Washington e Teerão concluíram um acordo para nomear Mustafa al-Kadhimi, um dos assassinos do general Qassem Soleimani (major-general iraniano da Guarda Revolucionária Islâmica -Ndt), para o cargo de primeiro-ministro do Iraque.

Apesar de ter dupla nacionalidade britânica e iraquiana, al-Kadhimi é declaradamente próximo da CIA. Ele fez parte do governo iraquiano no exílio criado por Washington em torno de Ahmad Chalabi para derrubar o presidente Saddam Hussein. Ele também é próximo da Arábia Saudita, cujo príncipe herdeiro, MBS, foi a primeira figura estrangeira a felicitá-lo pela sua nomeação.

Ele trabalhou como jornalista na Al-Monitor e, posteriormente, actuou como director dos serviços secretos do Iraque. Foi o rosto iraquiano da dupla operação que, em Janeiro de 2020, matou Qasem Soleimani, principal general da Guarda Revolucionária Iraniana, e Abu Mahdi al-Mouhandis, vice-chefe da Al-Hashd Al-Sha’abi (milícia iraquiana pró-iraniana))

O general Qasem Soleimani foi considerado por unanimidade como o principal arquitecto da derrota regional do Daesh no terreno. A sua morte foi vivida como uma tragédia, não apenas pelo povo iraniano, mas por todos aqueles que no Médio Oriente sofreram nas mãos do Daesh. O líder da Revolução Iraniana, o aiatolá Ali Khamenei, e o secretário-geral do Hezbollah do Líbano, Hassan Nasrallah, realmente lamentaram a sua morte.

Surpreendentemente, o governo iraniano do xeque Hassan Rohani também se juntou ao choro, quando não era segredo que ele desprezava Soleimani e via-o como um sério rival político. Muitos ainda acreditam que o Presidente Rohani esteve envolvido no seu assassinato.

Seja como for, a nomeação de Mustafa al-Kadhimi como primeiro-ministro iraquiano certifica que:


1. Desde 2003, os Estados Unidos e o governo iraniano, uniram-se continuamente na supervisão da vida política iraquiana, apesar de discordarem sobre outros assuntos.

2.O assassinato do general Soleimani não apenas não provocou nenhuma acção retaliatória significativa, mas foi experimentado como uma chamada justificado à ordem. A morte do principal chefe militar xiita e algumas semanas antes do principal chefe militar sunita, o califa Abu Bakr al-Baghdadi, marcam a recuperação do controle por parte de Trump da situação no Médio Oriente.