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Investigação dos Arquivos FinCEN:bancos globais desafiam as repressões dos EUA ao servirem oligarcas, criminosos e terroristas- 1

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo  Global banks defy U.S. crackdowns by serving oligarchs, criminals and terrorists

do

Principais conclusões

  1. Gigantes financeiros globais movimentaram uma enxurrada de dinheiro sujo vinculado a mafiosos, fraudadores e regimes corruptos.
  2. Os grandes bancos transferem dinheiro para pessoas que eles não conseguem identificar e, em muitos casos, só relatam as transacções suspeitas anos após o facto
  3. Multas governamentais e ameaças de processos criminais contra bancos não impediram uma onda de pagamentos ilícitos.

Investigação dos Arquivos FinCEN: perguntas

 

Documentos secretos do governo dos EUA revelam que o JPMorgan Chase, HSBC e outros grandes bancos desafiaram as repressões contra a lavagem de dinheiro ao movimentarem somas incríveis de dinheiro ilícito para personagens obscuros e redes criminosas que espalharam o caos e minaram a democracia por todo o mundo.

Os registos mostram que cinco bancos globais – JPMorgan, HSBC, Standard Chartered Bank, Deutsche Bank e Bank of New York Mellon – continuaram a lucrar com jogadores poderosos e perigosos, mesmo depois das autoridades dos EUA as terem multado por falhas anteriores em conterem os fluxos de dinheiro sujo.

As agências norte-americanas responsáveis por fazer cumprir as leis sobre lavagem de dinheiro raramente processam os megabancos que violam a lei, e as acções que as autoridades decidem mal afectam a enxurrada de dinheiro saqueado e que se espalha pelo sistema financeiro internacional.

Em alguns casos, os bancos continuaram a movimentar fundos ilícitos mesmo depois das autoridades americanas os advertiram que enfrentariam processos criminais se não parassem de fazer negócios com mafiosos, fraudadores ou regimes corruptos.

Os documentos expostos, revelam que o JPMorgan, o maior banco com sede nos Estados Unidos, movimentou dinheiro para pessoas e empresas vinculadas ao saque maciço de fundos públicos na Malásia, Venezuela e Ucrânia.

Os registos mostram que o banco movimentou mais de US $ 1 bilhão para o financeiro fugitivo que esteve por trás do escândalo do  fundo 1MDB da Malásia, e mais de US $ 2 milhões para a empresa de energia de um jovem magnata que foi acusado de enganar o governo da Venezuela e ajudar a causar apagões eléctricos que paralisaram grande parte do país. (por cá vinculava-se que a culpa era do governo de Chaves – Ndt)

Os registos também mostram que o JPMorgan processou mais de US $ 50 milhões em pagamentos ao longo de uma década a Paul Manafort, o ex-gerente de campanha do presidente Donald Trump. O banco movimentou pelo menos US $ 6,9 milhões em transacções de Manafort nos 14 meses seguintes à sua demissão da campanha, no meio de um turbilhão de alegações de lavagem de dinheiro e acusações de corrupção, decorrentes do seu trabalho com um partido político pró-russo na Ucrânia.

Consulte «aqui» o quadro dos clientes confidenciais

As transacções contaminadas continuaram a aumentar através das contas no JPMorgan, apesar das promessas do banco de melhorar os seus controles de lavagem de dinheiro como parte dos acordos feitos com as autoridades dos EUA em 2011, 2013 e 2014.

Em resposta a perguntas sobre esta história, o JPMorgan disse que estava legalmente proibido de falar sobre clientes ou transacções. Disse que assumiu um “papel de liderança” na busca de “investigações proactivas lideradas por inteligência” e no desenvolvimento de “técnicas inovadoras para ajudar a combater o crime financeiro”.

Os documentos secretos mostram que o HSBC, o Standard Chartered Bank, o Deutsche Bank e o Bank of New York Mellon também continuaram a fazer pagamentos suspeitos, apesar das promessas semelhantes feitas às autoridades governamentais.

Os documentos expostos, conhecidos como Arquivos FinCEN, incluem mais de 2.100 relatórios de actividades suspeitas apresentados pelos bancos e outras empresas financeiras à Rede de Execução de Crimes Financeiros do Departamento do Tesouro dos EUA. A agência, conhecida como FinCEN, unidade de inteligência no coração do sistema global de combate à lavagem de dinheiro.

O BuzzFeed News obteve os registos e partilhou-os com o Consórcio Internacional de Jornalistas de investigação (ICIJ) que organizou uma equipe de mais de 400 jornalistas de 110 organizações de notícias em 88 países para investigar o mundo dos bancos e da lavagem de dinheiro.

Ao todo, a análise do ICIJ encontrou documentos que identificam mais de US $ 2 triliões em transacções entre 1999 e 2017, sinalizadas por oficiais de conformidade internos de instituições financeiras, como possível lavagem de dinheiro ou outra actividade criminosa – incluindo US $ 514 bilhões no JPMorgan e US $ 1,3 trilião no Deutsche Bank.

Os relatórios das actividades suspeitas reflectem as preocupações dos vigilantes dos bancos e não são necessariamente evidências de conduta criminosa ou outros delitos.

“As instituições financeiras abandonaram os seus papéis de defesa da linha de frente contra a lavagem de dinheiro”- Paul Pelletier

Embora seja uma quantia vasta, os US $ 2 triliões em transacções suspeitas identificadas neste conjunto de documentos são apenas uma gota de uma inundação muito maior de dinheiro sujo que jorra pelos bancos ao redor do mundo. Os arquivos FinCEN representam menos de 0,02% dos mais de 12 milhões de relatórios de actividades suspeitas que as instituições financeiras protocolaram no FinCEN entre 2011 e 2017.

O FinCEN e o seu controlador, o Departamento do Tesouro, não responderam a uma série de perguntas enviadas no mês passado pelo ICIJ e seus parceiros. O FinCEN disse ao BuzzFeedNews que não comenta sobre a “existência ou não” de relatórios específicos de actividades suspeitas, às vezes conhecidos como SAR. Dias antes do lançamento da investigação pelo ICIJ e seus parceiros, a FinCEN anunciou que estava à procura de comentários públicos sobre as maneiras de melhorar o sistema anti lavagem de dinheiro dos EUA. (hilariante – Ndt)

Os relatórios de actividades suspeitas – juntamente com centenas de ficheiros em excel cheias de nomes, datas e números – sinalizam clientes de bancos em mais de 170 países que foram identificados como envolvidos em transacções potencialmente ilícitas.

Junto com a análise dos Arquivos FinCEN, o ICIJ e seus parceiros obtiveram mais de 17.600 outros registos de insiders e denunciantes, arquivos judiciais, solicitações de liberdade de informação e outras fontes. A equipe entrevistou centenas de pessoas, incluindo especialistas em crimes financeiros, policiais e vítimas de crimes.

De acordo com o BuzzFeed News, alguns dos registos secretos foram solicitados como parte das investigações do Congresso dos EUA sobre a interferência russa nas eleições presidenciais dos EUA de 2016. Ainda de acordo com o BuzzFeed News  foram reunidos outros registos pelo FinCEN após pedidos de agências de aplicação da lei.

Os arquivos FinCEN oferecem uma visão sem precedentes do mundo secreto de bancos internacionais, clientes anónimos e, em muitos casos, crimes financeiros. Eles mostram bancos a mover cegamente dinheiro através das suas contas, para pessoas que eles não conseguem identificar, deixando de relatar as transacções com todas as marcas da lavagem de dinheiro até anos depois do facto ocorrido, mesmo fazendo negócios com clientes envolvidos em fraudes financeiras e escândalos públicos de corrupção.

As autoridades dos Estados Unidos, que desempenham um papel de liderança na batalha global contra a lavagem de dinheiro, ordenaram que os grandes bancos reformassem as suas práticas, multaram-nos em centenas de milhões e até bilhões de dólares e fizeram ameaças de acusações criminais contra eles, como parte dos tais chamados acordos de acção penal diferidos. (e essas acções valeram? Quem os têm para enfrentar este sistema podre? – Ndt)

A investigação de 16 meses do ICIJ e seus parceiros mostra que essas tácticas de fazer manchetes não funcionaram. Os grandes bancos continuam a desempenhar um papel central na movimentação de dinheiro vinculado à corrupção, fraude, crime organizado e terrorismo.

“Ao falharem totalmente em evitar transacções corruptas em grande escala, as instituições financeiras abandonaram os seus papéis como defesas da linha de frente contra a lavagem de dinheiro”, disse Paul Pelletier, ex-oficial sénior do Departamento de Justiça dos EUA e promotor de crimes financeiros ao ICIJ. Ele disse que os bancos sabem que “operam num sistema que é praticamente desdentado”.

Segundo os registos secretos, cinco dos bancos que aparecem com mais frequência nos arquivos do FinCEN – Deutsche Bank, Banco de Nova York Mellon, Standard Chartered, JPMorgan e HSBCviolaram repetidamente as suas promessas oficiais de bom comportamento.

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This entry was posted on 21 de Setembro de 2020 by in Arquivos FinCEN and tagged .

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