A Arte da Omissao

ACORDEM

Os exércitos secretos da NATO – INTRODUÇÃO

Exércitos secretos da NATO ligados ao terrorismo?

NATO’s Secret Armies (“Os Exércitos Secretos da Nato”), foi publicado em 2005 pelo investigador suíço Daniele Ganser, professor de História Contemporânea na Universidade da Basileia. Nele, apresenta ao mundo  como ao longo de 50 anos os Estados Unidos da América, prepararam e executaram diversos atentados na Europa Acidental, atribuindo a responsabilidade à esquerda anti-imperialista, tendo como único objectivo, desacreditar a resistência europeia perante os próprios europeus no contexto da Guerra Fria. Segundo o autor, não há garantias que a estratégia tenha ficado para trás. Pelo contrário, o estratagema da “guerra contra o terror” continua a ser usado nos dias de hoje.

Nesta Obra, Ganser descreve as operações clandestinas da NATO durante a guerra fria. A sua investigação foi despoletada por uma história que fez as manchetes do mundo em 1990, mas que rapidamente desapareceu, assegurando que mesmo hoje os exércitos secretos da NATO permaneçam isso mesmo – secretos. Até agora, nenhuma investigação completa aos exércitos secretos da NATO foi levada a cabo – uma tarefa que Ganser resolveu empreender sozinho e com bastante sucesso.

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

INTRODUÇÃO

Quando a Guerra Fria terminou e na sequência de investigações jurídicas sobre actos misteriosos de terrorismo que ocorreram na Itália, o «primeiro-ministro italiano Giulio Andreotti» foi forçado a confirmar em Agosto de 1990 que existia um exército secreto na Itália e em outros países da Europa Ocidental, que faziam parte do Tratado do Atlântico Norte Organização (NATO). Coordenado pela secção de guerra não ortodoxa da NATO, o exército secreto tinha sido criado pelo serviço secreto dos EUA, Agência Central de Inteligência (CIA) e pelo Serviço Secreto Britânico de Inteligência (MI6 ou SIS), após o fim da Segunda Guerra Mundial para combater o comunismo em Europa Ocidental.

A rede clandestina, que após as revelações do primeiro-ministro italiano foi investigada por juízes, parlamentares, académicos e jornalistas de investigação por toda a Europa, agora é conhecida como tendo o codinome de ‘Gladio‘ (a espada) na Itália, enquanto em outros países a rede operava com nomes diferentes, incluindo ‘Absalon‘ na Dinamarca, ‘ROC‘ na Noruega e ‘SDRA8‘ na Bélgica. Em cada país, o serviço secreto militar lutava o exército anticomunista dentro do Estado em estreita colaboração com a CIA ou o MI6, algo desconhecido dos parlamentos e populações.

Em cada país, os principais membros do executivo, incluindo Primeiros-Ministros, Presidentes, Ministros do Interior e Ministros da Defesa, estiveram envolvidos na conspiração, enquanto o ‘Allied Clandestine Committee ‘ (ACC), às vezes também chamado de ‘Allied Co-ordination Committee‘  e ‘Clandestine Planning Committee‘ (CPC), por vezes menos conspícuo também denominado ‘Coordination and Planning Committee‘ do Quartel-General Supremo das Potências Aliadas da NATO na Europa (SHAPE), coordenaram as redes a nível internacional. A última reunião secreta confirmada do ACC com representantes dos serviços secretos europeus ocorreu em 24 de Outubro de 1990 em Bruxelas.

Quando os detalhes da operação foram surgindo, a imprensa concluiu que a ‘história parece saída das páginas de um thriller político’. (1)

Os exércitos secretos foram equipados pela CIA e MI6 com metralhadoras, explosivos, munições, equipamentos altamente tecnológicos de comunicações escondidos em esconderijos em florestas, prados e bunkers subterrâneos por toda a Europa Ocidental. Os principais oficiais da rede secreta treinaram com as Forças Especiais dos Boinas Verdes nos Estados Unidos da América e com as Forças Especiais SAS britânicas na Inglaterra.

Recrutados entre segmentos estritamente anticomunistas da sociedade, os soldados secretos do Gladio incluíam conservadores moderados, bem como extremistas da direita, como os notórios terroristas, «Stefano delle Chiale» e «Yves Guerain Serac». No seu desenho estratégico, o exército secreto era uma cópia directa do Special Operations Executive (SOE) inglês, que durante a Segunda Guerra Mundial se lançou em território inimigo e travou uma guerra secreta atrás das linhas inimigas.

No caso de uma invasão soviética na Europa Ocidental, os soldados secretos da Gladio sob o comando da NATO formaram uma rede chamada “stay-behind” que operaria atrás das linhas inimigas, fortalecendo e estabelecendo movimentos de resistência local em território inimigo, evacuando pilotos abatidos e sabotando com explosivos as linhas de abastecimento e centros de produção das forças de ocupação.

No entanto, a invasão soviética nunca aconteceu. O perigo real e presente aos olhos dos estrategas da guerra secreta de Washington e Londres eram os partidos comunistas, às vezes numericamente fortes nas democracias da Europa Ocidental. Consequentemente, a rede na ausência total de uma invasão soviética, pegou em armas em vários países e travou uma guerra secreta contra as forças políticas locais da esquerda.

Os exércitos secretos, como sugerem as fontes secundárias agora disponíveis, estiveram envolvidos numa série de operações terroristas e violações dos direitos humanos que erroneamente atribuíram aos comunistas para desacreditar a esquerda nas urnas. (sempre o mesmo modo de operação – Ndt)

As operações sempre visaram espalhar o máximo medo entre a população e variaram entre massacres com bombas em trens e praças de mercado (Itália), uso da tortura sistemática a oponentes do regime (Turquia), apoio a golpes de Estado de direita (Grécia e Turquia), esmagamento de grupos de oposição (Portugal e Espanha).

Quando os exércitos secretos foram descobertos, a NATO, bem como os governos dos Estados Unidos e da Grã-Bretanha recusaram-se a tomar posição sobre o que então foi alegado pela imprensa como ‘o segredo político-militar mais bem guardado e mais prejudicial desde a Segunda Guerra Mundial’. (2)

(1) British daily The Times, November 19, 1990

(2) British daily The Observer, November 18, 1990

 

Vídeo relacionado:

 

Os exércitos secretos da NATO

Os exércitos secretos da NATO – PREFÁCIO

Os exércitos secretos da NATO – RECONHECIMENTOS

Os exércitos secretos da NATO – INTRODUÇÃO 

Os exércitos secretos da NATO – Ataque terrorista em Itália

Os exércitos secretos da NATO – A GUERRA SECRETA EM PORTUGAL – 1ª parte

Os exércitos secretos da NATO – A GUERRA SECRETA EM PORTUGAL – 2ª parte

Os exércitos secretos da NATO – A GUERRA SECRETA EM ESPANHA – 1ª parte

Os exércitos secretos da NATO – A GUERRA SECRETA EM ESPANHA – 2ª parte 

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Google photo

Está a comentar usando a sua conta Google Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

This entry was posted on 16 de Dezembro de 2020 by in guerra fria, Nato, Redes militares secretas stay-behind and tagged , , .

Navegação

Categorias

Follow A Arte da Omissao on WordPress.com
%d bloggers like this: