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“Sob os nossos olhos” (2/25) – Os Irmãos Muçulmanos como assassinos – 1ª parte

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

« Sous nos yeux » (2/25) – “Sob os nossos olhos” (2/25)

Tradução do artigo Les Frères musulmans en tant qu’assassins

Os Irmãos Muçulmanos como assassinos – 1ª parte

De Thierry Meyssan

Continuamos a publicação do livro de Thierry Meyssan, « Sous nos yeux ». Neste episódio, ele descreve a criação de uma sociedade secreta egípcia, a Irmandade Muçulmana e a sua reactivação após a Segunda Guerra Mundial pelo serviço secreto britânico. Por fim o uso desse grupo pelo MI6 para realizar assassinatos políticos nesta ex-colónia da coroa.

 Rede Voltaire / Damasco (Síria) 21 de Junho de 2019

 

Hassan el-Banna, fundador da sociedade secreta Irmandade Muçulmana. Sabemos pouco sobre sua família, excepto que eram relojoeiros; uma profissão reservada à  comunidade judaica no Egipto.

As “Primaveras Árabes”, vividas pela Irmandade Muçulmana

Em 1951, os serviços secretos anglo-saxónicos formaram a partir de uma antiga organização homónima, uma sociedade política secreta: a Irmandade Muçulmana. Usaram-na sucessivamente para assassinar personalidades que lhes resistiam, depois a partir de 1979 como mercenários contra os soviéticos. No início dos anos 90, a Irmandade foi incorporada  na NATO e no ano 2010 tentaram levá-la ao poder nos países árabes.

A Irmandade Muçulmana e a Ordem Sufi Naqchbandis foram financiadas anualmente no valor de US $ 80 bilhões pela família real saudita, tornando-a num dos maiores exércitos do mundo. Todos os líderes jihadistas, incluindo os do Daesh, pertencem a esse aparato militar.

1- A Irmandade Muçulmana Egípcia

Durante a Primeira Guerra Mundial, desapareceram quatro impérios: o Reich alemão, o Império Austro-Húngaro, a Rússia czarista sagrada e o Sublime Porta Otomana.

Os vencedores com o triunfo perderam o bom senso, com as condições impostas aos vencidos.

Assim, na Europa, o Tratado de Versalhes determina condições inaceitáveis à Alemanha e torna-a na única responsável pelo conflito.

No Oriente, o desmembramento do califado otomano deu errado: na Conferência de San Remo (1920), de acordo com os acordos secretos de Sykes-Picot-Sazonov (1916), foi permitido ao Reino Unido estabelecer um lar judeu na Palestina, enquanto a França colonizou a Síria (que na época  incluía  o actual Líbano).

No entanto, no que resta do Império Otomano, «Mustafa Kemal» revolta-se ao mesmo tempo contra o sultão que perdeu a guerra e contra os ocidentais que tomaram o seu país.

Na conferência de Sèvres (1920), cortam o califado em pedaços para criar todos os tipos de novos Estados, incluindo o Curdistão. A população turca-mongol da Trácia e da Anatólia revolta-se e leva Mustafa Kemal ao poder.

Por fim, a Conferência de Lausanne (1923) traça as fronteiras actuais, renuncia ao Curdistão e organiza transferências gigantescas de população que matam mais de meio milhão de pessoas

Mas, assim como na Alemanha Adolf Hitler contestará o destino do seu país, no Médio Oriente um homem opõe-se à nova divisão da região. Um professor egípcio fundou um movimento para restaurar o califado que os ocidentais derrotaram. Este homem é Hassan al-Banna e esta organização é a Irmandade Muçulmana (1928).

O Califa é, em princípio, o sucessor do Profeta a quem todos devem obedecer; um título cobiçado. Várias grandes linhagens de califas sucederam-se: os Omíadas, os Abássidas, os Fatímidas e os Otomanos. O próximo califa deveria  ser aquele que conquistasse o título, neste caso o “Guia Geral” da Irmandade, que viria a considerar-se o mestre do mundo muçulmano.

A sociedade secreta desenvolve-se muito rapidamente. Ela pretende trabalhar dentro do sistema para restaurar instituições islâmicas. Os candidatos devem jurar sobre o Alcorão e sobre uma espada ou sobre um revólver, a fidelidade ao fundador. O objectivo da Irmandade é exclusivamente político, mesmo que se exprima em termos religiosos. Nunca Hassan el-Banna nem os seus sucessores falarão do Islão como uma religião ou evocarão uma espiritualidade muçulmana.

Para eles, o Islão é um dogma, uma submissão a Deus e um meio de exercer poder. Obviamente, os egípcios que apoiam a Irmandade não a percebem assim. Eles a seguem porque ela afirma seguir Deus.

Para Hassan al-Banna (fundador da Irmandade Muçulmana – Ndt), a legitimidade de um governo não é medida pela sua  representatividade, como é o caso dos governos ocidentais, mas pela sua capacidade de defender o «modo de vida islâmico», ou seja, o do Egipto Otomano do século XIX.

A Irmandade nunca considera que o Islão tem uma história e que os estilos de vida muçulmanos variam consideravelmente de acordo com a região e o tempo. Nem jamais considerarão que o Profeta revolucionou a sociedade beduína e que o modo de vida descrito no Alcorão é apenas uma etapa fixa para esses homens.

Para eles, as regras penais do Alcorão – a Sharia – não correspondem a uma determinada situação, mas estabelecem leis imutáveis nas quais o Poder se pode apoiar.

O facto da religião muçulmana se espalhar com frequência pela espada justifica para a Irmandade o uso da força. Os Irmãos nunca reconhecerão que o Islão foi capaz de se espalhar pelo exemplo. Isso não impede Al-Banna e seus Irmãos de concorrer ao cargo – e perder. Se condenam os partidos políticos, não é por oposição à política multipartidária, mas porque, ao separar a religião da política, eles teriam caído em corrupção.

A doutrina da Irmandade Muçulmana é a ideologia do «Islão político», em francês é chamada de «Islamismo»; uma palavra que levantará celeuma.

Em 1936, Hassan el-Banna escreveu ao primeiro-ministro Mustafa el-Nahhas Pasha. Ele exige:

– «uma reforma da legislação e a união de todos os tribunais sob a sharia;
– Recrutamento das forças armadas, instituindo um serviço voluntário sob a bandeira da Jihad;
– A conexão dos países muçulmanos e a preparação da restauração do Califado, em aplicação da unidade exigida pelo Islão. »

Durante a Segunda Guerra Mundial, a Irmandade declarou-se neutra. Na realidade, ela transforma-se num serviço de inteligência do Reich. Mas desde a entrada dos Estados Unidos na guerra, quando o destino das armas parece ser revertido, ela faz jogo duplo e faz-se financiar pelos britânicos para lhes fornecer informações sobre o seu primeiro empregador. Ao fazê-lo, a Irmandade manifesta a sua total falta de princípios e o seu puro oportunismo político.

Em 24 de Fevereiro de 1945, os Irmãos tentaram a sorte e assassinaram o primeiro-ministro egípcio no meio de uma sessão parlamentar. Seguiu-se uma escalada de violência: seguiu-se uma escalada de violência – um movimento de repressão contra a Irmandade e uma série de assassinatos políticos, indo até ao assassinato do novo primeiro-ministro em 28 de Dezembro de 1948, e em retaliação, o assassinato de Hassan em 12 de Fevereiro de 1949. Pouco tempo depois, um tribunal instituído pela lei marcial condenou a maior parte da Irmandade a penas de prisão e dissolveu sua associação.

Essa organização secreta basicamente era um bando de assassinos que aspiravam a tomar o poder mascarando a sua luxúria por trás do Corão. Sua história deveria ter parado por aí. Não foi assim.

(Continua…)

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This entry was posted on 12 de Novembro de 2019 by in Irmandade Muçulmana, Livros, Sous nos yeux and tagged , , .

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