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ACORDEM

A política externa de Joe Biden

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A arte da guerra

La politique étrangère de Joe Biden

de Manlio Dinucci

O presidente Biden estando notoriamente senil, não poderá exercer o poder. Essa responsabilidade caberá ao Secretário-Geral da Casa Branca, que ele irá indicar. A sua agenda em termos de política externa já foi traçada por um grande painel bipartidário. Sua secretária de Estado deverá ser a ex-conselheira de segurança do presidente Obama, Susan Rice

 Rede Voltaire / Roma (Itália) 10 de Novembro de 2020

 

Quais são as linhas do programa de política externa que Joe Biden implementará quando se instalar na Casa Branca?

Ele pré-anunciou-o num artigo detalhado na revista Foreign Affairs, que serviu de base para a Plataforma 2020 aprovada em Agosto pelo Partido Democrata. O título por si é eloquente:

“Porque é que a América deve  liderar / salvar novamente a política externa dos EUA  após Trump”  [1]. Biden sintetiza assim o seu programa para a política externa: enquanto «o presidente Trump diminuiu, enfraqueceu, abandonou aliados e parceiros, abdicou da liderança americana como presidente, agirei imediatamente para renovar as alianças dos Estados – Unidos, e fazer com que a América, mais uma vez, lidere o mundo ”.

O primeiro acto será fortalecer a NATO, que é “o próprio coração da segurança nacional dos Estados Unidos”. Para isso, Biden fará os «investimentos necessários» para que os Estados Unidos mantenham «a força militar mais poderosa do mundo» e, ao mesmo tempo, garantirá que «os nossos aliados da NATO aumentem os seus gastos com Defesa» de acordo com os compromissos já tomadas pela administração Obama-Biden.

O segundo acto será convocar, no seu primeiro ano de presidência, uma «Cúpula Mundial pela Democracia»: onde participarão «as nações do mundo livre e as organizações da sociedade civil de todo o mundo que estão na vanguarda da defesa da democracia». A Cúpula decidirá sobre a «acção colectiva contra as ameaças globais».

Em primeiro lugar, para «impedir a agressão russa, mantendo afiadas as capacidades militares da Aliança e impondo custos reais à Rússia pelas violações dos padrões internacionais»; e simultaneamente, para «construir uma frente única contra as acções ofensivas e abusos dos direitos humanos por parte da China, que está a expandir o seu alcance global».

Como «o mundo não se organiza por si só», ressalta Biden, os Estados Unidos devem «assumir novamente o papel de guia na redacção das regras, como o fez durante 70 anos sob presidentes democratas e republicanos, até a chegada de Trump». Esses são os princípios básicos do programa de política externa que o governo Biden está empenhado em seguir.

Esta agenda – desenvolvida com a participação de mais de 2.000 conselheiros da política externa e segurança nacional, organizados em 20 grupos de trabalho – não é apenas a agenda de Biden e do Partido Democrata. É, de facto, a expressão de um partido transversal, cuja existência é demonstrada pelo facto das decisões fundamentais da política externa, sobretudo as relativas às guerras, serem tomadas nos Estados Unidos de forma bipartidária.

Confirma-o o facto de mais de 130 altas patentes republicanas (aposentadas e em exercício) emitiram em 20 de Agosto uma declaração de voto contra o republicano Trump e a favor do democrata Biden [2]. Entre eles, está John Negroponte, nomeado pelo presidente George W. Bush em 2004-2007, primeiro embaixador no Iraque (com a missão de suprimir a resistência), então director do serviço secreto dos EUA.

Confirma-o o facto de que o democrata Biden, então presidente da Comissão das Relações Exteriores do Senado, apoiou em 2001 a decisão do presidente republicano Bush de atacar e invadir o Afeganistão, e em 2002 apresentou uma resolução bipartidária de 77 senadores que autorizaram o presidente Bush a atacar e invadir o Iraque, acusando-o (mais tarde revelado como falso) de possuir armas de destruição em massa.

Também durante a administração Bush, quando as forças dos EUA não conseguiram controlar o Iraque ocupado, Joe Biden aprovou no Senado em 2007 um plano de «descentralização do Iraque em três regiões autónomas – curda, Sunitas e xiitas»: por outras palavras, o desmembramento do país para servir a estratégia dos EUA.

Da mesma forma, quando Joe Biden cumpriu dois mandatos como vice-presidente do governo Obama, os republicanos apoiaram as decisões democratas sobre a guerra na Líbia, a operação na Síria e o novo confronto com a Rússia.

O partido transversal, que não aparece nas urnas, continua a trabalhar para que «a América, mais uma vez, guie o mundo»

[1] “Why America Must Lead Again. Rescuing U.S. Foreign Policy After Trump”, by Joseph R. Biden Jr., Foreign Affairs, March/April 2020.

[2] “A Statement by Former Republican National Security Officials”, Voltaire Network, 20 August 2020.

 

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This entry was posted on 22 de Novembro de 2020 by in USA and tagged .

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