de farinha de milho arepa.

CAROLINA SUBERO: Eu tive que trocar comida pelo remédio. Eles vendem-no em caixas de 20 comprimidos e é muito caro porque vem de outro país. Eles querem magoar-nos.

MIKE FOX: Quando não consegue o remédio, os ataques de Jenjerlys podem ser maus.

CAROLINA SUBERO: Eu tive que a levar ao hospital onde ficou em terapia intensiva. Uma vez ela teve 20 convulsões, uma após a outra, e enviaram-na para tratamento intensivo.

MIKE FOX: O marido de Carolina envia dinheiro da Colômbia, onde foi procurar trabalho. Mas não é suficiente. Ela mora nesta casa com dois quartos, com a sua mãe, duas irmãs e as suas três meninas. 5 Pessoas dormem neste quarto. Carolina não éfã de Maduro mas não culpa o governo. O problema, segundo ela, são as sanções dos EUA.

CAROLINA SUBERO: Eles não se importam. Eles acham que estão a machucar o presidente Maduro mas estão realmente a machucar as pessoas. Se eles realmente quisessem algo de bom para a Venezuela, não estariam a fazer o que estão a fazer agora.

MIKE FOX: Os Estados Unidos impuseram algumas das primeiras sanções económicas à Venezuela em 2014. No ano seguinte, Obama decretou o país como uma ameaça à segurança nacional. Os bancos internacionais começaram a atrasar ou a congelar transacções, com medo das represálias dos EUA. Sob Trump as sanções intensificaram-se. Este ano, os Estados Unidos confiscaram a subsidiária Citgo, dos EUA. Também está a bloquear a Venezuela de exportar o petróleo do país, a fonte de 95% do PIB do país.

De acordo com a Venezuela, o governo americano congelou US $ 5,5 bilhões de dólares de fundos venezuelanos em contas internacionais em pelo menos 50 bancos e instituições financeiras. Isso tem dificultado drasticamente a capacidade do governo comprar remédios para pacientes com câncer e portadores de HIV, para quem o Estado há muito oferecia tratamento gratuito.

De acordo com um relatório recente do Centro de Pesquisa Económica e Política, com sede em Washington, provavelmente morreram cerca de 40.000 pessoas na Venezuela por causa das sanções dos EUA e estima-se que mais de 300.000 pessoas estejam em risco devido à falta de acesso a medicamentos ou tratamentos. Isso inclui 16.000 pessoas que precisam de diálise, 16.000 pacientes com câncer e cerca de 80.000 pessoas com HIV.

Marcel Quintana é o co-fundador do grupo de conscientização sobre LGBT, ASES Venezuela. É também o venezuelano que viveu mais tempo num país com HIV – 33 anos. Ele agora está encarregado da distribuição de medicamentos antivirais para os pacientes com HIV do país, algo que a Venezuela forneceu gratuitamente por décadas. Mas agora é quase impossível adquirir o remédio, que é todo importado.

MARCEL QUINTANA: Entendemos que a Organização Pan-Americana da Saúde teve que mudar as contas [usadas para comprar medicamentos] quatro vezes, porque continuam bloqueadas. O bloqueio não é apenas contra o governo, é contra as pessoas que vivem com o HIV, é contra as pessoas que vivem com câncer, porque eles não permitem que os medicamentos entrem no país. Eles estão a bloquear não apenas o país, mas a saúde das pessoas que vivem com o HIV. E isso é sério. Muito sério.

MIKE FOX: Quintana diz que por enquanto têm medicamentos para cobrir a população HIV do país. Mas se as sanções continuarem,  ficará sem opções.

MARCEL QUINTANA: Não são apenas as pessoas com HIV que vão morrer. São as pessoas que vão morrer com cancro. As pessoas que vão morrer com todas essas outras doenças que estavirem sob controlo. Você não acha que o bloqueio prejudicou todos? A Venezuela era um país que estava no topo do combate a todas essas doenças: sífilis, gonorreia e gonococos. Você sabe por que aumentaram? Porque no nosso país não chegam medicamentos para as doenças. Foi custoso e tedioso para os obter aqui, por causa do bloqueio.

MIKE FOX: O bloqueio está custar a vida de pessoas. Em Maio, quatro crianças morreram num hospital em Caracas, enquanto esperavam por transplantes de medula óssea a realizar num hospital italiano, fazendo estes parte de um programa internacional que está em vigor desde os anos 90. O pagamento, transferido da petroleira estatal venezuelana PDVSA, foi bloqueado pelo banco português Novo Banco. Dezenas mais, crianças e adultos ainda estão a aguardar o tratamento na Itália.

LEOMAR GONZALEZ: Nos ajude. Precisamos de ajuda para consertar isso, porque dependemos dos fundos da PDVSA.

MIKE FOX: De volta aos bairros pobres do leste de Caracas, Carolina tem uma mensagem especial para o presidente dos EUA, Donald Trump.

CAROLINA SUBERO: Eu gostaria de dizer ao presidente dos Estados Unidos que por favor tenha coração. Porque assim como no meu caso, há muito mais crianças em situações ainda piores e tem sido muito difícil conseguir remédios para nossos filhos.

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This entry was posted on 2 de Julho de 2019 by in Venezuela and tagged .

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