A Arte da Omissao

ACORDEM

Quem Está por Trás da Juíza que Processa Assange?

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo Chi c’è dietro la giudice che processa Assang

de Manlio Dinucci

 

 Rede Voltaire / Roma (Itália)  15 de Setembro de 2020

 

Emma Arbuthnot é a magistrada que instruiu em Londres o processo de extradição de Julian Assange para os EUA, onde poderá ser condenado a uma pena de 175 anos de prisão por «espionagem», ou seja, por ter publicado como jornalista de investigação, evidências de crimes de guerra dos Estados Unidos, incluindo vídeos de massacres de civis no Iraque e no Afeganistão. No julgamento, atribuído à Juíza Vanessa Baraitser, todos os pedidos da defesa foram rejeitados.

Em 2018, depois das acusações de agressão sexual na Suécia terem caído, a juíza Arbuthnot recusou cancelar o mandado de prisão para que Assange não pudesse obter asilo no Equador.

Emma Arbuthnot rejeitou as conclusões do Grupo de Trabalho da ONU sobre a detenção arbitrária de Assange. Também não ouviu as do oficial da ONU sobre a tortura: «Assange, detido em condições extremas de isolamento injustificado, mostra os sintomas típicos de uma exposição prolongada à tortura psicológica».

Em 2020, enquanto milhares de detidos foram transferidos para prisão domiciliar como medida anti coronavírus, Assange foi deixado na prisão, exposto à infecção em condições físicas comprometidas. No tribunal, Assange não pode consultar os advogados, mantido isolado uma gaiola de vidro blindada e ameaçado de expulsão se abrir a boca. O que está por trás dessa persistência?

Arbuthnot tem o título de “Lady”, casada com Lord James Arbuthnot, um conhecido “falcão” Tory, ex-Ministro das Compras de Defesa, ligado ao complexo militar-industrial e aos serviços secretos. Lord Arbuthnot é, entre outras coisas, o presidente do conselho consultivo britânico da Thales, uma multinacional francesa especializada em sistemas militares aeroespaciais, e membro da Montrose Associates, especializada em inteligência estratégica (cargos altamente pagos).

Lord Arbuthnot faz parte do Henry Jackson Society (HJS), um influente think tank transatlântico ligado ao governo e à inteligência dos EUA. Em Julho passado, o secretário de Estado americano Mike Pompeo falou numa mesa redonda do HJS em Londres: quando director da CIA em 2017, acusou o WikiLeaks fundado por Assange, de ser «um serviço de espionagem inimigo».

A mesma campanha é conduzida pelo Henry Jackson Society, que acusa Assange de “semear dúvidas sobre a posição moral dos governos democráticos ocidentais, com o apoio de regimes autocráticos». No conselho político do HJS, ao lado de Lord Arbuthnot, estava até recentemente Priti Patel, a actual secretária do interior do Reino Unido, responsável pela ordem de extradição de Assange.

A campanha de extradição de Assange, dirigida por Lord Arbuthnot e outros personagens influentes, está essencialmente ligada a Lady Arbuthnot.

Ela foi nomeada pela Rainha como magistrada-chefe em Setembro de 2016, depois do WikiLeaks ter publicado em Março os documentos mais comprometedores para os EUA. Isso inclui e-mails da secretária de Estado Hillary Clinton que revelam o verdadeiro propósito da guerra da NATO contra a Líbia: impedir que a Líbia usasse as suas reservas de ouro para criar uma moeda pan-africana alternativa ao dólar e ao franco CFA, a moeda imposta pela França em 14 ex-colónias.

O verdadeiro “crime” pelo qual Assange é julgado é o de ter aberto fissuras na parede do silêncio político-mediático que cobre os reais interesses das elites poderosas que, operando num “estado profundo”, jogam a carta da guerra. É esse poder oculto que sujeita Julian Assange a um julgamento, instruído por Lady Arbuthnot, que relembra os da Santa Inquisição como um tratamento para os acusados.

Se for extraditado para os EUA, Assange será submetido a «medidas administrativas especiais» muito mais duras que as britânicas: ficará isolado numa pequena cela, não poderá contactar a família, nem mesmo por meio de advogados que, se levarem uma mensagem sua, serão incriminados. Por outras palavras, será condenado à morte.

artigos relacionados:

Julian Assange:Lady Emma Arbuthnot, a juíza que supervisiona o processo de extradição de Julian Assange envolvida num conflito de interesses – 1 parte

WikiLeaks não invade nem viola. Como qualquer outro jornalista de investigação que não identifica as suas fontes, o wikiLeaks é um receptáculo,  leva  a público o que este deve saber sem divulgar as suas fontes.
Se Assange for condenado, abre-se uma caixa de pandora para o jornalismo não corporativo.

 

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This entry was posted on 19 de Setembro de 2020 by in Jornalismo, Julian Assange and tagged .

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