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Julian Assange:Lady Emma Arbuthnot, a juíza que supervisiona o processo de extradição de Julian Assange envolvida num conflito de interesses – 2 parte

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo The son of Julian Assange’s judge is linked to an anti-data leak company created by the UK intelligence establishment, de Matt Kennard e Mark Curtis  do Daily Maverick15 de Novembro de 2019 

Darktrace e os serviços secretos do Reino Unido

Legenda: Alexander Arbuthnot é o filho de Lady Emma Arbuthnot, a magistrada chefe de Westminster que supervisiona o processo de extradição de Julian Assange.

Darktrace, que Alexander Arbuthnot descreve como uma empresa de “cibersegurança baseada em inteligência artificial]”, foi criada por membros da comunidade dos serviços secretos do Reino Unido em Junho de 2013.

A GCHQ, a maior agência de vigilância do Reino Unido, abordou o investidor Mike Lynch  – considerado o empresário de tecnologia mais bem estabelecido da Grã-Bretanha – que depois intermediou uma reunião entre os oficiais da GCHQ e os matemáticos de Cambridge que co-fundaram a empresa.

Dados da  Darktrace mencionam abertamente “funcionários dos serviços secretos britânicos que fundaram a Darktrace”. É afirmado que a sua equipe inclui “membros seniores de agências de serviços secretos do Reino Unido e EUA, incluindo a Sede de Comunicações do Governo (GCHQ), o Serviço de Segurança Interna (MI5) e a NSA“.

Outro co-fundador da Darktrace foi Stephen Huxter, figura sénior da “equipe de defesa cibernética” do MI5 e que veio a ser director-gerente da empresa. Logo após o lançamento da companhia em Setembro de 2013, a Darktrace anunciou que o ex-director geral do MI5, Sir Jonathan Evans, tinha sido nomeado para o seu conselho consultivo. Huxter saudou a “reputação sem paralelo de Evans no campo das operações cibernéticas”.

Huxter contratou depois o veterano de 30 anos da GCHQ, Andrew France, como executivo-chefe da DarktraceAndrew, tal como Huxter, tinha-se envolvido no tratamento de “ameaças cibernéticas”, subindo para o cargo de director adjunto de operações de defesa cibernética da GCHQ, onde foi encarregado de “proteger os dados do governo” de ameaças cibernéticas.

Andrew France também está ligado ao pai de Alexander Arbuthnot, Lord Arbuthnot, que até Novembro de 2018 foi membro do conselho consultivo do Instituto de Gestão de Riscos  (IRM), uma consultoria de cibersegurança sediada em Cheltenham, casa do GCHQ. Andrew é listado como um dos “especialistas” do IRM.

Mais tarde, a Darktrace nomeou Dave Palmer, que tinha trabalhado no MI5 e GCHQ como director de tecnologia, enquanto John Richardson OBE, director de segurança, teve uma longa carreira “na segurança e serviços secretos do governo do Reino Unido” trabalhando em “defesa cibernética”.

A equipe da Darktrace também incluiu ex-altos cargos do MI6, ex-gerentes seniores do Ministério da Defesa do Reino Unido e veteranos das forças armadas do mesmo país, incluindo das forças especiais.

“Somos uma mistura de fantasmas e nerds“, diz Nicole Eagan, directora executiva da Darktrace, que agora tem mil funcionários e 40 escritórios espalhados por todo o mundo. Poppy Gustafsson, outra co-fundadora, disse que o seu trabalho a fez sentir como se estivesse “a viver uma história do romancista John le Carré”.

A “ameaça interna”

O investimento da Vitruvian na Darktrace, parece ter sido estabelecido em resposta às fugas de informações levada a cabo por  Bradley (agora Chelsea) Manning,  entregues no WikiLeaks de Julian Assange e,  às fugas de dados do denunciante da NSA, Edward Snowden.

Chelsea Manning, ex-analista de inteligência do Exército dos EUA que forneceu documentos secretos ao WikiLeaks em 2010. (Foto: Shawn Thew / EPA-EFE)

A Darktrace foi, de facto, incorporada apenas quatro dias após a publicação das primeiras revelações de Snowden pelo The Guardian em Junho de 2013. Isso mostrou que a GCHQ estava a operar programas de vigilância em massa.

Quando a Darktrace foi lançada, o Channel 4 News publicou:

“Na esteira das fugas massivas de dados de Edward Snowden e Bradley Manning, a Darktrace tem como alvos clientes corporativos e governamentais, prometendo rastrear funcionários problemáticos ou intrusos que já estejam dentro da firewall. ”

Outro artigo sobre o Darktrace, desta vez do Wired em 2018, referiu:

“Após a fuga de informações de Edward Snowden da NSA e da transferência de dados militares secretos de Chelsea Manning para o WikiLeaks, governos e empresas acordaram para os perigos da sabotagem vinda de dentro”.

Actualmente, Manning está preso nos EUA depois de recusar testemunhar perante o novo grande júri do caso em andamento sobre o WikiLeaks. As conversas de Assange com Manning formam a base da acusação nos EUA e das tentativas de Assange ser extraditado do Reino Unido.

Presidindo o processo legal no Reino Unido está a mãe de Alexander Arbuthnot, Lady Arbuthnot, que como juíza já tomou decisões anteriormente sobre Assange e agora supervisiona a juíza Vanessa Baraitser.

O MI5 e a GCHQ preocupam-se especialmente com fugas de materiais secretos do governo desde que o WikiLeaks publicou milhares de arquivos da CIA no seu “Vault 7” em Março de 2017. Os arquivos – a maior fuga na história da CIAmostraram como as agências do Reino Unido realizavam workshops com a CIA para encontrar maneiras de “invadir” dispositivos domésticos.

Darktrace aborda o desafio da ameaça vinda do interior”, declara a literatura promocional da empresa. Além disso acrescenta, “a ameaça interna deve ser controlada para evitar vulnerabilidades involuntárias ou fugas de dados”.

O principal produto da Darktrace, o “sistema imunológico corporativo”, é descrito como uma “tecnologia de inteligência artificial cibernética de autoaprendizagem que detecta desde o início novos ataques e ameaças internas”.

A empresa identifica o problema específico dos denunciantes afirmando que “a Darktrace começa com a premissa de que uma rede já foi infiltrada – e que parte do risco pode vir dos funcionários das empresas”.

É acrescentado que :

“Os funcionários mal-intencionados têm a vantagem de se familiarizar com as redes e informações que manipulam e, as suas credenciais permitem que extraiam dados mais sensíveis sem levantar sinais de alerta. Além disso, até funcionários bem-intencionados apresentam grandes riscos à segurança ”.

A tecnologia da Darktrace foi projectada especificamente para lidar com este problema.

À direita, o presidente dos EUA, Barack Obama e à esquerda o primeiro-ministro britânico David Cameron, numa conferência de imprensa na Casa Branca, em Washington DC, EUA, em 16 de Janeiro de 2015. Nicole Eagan, directora executiva da Darktrace, acompanhou Cameron nesta viagem a Washington DC e discutiu ‘política de segurança cibernética’ com o presidente Obama. (Foto: Michael Reynolds / EPA)

O grau de interacção entre as agências de inteligência e o seus ex-funcionários na Darktrace não é conhecido. No entanto, existem claramente conexões com os níveis mais altos dos governos do Reino Unido e  EUA.

Em Janeiro de 2015, Nicole Eagan acompanhou o primeiro ministro britânico David Cameron numa visita oficial a Washington DC, “para discutir política de segurança cibernética com o presidente dos EUA, Barack Obama”.

Não está claro como a empresa conseguiu obter uma audiência com o presidente dos EUA apenas um ano após o seu lançamento.

Eagan observou na época que:

“agentes hostis desenvolvem ataques cada vez mais furtivos e sofisticados a dados valiosos” e lamentou “o dano que essas ameaças podem causar a reputações duramente conquistadas”.

Ela também observou que “os métodos tradicionais de segurança não são mais suficientes. ”

Eagan também acompanhou Cameron noutra visita, desta vez à Ásia em Julho de 2015. Cameron disse que a Darktrace estava “a agitar a bandeira” para o Reino Unido. Ela também acompanhou a sucessora de Cameron, Theresa May,  ao Japão em Agosto de 2017. Dois dos fundadores da Darktrace foram premiados como Oficiais do Império Britânico no início deste ano.

1ª parte

3ª parte

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This entry was posted on 19 de Novembro de 2019 by in Europa, Jornalismo, Julian Assange, USA and tagged .

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