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Os exércitos secretos da NATO – PREFÁCIO

Exércitos secretos da NATO ligados ao terrorismo?

NATO’s Secret Armies (“Os Exércitos Secretos da Nato”), foi publicado em 2005 pelo investigador suíço Daniele Ganser, professor de História Contemporânea na Universidade da Basileia. Nele, apresenta ao mundo  como ao longo de 50 anos os Estados Unidos da América, prepararam e executaram diversos atentados na Europa Acidental, atribuindo a responsabilidade à esquerda anti-imperialista, tendo como único objectivo, desacreditar a resistência europeia perante os próprios europeus no contexto da Guerra Fria. Segundo o autor, não há garantias que a estratégia tenha ficado para trás. Pelo contrário, o estratagema da “guerra contra o terror” continua a ser usado nos dias de hoje.

Nesta Obra, Ganser descreve as operações clandestinas da NATO durante a guerra fria. A sua investigação foi despoletada por uma história que fez as manchetes do mundo em 1990, mas que rapidamente desapareceu, assegurando que mesmo hoje os exércitos secretos da NATO permaneçam isso mesmo – secretos. Até agora, nenhuma investigação completa aos exércitos secretos da NATO foi levada a cabo – uma tarefa que Ganser resolveu empreender sozinho e com bastante sucesso.

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

PREFÁCIO

No auge da Guerra Fria, existia efectivamente na Europa uma linha da frente.

Winston Churchill certa vez chamou-a de Cortina de Ferro e disse que ela ia de Szczecin, no Mar Báltico a Trieste, no Mar Adriático. Ambos os lados implantaram o poder militar ao longo desta linha na expectativa de um grande combate. As potências da Europa Ocidental criaram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) precisamente para lutar nessa esperada guerra, mas a força que podiam reunir permaneceu limitada.

A União Soviética e, depois de meados da década de 1950, o Bloco Soviético, tinha consistentemente um número maior de tropas, tanques, aviões, canhões e outros equipamentos. Este não é o lugar para separar análises do equilíbrio militar, para dissecar questões de tácticas quantitativas versus qualitativas, ou rígidas versus flexíveis. Em vez disso, a questão é que por muitos anos houve uma certa expectativa de que um número maior prevaleceria e os soviéticos poderiam ser capazes de dominar toda a Europa.

O planeamento para o dia em que a Guerra Fria aquecesse, dada a esperada ameaça soviética, necessariamente levou a pensamentos de como conter a ocupação militar russa na Europa Ocidental. Tal sugeriu de imediato uma comparação com a Segunda Guerra Mundial, quando os movimentos de resistência em muitos países europeus atormentaram os ocupantes nazis. Entre 1939-1945, as forças da resistência antinazi tiveram que ser improvisadas. Tanto melhor, raciocinaram os planeadores, se todo o empreendimento pudesse ser preparado e equipado com antecedência.

Os agentes executores da criação das redes stay-behind foram a Central Intelligence Agency (CIA) dos Estados Unidos e o Secret Intelligence Service (SIS ou MI6) do Reino Unido. Outros actores importantes incluíram serviços de segurança de vários países europeus. Em todos os casos, foram utilizadas técnicas idênticas. Os serviços secretos esforçaram-se para estabelecer redes distintas de espionagem sobre os eventuais ocupantes, ou seja, de espionagem, de sabotagem, ou para subverter uma ocupação inimiga. Para estabelecer as redes, a CIA e outros recrutaram indivíduos dispostos a participar nessas actividades perigosas, muitas vezes permitindo que tais agentes iniciais ou chefes recrutassem adicionais adicionais. Os serviços secretos forneceram algum treino, criaram esconderijos para armas, munições, equipamento de rádio e outros itens para as suas redes e estabeleceram canais regulares de contacto. O grau de cooperação em alguns casos foi até à realização de exercícios com unidades militares ou forças paramilitares. O número de recrutas para os exércitos secretos variou de dezenas em algumas nações a centenas ou mesmo milhares noutras.

O exemplo da resistência foi sempre óbvio. Observadores da secreta Guerra Fria presumiram a existência das redes; portanto, há referências ocasionais às redes stay-behind nas memórias e na literatura sobre espionagem. Mas, de um modo geral, o assunto foi reconhecido com uma piscadela e um aceno de cabeça, até quase ao fim da Guerra Fria. No Verão de 1990, após o colapso dos regimes dominados pelos soviéticos na Europa Oriental, mas antes da desintegração final da União Soviética, o governo italiano tornou pública a existência desse tipo de rede na Itália. Ao longo dos anos, tem havido um fluxo recorrente de revelações sobre redes semelhantes em muitos países europeus, e em vários países ocorreram mesmo investigações oficiais.

Pela primeira vez neste livro, Daniele Ganser reuniu toda a história das redes que os italianos passaram a chamar de ‘Gladio‘. Esta é uma história significativa e perturbadora. A noção do projecto nos serviços secretos começou sem dúvida como um esforço para criar forças que permaneceriam inactivas até que a esperada guerra as colocasse em acção. Em vez disso, num país após o outro, encontramos os mesmos grupos de indivíduos ou células originalmente activados para a função em tempo de guerra, a começar a exercer a sua força em processos políticos locais em tempo de paz.

Por vezes, esses esforços envolveram violência, até terrorismo. Por vezes os terroristas faziam uso do próprio equipamento que lhes foi dado para ser usado na Guerra Fria. Pior ainda, a polícia e os serviços de segurança em vários casos optaram por proteger os perpetradores das crimes para preservar as suas capacidades na Guerra Fria. Essas últimas acções resultaram na supressão efectiva do conhecimento sobre as redes Gladio, muito depois das suas actividades se tornaram não apenas contraproducentes, como também perigosas.

Extraindo evidências de inquéritos parlamentares, relatos de investigações, fontes documentais, julgamentos e indivíduos que entrevistou, Ganser rastreia a revelação da Gladio em muitos países e preenche o registo do que essas redes realmente fizeram. Muitas das realizações da Gladio foram na verdade antidemocráticas, minando a própria estrutura das sociedades que deveriam proteger. Além disso, ao colocar os registos em diferentes nações lado a lado, a pesquisa de Ganser mostra um processo comum de funcionamento. Ou seja, as redes criadas para serem quiescentes tornaram-se activistas em causas políticas como regra e não como excepção.

Por mais profunda que tenha sido a pesquisa do Dr. Ganser, há um lado da história da redes Gladio que ele ainda não pode revelar. Tal relaciona-se com as acções propositadas da CIA, MI6 e outros serviços secretos. Por exemplo, devido ao sigilo dos registos governamentais dos Estados Unidos, ainda não é possível esboçar detalhadamente as ordens da CIA às suas redes, o que poderia mostrar se houve um esforço deliberado para interferir nos processos políticos dos países onde as redes Gladio estiveram activas. Houve esforços reais realizados por agentes Gladio, mas as ordens dos seus controladores permanecem nas sombras, o que torna não ser possível estabelecer a extensão do papel dos EUA nos anos da Guerra Fria. O mesmo se aplica ao MI6 na Grã-Bretanha e para os serviços de segurança noutros lugares.

No mínimo, o registo do Dr. Ganser mostra que as capacidades criadas para propósitos directos como parte da Guerra Fria acabaram por se voltar para fins mais sinistros. A Liberdade de Informação nos Estados Unidos oferece uma via para abrir documentos governamentais; mas esse processo é excessivamente lento e sujeito a muitas isenções, uma das quais destina-se precisamente a proteger os registos de actividades deste tipo.  

O Reino Unido tem uma regra que divulga documentos após um certo número de anos, mas há um intervalo mais longo exigido para documentos deste tipo, e as excepções são permitidas ao governo quando os documentos são finalmente autorizados a serem divulgados ao público. A auto-estrada da informação é apenas um caminho macadame quando se trata de lançar a luz sobre a verdade das redes Gladio. Nesta era de preocupação global com o terrorismo, é especialmente perturbador descobrir que a Europa Ocidental e os Estados Unidos colaboraram na criação de redes que adoptaram o terrorismo.

Nos Estados Unidos, tais nações são chamadas de ‘patrocinadores estatais’ e são objecto de hostilidade e sanção. Poderão ser os próprios Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Itália e outros que deveriam estar na lista dos patrocinadores estatais? A história da Gladio precisa ser contada por completo para estabelecer a verdade sobre este assunto. Daniele Ganser deu o primeiro passo crítico neste caminho. Este livro deve ser lido para descobrir os contornos gerais das redes Gladio e começar a apreciar a importância das respostas finais que ainda faltam.

John Prados, Washington, DC

Os exércitos secretos da NATO

Os exércitos secretos da NATO – PREFÁCIO

Os exércitos secretos da NATO – RECONHECIMENTOS

Os exércitos secretos da NATO – INTRODUÇÃO 

Os exércitos secretos da NATO – Ataque terrorista em Itália

Os exércitos secretos da NATO – A GUERRA SECRETA EM PORTUGAL – 1ª parte

Os exércitos secretos da NATO – A GUERRA SECRETA EM PORTUGAL – 2ª parte

Os exércitos secretos da NATO – A GUERRA SECRETA EM ESPANHA – 1ª parte

Os exércitos secretos da NATO – A GUERRA SECRETA EM ESPANHA – 2ª parte 

 

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This entry was posted on 15 de Dezembro de 2020 by in guerra fria, Nato, Redes militares secretas stay-behind and tagged , , .

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