A Arte da Omissao

ACORDEM

Começou a descolonização de Israel

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo  La décolonisation d’Israël a commencé de Thierry Meyssan

( Começou a descolonização de Israel )

Já passaram três quartos de século quando uma colónia anglo-saxónica, arsenal americano, tentou conquistar todas as terras do Nilo ao Eufrates (Egipto, Palestina, Jordânia, Líbano, Síria e parte de Iraque).

E também há alguns anos que os cidadãos dessa mesma colónia aspiram transformá-la num Estado normal. Esse conflito de outra era alcançou um marco com a nomeação de um governo com duas cabeças: os dois primeiros-ministros que representam as duas visões políticas vão paralisar-se mutuamente. Os únicos avanços que poderão acontecer serão em termos sociais e de saúde, acelerando ainda mais a modernização da sociedade e, portanto, o fim da fantasia colonial.

 Rede Voltaire / Damasco (Síria) 26 de Maio de 2020

 

 

Israel é agora o único país do mundo a ser governado por dois primeiros-ministros; uma situação insustentável ..

A nomeação de um governo de coligação israelita não encerra a batalha feroz de seis anos entre as duas visões opostas e irreconciliáveis ​​de Israel [1], nem a paralisia governamental que dura há um ano e meio. Pelo contrário, marca o início da agonia de um dos dois protagonistas e a lenta transformação do país num Estado normal.

Não é por acaso que esse debate eclodiu sob os golpes do ex-soviético Avigdor Liberman (político israelita e membro do Knesset. Serviu como ministro da defesa de 2016 a 2018. É visto, pela imprensa, como um ultranacionalista e ultra direitista, mas também é conhecido como um secularista e defensor da solução dos dois Estados. Wikipédia) em torno dos privilégios dos estudantes das instituições «yeshiva». O ex-ministro da Defesa, ao afirmar que o álibi religioso não isenta ninguém do serviço nacional, contestou o ponto crucial da mentira sobre a qual Israel foi fundada, setenta e dois anos atrás.

O apelo do general Ehud Barack para acabar com Benjamin Netanyahu através dos tribunais falhou. Os partidários do sonho colonial ainda estão lá. Eles mergulharam os seus concidadãos numa espécie de terror ao convencê-los de que eram ameaçados por estrangeiros. Como nos dias dos guetos, para “os proteger”, trancaram-nos atrás de um muro que até os separava dos seus concidadãos árabes.

Relembremos que Israel não é o produto da cultura judaica, mas da vontade dos puritanos ingleses [2].

Foi no século XVII que o «Lorde Protector» Cromwell se comprometeu a criar um Estado judeu na Palestina, tema que não foi retomado durante a restauração dinástica. No século XVIII, os líderes da guerra da independência dos EUA, herdeiros de Cromwell, também votaram nessa criação, sendo o Reino Unido e os Estados Unidos os patrocinadores naturais dessa entidade. No século 19, o primeiro-ministro da rainha Victoria, Benjamin Disraeli, teorizou o sionismo como um instrumento do imperialismo britânico e incluiu a “Restauração de Israel” no programa do Congresso Internacional de Berlim em 1878. Naquela época, nenhum judeu apoiou este projecto excêntrico.

Cecil Rhodes, teórico do Império Britânico, foi o primeiro-ministro da colónia inglesa da Cidade do Cabo (África do Sul). Criou a empresa de diamantes De Beers e deu o seu nome à Rodésia. Os estatutos da Agência Judaica são apenas um cópia exacta daqueles que escreveu para a colonização da África do Sul.

Foi preciso esperar pelo «caso Dreyfus» na França para que Theodor Herzl (jornalista judeu austro-húngaro que se tornou fundador do moderno Sionismo político. Wikipédia) se tenha comprometido a converter a diáspora judaica no «sionismo» anglo-americano. Ele projectou um sistema colonial segundo o modelo posto em prática por Cecil Rhodes (projecto britânico de construção do caminho de ferro que ligaria o Cairo no Egipto ao Cabo na África do Sul – Ndt) na África e conseguiu reunir gradualmente muitos intelectuais judeus ateus.

Quando o governo britânico e americano foram ocupados por «puritanos» (David Llyod George e Woodrow Wilson) durante a Primeira Guerra Mundial, foi alcançado um acordo entre os dois países para criar Israel.

O princípio do “lar nacional judeu” foi tornado público através de uma carta do ministro das Relações Exteriores, Lord Balfour a Lord «Rotschild». O então presidente Wilson estabeleceu oficialmente a criação de Israel como um dos 14 objectivos da guerra dos Estados Unidos. Unidos. Na conferência de paz, o Emir Fayçal subescreveu o projecto sionista e prometeu apoiá-lo.

Os judeus começaram a colonizar a Palestina com a ajuda da burguesia local à custa do povo comum, e depois começaram a emancipar-se de Londres. Em 1948, um judeu ateu, BenGurion, proclamou a independência de Israel antes que as Nações Unidas definissem as suas fronteiras. Só então os rabinos apoiaram maciçamente o projecto colonial.

Durante setenta e dois anos, a Palestina suporta uma guerra perpétua. Após várias ondas sucessivas de imigração, o Estado de Israel inventou do nada a “cultura” em torno de um povo imaginário (incluindo grupos étnicos que vão do Cáucaso à Etiópia), uma linguagem artificial (o hebraico actual que tem pouca conexão com antiga linguagem falada e é escrita em caracteres aramaicos) e uma história fictícia (apesar das objecções da Unesco, confunde-se a antiga cidade-Estado de Jerusalém com o Estado de Israel). A assimilação dessa criação intelectual ao projecto colonial puritano solidificou-se em torno de uma interpretação sagrada de certos crimes nazis, descritos como “holocausto” pelos puritanos e “shoah” pelos judeus.

Nada nessa construção falsa resiste à análise. Tudo é feito para o fazer acreditar na continuidade de um povo e um Estado, quando é apenas uma colónia anglo-saxónica.

No entanto, todos os Estados coloniais desapareceram hoje com a excepção de Israel, e com o passar do tempo, a maioria dos israelitas nasceu já em Israel. Agora coexistem, duas concepções desse Estado:

  • Por um lado, os partidários do colonialismo anglo-saxão que reivindicam soberania sobre as terras do Nilo ao Eufrates.Acreditam ser uma ilha pirata que abriga criminosos de todo o mundo e recusam qualquer acordo de extradição.Afirmam-se como o “povo escolhido”, superior a outros homens e consideram Israel o «Estado Judaico».

  • Por outro, pessoas que querem viver em paz com os seus vizinhos, qualquer que seja sua religião ou falta dela e qualquer que seja a sua etnia. Não querem ter nada a ver com as fantasias coloniais dos séculos passados, mas não querem abandonar nada do que herdaram dos seus pais, mesmo que eles tenham roubado. Eles gostariam que os problemas sociais da sua terra natal fossem resolvidos.

Estas são a duas visões inconciliáveis ​​incorporadas pelos primeiros-ministros, Benjamin Netanyahu e pelo seu “vice” general Benny Gantz.

Este par nunca será capaz de resolver qualquer conflito com os povos árabes. No máximo, poderá considerar as terríveis injustiças do país. Por exemplo, quase 50.000 cidadãos que passaram pelos campos de extermínio nazis sobrevivem hoje no país como podem, sem auxílio estatal que os ignora, mas que descontaram as indemnizações que lhes foram destinadas enquanto fingiam salvá-los.

Pela simples pressão do Tempo e Demografia, depois de três eleições consecutivas e sucessivas, é iniciada a descolonização de Israel.

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This entry was posted on 26 de Maio de 2020 by in Israel, Palestina and tagged , .

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