A Arte da Omissao

ACORDEM

As 7 mentiras sobre o Afeganistão

Nota: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

Tradução do artigo 7 mensonges à propos de l’Afghanistan

De Thierry Meyssan

Ao cobrir a queda de Cabul, os media ocidentais repetem sem reflectir sete mentiras da propaganda ocidental. Ao confundir a história do Afeganistão, eles escondem os crimes lá cometidos e tornam impossível prever o destino que Washington escreveu para ele. E se os Talibãs não fossem o pior …

 Rede Voltaire / Paris (França) 20 de Agosto de 2021

 

Cena de pânico no aeroporto de Cabul onde os antigos colaboradores da CIA tentam fugir da vingança do povo afegão.

Emmanuel Macron e Joe Biden dirigiram-se solenemente às suas nações sobre a captura de Cabul pelos Talibans a 15 de Agosto de 2021.

1) A guerra no Afeganistão não é uma resposta ao 11 de Setembro, ela foi planeada antes dos ataques.

De acordo com esses dois políticos, a invasão do Afeganistão pelos Estados Unidos em 2001 teria o único propósito de «perseguir aqueles que nos atacaram a 11 de Setembro de 2001 e garantir que a Al-Qaeda não possa usar o Afeganistão como base para novos ataques» [1]

[1] “Remarks by Joe Biden on Afghanistan”, por Joseph R. Biden Jr., Voltaire Network, 16 de Agosto de  2021

Joseph Goebbels, o Ministro da Propaganda do Terceiro Reich, teria dito que «uma mentira repetida dez vezes é uma mentira; repetida dez mil vezes, torna-se a verdade».  Mas os factos persistem e com todo o devido respeito ao MM. Macron e Biden, a guerra de 2001 foi decidida em meados de Julho de 2001, aquando as negociações de Berlim iniciadas pelos Estados Unidos e Reino Unido fracassaram, não com o governo afegão, mas com os Talibãs.

Naiz Naik foi assassinado no seu domicilio em 2009.

Paquistão e Rússia participaram dessas discussões secretas como observadores. A delegação dos Talibans entrou na Alemanha violando a proibição de viagens imposta pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas. Depois que essas negociações fracassaram, o ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Naiz Naik, de volta ao seu país, soou o alarme. O Paquistão procurou então novos aliados. Ele propôs que a China abrisse uma porta para o Oceano Índico (o que vemos hoje com a “Rota da Seda”). Os Estados Unidos e o Reino Unido começaram a reunir as suas tropas na área. 40.000 homens no Egipto e a maior parte da frota britânica no mar da Arábia. Só depois desse sistema ter sido implantado é que os ataques de 11 de Setembro aconteceram.

2) A Al-Qaeda não é uma ameaça para os anglo-saxões, mas sim um instrumento.

De acordo com o presidente Biden: «A nossa missão de reduzir a ameaça terrorista da Al Qaeda no Afeganistão e de matar Osama bin Laden foi bem-sucedida.»

Alexandre de Marenches tinha idealizado a forma de forçar a URSS a atolar-se no Afeganistão

No entanto, é o director dos serviços secretos externos da França, Alexandre de Marenches, que propôs ao seu homólogo norte-americano no âmbito do Cercle Pinay [2] provocar uma intervenção soviética no Afeganistão para os aprisionar [3].

[2] « Les gentlemen du Cercle Pinay », Rede Voltaire, 11 de Março de 2004.

[3Dans le secret des princes, Christine Ockrent & Alexandre de Marenches, Stock (1986).

Zbigniew Brzeziński, Conselheiro de Segurança Nacional do presidente Carter, deslocou-se a Beirute para encontrar o bilionário anticomunista Osama bin Laden e pediu-lhe que liderasse mercenários árabes para travar uma campanha terrorista contra o governo comunista afegão [4].

[4] «Sí, la CIA entró en Afganistán antes que los rusos…», por Zbigniew Brzeziński, Nouvel Observateur (França) , Rede Voltaire , 15 de Janeiro de 1998.

Bin Laden estava em Beirute para se encontrar com o ex-presidente libanês Camille Chamoun, membro da Liga Anticomunista Mundial [5].

[5] «La Liga Anticomunista Mundial, internacional del crimen», por Thierry Meyssan, Rede Voltaire , 20 de Janeiro de 2005.

Washington escolheu Bin Laden por duas razões: primeiro, ele era membro de uma sociedade secreta, a Confraria da Irmandade Muçulmana, o que lhe permitiu recrutar combatentes; segundo, era um dos herdeiros da maior construtora do mundo árabe.  Como tal, ele tinha os homens e o conhecimento para transformar os rios subterrâneos do Hindu Kush em linhas militares de comunicação.

O The Independent (Londres) celebra Osama bin Laden. Ao mesmo tempo a Heritage Foundation (Washington), o “think- tank” do Presidente Reagan, distribuía tee-shirts com a sua efígie e com o slogan « Ele bate-se pelas nossas liberdades ».

Posteriormente em 1992-94, o mesmo Osama bin Laden serviu como conselheiro militar do presidente da Bósnia, Alija Izetbegović, Os seus combatentes seguiram-no até lá. Eles trocaram o nome de «Mujahedin» pelo «Legião Árabe». Seu acampamento foi visitado por comandos russos, que acabaram por ser presos. No entanto, antes de serem presos, tiveram tempo de vasculhar a sua sala de comando e descobrir que todos os documentos militares estavam escritos em inglês e não em árabe [6].

[6] Conversação do autor, em 2003, com um oficial do KGB que participou nesta operação.

A Legion árabe de Osama bin Laden desfila na Bósnia-Herzegovina

Ainda mais tarde, Osama bin Laden usou os seus combateste para operações pontuais. Ele convocava-os de acordo com as suas necessidades da sua  «lista», em árabe, a «Al-Qaeda» (القاعدة).

Portanto, é indiscutível que Osama bin Laden foi por muitos anos um agente dos Estados Unidos. No entanto, afirmam que ele se voltou contra eles, o que nada, absolutamente nada, atesta. De qualquer forma, Osama estava gravemente doente. Ele precisava de cuidados diários numa sala esterilizada. Ele foi tratado no Hospital americano em Dubai em Julho de 2001, conforme revelado pelo Le Figaro [7].

[7] La CIA a rencontré Ben Laden à Dubaï en juillet », par Alexandra Richard, Le Figaro, 31 octobre 2001.

Essa informação foi negada pelo referido hospital, mas foi-me confirmada pelo Sheikh Khalifa ben Zayed Al Nahyane (o actual presidente dos Emirados Árabes Unidos), que me garantiu que o tinha visitado lá na presença do chefe do posto local da CIA.  Finalmente Osama bin Laden foi tratado no hospital militar de Rawalpindi (Paquistão) [8], onde morreu em Dezembro de 2001. Seu funeral aconteceu no Afeganistão, na presença de dois representantes do MI6 britânico que escreveram um relatório sobre o assunto.

[8] «Hospital Worker: I Saw Osama», CBS Evening News, 28 de Janeiro de 2002.

Contrariando também e de forma indiscutível, a teoria da reviravolta de Osama bin Laden contra os seus empregadores da CIA, o facto de que até 1999 – ou seja, depois dos ataques que lhe foram atribuídos contra as Torres Khobar na Arábia Saudita e contra as embaixadas dos Estados Unidos em Nairobi (Quénia) e Dar-es-Salaam (Tanzânia) – ele tinha um escritório de relações públicas em Londres. Foi a partir desse escritório que lançou sua chamada para a Jihad contra os Judeus e os Cruzados.

O facto de que, por dez anos, ouvimos e vimos gravações de pessoas que afirmam ser Osama bin Laden, apenas engana aqueles que querem acreditar: os especialistas suíços do Instituto Dalle Molle de Inteligência Artificial Perceptual, que na época os grandes bancos usavam em negócios delicados, foram formais. Essas gravações são falsas (incluindo a divulgada pelo Pentágono, onde reivindica a responsabilidade pelos ataques de 11 de Setembro) e não correspondem ao real Bin Laden. Se o reconhecimento facial e vocal eram uma especialidade na época, agora é uma técnica comum. Pode verificar com um software encontrado em todos os lugares que não há um Bin Laden, mas várias pessoas que desempenharam esse papel.

Após a morte de Bin Laden, Ayman al-Zawahiri, tornou-se o emir da Al-Qaeda. Ele ainda desempenha essa função. Este último – que supervisionou o assassinato do presidente egípcio Anwar Sadat – viveu por vários anos depois de 2001 na Embaixada dos Estados Unidos em Baku (Azerbaijão) [9].

[9] Classified Woman : The Sibel Edmonds Story : A Memoir, Sibel Edmonds (2012).

Ele foi, pelo menos neste período, protegido pelos fuzileiros navais dos Estados Unidos. Não se sabe onde reside actualmente, mas não há razão para acreditar que não esteja mais sob a protecção dos Estados Unidos.

3) Os Estados Unidos não se concentram mais na luta «contra o terrorismo», antes financiam e armam o terrorismo.

O presidente Biden explicou longamente no seu discurso sobre a queda de Cabul que os Estados Unidos não estavam lá para construir Estados, mas apenas para combater o terrorismo.

Esta expressão da «luta contra o terrorismo» repete-se há vinte anos, mas isso não a torna mais significativa. O terrorismo não é um adversário real. É um método de combate. Todos os exércitos do mundo podem usá-lo sob certas circunstâncias. Durante a Guerra Fria, os dois blocos usaram-no amplamente um contra o outro.

Desde que o presidente George W. Bush (o filho) declarou a «guerra contra o terrorismo» (isto é dizer, a «guerra contra a guerra»), o uso dessa técnica militar continuou a aumentar. Os ocidentais pensam primeiro nos ataques em algumas grandes cidades, mas o pior foi alcançado com a criação de pequenos Estados terroristas no Médio Oriente alargado até ao sinistro «Estado Islâmico do Levante» (Daesh) e hoje o Emirado Islâmico do Afeganistão.

Inicialmente afegãos, iraquianos, líbios e sírios acreditaram no relato dos eventos dos EUA, mas agora já não se iludem. Após 20 anos de guerra, eles perceberam que os Estados Unidos não querem nada com eles. Washington não combate o terrorismo, mas cria, financia e arma grupos que praticam o terrorismo.

4) Os Talibãs não travaram combate a sério, eles tomaram aquilo que os Estados Unidos lhes deram.

Os presidentes Macron e Biden ficam admirados com a «captura de Cabul» pelos Talibãs. Segundo eles, «os líderes políticos afegãos desistiram e fugiram do país. O exército afegão entrou em colapso, às vezes sem tentar lutar.”

Mas como escaparam, se não com aviões militares ocidentais?

Quanto ao exército afegão «às vezes» não tentar lutar … é exactamente o contrário: o exército afegão «às vezes» tenta lutar. De notar que as fronteiras afegãs estavam entre as mais seguras do mundo. Soldados americanos registavam a identidade de todos via electrónica, incluindo reconhecimento pela íris.

O exército afegão era composto por 300.000 homens – mais do que os exércitos franceses – muito bem treinado pelos Estados Unidos, França e outros. Estava superequipado com equipamentos sofisticados. Toda a sua infantaria tinha colectes à prova de balas e sistemas de visão nocturna. Tinha também uma aviação muito competente.

Os Talibans,  pelo contrário, não têm mais de 100.000 soldados, o que é três vezes menos. Eles são mendigos de sandálias e armados com Kalashnikovs. Eles não tinham uma força aérea – de repente, agora têm uma com pilotos treinados,  vindos sabe-se lá de onde -. Se houvesse algum combate, eles seriam derrotados com certeza.

A mudança de regime foi decidida sob a presidência de Donald Trump. Ela deveria intervir no 1º de Maio. Mas o presidente Joe Biden mudou essa linha do tempo para mudar a história. Ele usou esse tempo para estabelecer bases militares em países vizinhos e enviar pelo menos 10.000 mercenários para lá. Mobilizou o Exército turco, que já está presente no país, mas do qual ninguém fala. Este recrutou pelo menos já 2. 000 jiadistas que vivem em Idleb (Síria) e continua a mobilizá-los.

Gulbuddin Hekmatyar recebe a vassalagem de Rached Ghannouchi (actual Presidente da Assembleia Nacional tunisina) e de Recep Tayyip Erdoğan (actual Presidente turco).

É importante lembrar que durante a guerra contra os soviéticos, o presidente turco, Recep Tayyip Erdoğan, já era membro da Confraria da Irmandade Muçulmana e líder de uma milícia, os Millî Görüş (a mesma que hoje abre mesquitas na Alemanha e França).

Foi com essa dupla capacidade que se ajoelhou diante de Gulbuddin Hekmatyar, o líder afegão da Irmandade Muçulmana e futuro primeiro-ministro. Posteriormente, este último, jurou lealdade à Al-Qaeda, o que não o impediu de concorrer às eleições presidenciais afegãs de 2019 sob a protecção dos Estados Unidos.

Os aliados começaram a repatriar os seus cidadãos há vários meses. Eles pensaram que tinham tempo antes de 11 de Setembro ou, na pior das hipóteses, antes da meia-noite de 30 de Agosto. Mas Washington decidiu o contrário, escolhendo o dia 15 de Agosto, a data do feriado nacional indiano.

Um aviso a Nova Deli,  que não aprecia que os «pashtus» do presidente Ghani (Ashraf Ghani Ahmadzai é um economista, antropólogo e político afegão. Foi presidente do Afeganistão, entre 21 de Setembro de 2014 a 15 de Agosto de 2021, quando em 15 de Agosto de 2021, os Talibãs assumiram o controle do Afeganistão e Ashraf fugiu para o exílio – Ndt) sejam substituídos pelos do emir Akhundzada (Hibatullah Akhundzada é o líder supremo dos Talibãs e actual emir do emirado islâmico do Afeganistão, desde 15 de Agosto de 2021, após as forças talibãs tomarem Cabul e o governo afegão colapsar – Ndt) enquanto ela apoia outras etnias.

As cenas de pânico que vimos nos aeroportos de Cabul lembraram-nos aquelas em Saigão durante a derrota dos Estados Unidos no Vietname. Na verdade, é exactamente o mesmo. Os afegãos que se agarram a aviões não são na sua maioria tradutores de embaixadas ocidentais, mas agentes da «Operação Omega» criada durante a presidência de Obama [10].

[10] Obama’s Wars, Bob Woodward, Simon & Schuster (2010)

São membros da Força de Proteção Khost (KPF) (o mais activo e visível de uma extensa rede de grupos paramilitares patrocinados pela CIA no Afeganistão. De acordo com o relatório, o KPF opera quase exclusivamente ao longo da fronteira do Afeganistão com o Paquistão e tem uma forte presença em fortalezas dos Talibans como Ghazni, Paktia e Khost– Ndt) e da Direcção Nacional de Segurança (NDS) (serviço nacional de inteligência e segurança do Afeganistão – Ndt), auxiliares de contra-insurgência, como os vietnamitas da “Operação Phoenix”.  Eles eram  encarregados de torturar e assassinar afegãos que se opunham à ocupação estrangeira. Eles cometeram tantos crimes que diante deles os talibãs são meninos do coro [11].

[11] «Armed Governance: the Case of the CIA-Supported Afghan Militias », Antonio De Lauri & Astri Suhrke, in Afghanistan: Militias Governance and their Disputed Leadership. Taliban, ISIS, US Proxy Militais, Extrajudicial Killings, War Crimes and Enforced Disappearances, Musa Khan Jalalzai, Vij Books India Pvt Ltd (2020).

Em breve, veremos no Afeganistão uma paisagem totalmente diferente.

5) Os Estados Unidos não perderam o Afeganistão em proveito da China, mas forçam sim as empresas chinesas a aceitar a sua protecção.

Os Estados Unidos nada perderam no Afeganistão porque não querem estabelecer lá a paz. Eles não querem saber do milhão de mortos que lá provocaram ao longo de 20 anos.  Eles só querem que esta região seja instável, que nenhum governo possa controlar a exploração dos recursos naturais. Eles querem que as empresas, de qualquer país desenvolvido, possam explorá-los apenas aceitando a sua protecção. Este é o esquema popularizado de Hollywood de um mundo globalizado, protegido por uma muralha, a partir do qual forças especiais vão vigiar no estrangeiro, locais de explorações em regiões selvagens.

Essa estratégia foi desenvolvida por Donald Rumsfeld, secretário de Defesa de George W. Bush, e pelo almirante Arthur Cebrowski, que já havia informatizado  os exércitos dos Estados Unidos. Em 11 de Setembro de 2001, tornou-se a maneira de pensar do Estado-Maior Geral dos Estados Unidos. Foi popularizado pelo assistente de Cebrowski, Thomas Barnett, com seu livro The Pentagon’s New Map [12].

O assistente do Almirante Cebrowski vulgarizou o seu pensamento quanto à maneira de adaptar às Forças Armadas dos EUA ao capitalismo financeiro.

 

[12] “A doutrina Rumsfeld/Cebrowski”, por Thierry Meyssan, Tradução Alva, Rede Voltaire, 25 de Maio de 2021.

É essa mudança de paradigma que o presidente Bush chamou de «Guerra sem fim». Com essas palavras, ele quis dizer que os Estados Unidos combateriam o terrorismo eternamente, ou melhor, instrumentalizariam eternamente grupos terroristas para impedir qualquer organização política nessas regiões.

Sim, as empresas chinesas já estão a minerar  no Afeganistão, mas agora terão que homenagear os Estados Unidos ou serão alvo de ataques terroristas. Isso é extorsão, e daí?

6) Os Ocidentais não defendem a Luz face às trevas, antes a instrumentalizam sem complexos

A primeira-dama dos Estados Unidos, Laura Bush, fez-nos chorar ao contar a história das meninas massacradas pelos Talibãs por ousarem usar unhas vermelhas. Mas a verdade é bem diferente. Quando o presidente Carter, Zbigniew Brzeziński e Alexandre de Marenches apoiaram os islâmicos afegãos em 1978, estes lutavam contra os comunistas que abriam escolas para meninas. Porque para eles, a luta contra os aliados da URSS veio antes dos direitos humanos.

Da mesma forma hoje, o presidente Biden e o seu secretário de Estado, Antony Blinken, apoiam os Talibans porque, para eles, o controlo do acesso aos recursos naturais no Oriente Médio em geral vem antes dos direitos humanos. E eles estão a fazer o mesmo no Iraque, Líbia e Síria.

O General paquistanês Muhammad Zia-ul-Haq, o multimilionário saudita Osama bin Laden, o médico egípcio Ayman al-Zawahiri, o miliciano turco Recep Tayyip Erdoğan e o professor de religião tunisino Rached Ghannouchi são membros da Confraria dos Irmãos Muçulmanos.

Os Estados Unidos não apoiaram apenas os islâmicos em países em guerra. Assim,  colocaram no poder do Paquistão, o general Muhammad Zia-ul-Haq, membro da Confraria da Irmandade Muçulmana, para que o seu país pudesse servir de base de retaguarda para os combatentes anti-soviéticos.

Muhammad Zia-ul-Haq derrubou a democracia, enforcou o presidente Zulfikar Ali Bhutto e restabeleceu a lei islâmica. A filha do presidente Bhutto, Benazir Bhutto, que foi primeira-ministra do Paquistão na década de 1990, foi assassinada pelos Talibans.

Não há necessidade de voltar aos crimes da contra-insurgência ocidental, o pânico dos seus colaboradores nos aeroportos de Cabul  é esclarecedor.

Se o islamismo e o secularismo foram usados ​​para manipular os afegãos e enfraquecer o Ocidente, a vida política no Afeganistão não se baseia nesses conceitos, mas primeiro nas divisões étnicas. Há cerca de quinze deles, dos quais os mais numerosos, os pashtuns, também estão fortemente estabelecidos no Paquistão.

Este país continua tribal e ainda não é uma nação. Outras etnias são apoiadas por outros países da região porque também estão presentes nos seus territórios.

7) A França nem sempre apoiou os crimes dos Estados Unidos no Afeganistão, unicamente a partir do Presidente Sarkozy

Segundo o presidente Emmanuel Macron: “O presidente Jacques Chirac, já em Outubro de 2001 decidiu a participação da França na acção internacional, por solidariedade aos nossos amigos e aliados americanos que acabavam de sofrer um terrível atentado no seu solo. Com um objectivo claro: combater uma ameaça terrorista que visava directamente nosso território e o dos nossos aliados a partir do Afeganistão, que se tornou o santuário do terrorismo islâmico [13].

[13] «Allocution d’Emmanuel Macron sur l’Afghanistan», por Emmanuel Macron, Rede Voltaire, 16 de Agosto de 2021.

É uma forma divertida de apagar um conflito característico da França. Em Outubro de 2001, o presidente Chirac opôs-se veementemente à participação do exército francês na ocupação anglo-saxónica do Afeganistão.  Ele só autorizou a intervenção no quadro da Resolução 1386 do Conselho de Segurança das Nações Unidas.

Os soldados franceses estavam reconhecidamente sob as ordens da NATO, mas no âmbito da Força Internacional de Segurança e Assistência (ISAF). Eles estavam envolvidos apenas na assistência à reconstrução. Eles não fizeram prisioneiros, mas eventualmente prenderam combatentes e entregaram-nos imediatamente ao governo afegão.

Foi o presidente Nicolas Sarkozy quem mudou esse status e tornou a França cúmplice dos crimes dos Estados Unidos. É por causa dessa mudança que a França está actualmente a exfiltrar membros da Força de Proteção Khost (KPF) e da Direcção Nacional de Segurança (NDS). E ela provavelmente vai pagar um preço por isso.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão /  Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão /  Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão /  Alterar )

Connecting to %s

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Informação

This entry was posted on 23 de Agosto de 2021 by in Afeganistão, USA and tagged , .

Navegação

Categorias

Follow A Arte da Omissao on WordPress.com
%d bloggers like this: