A Arte da Omissao

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drones americanos partem da Itália para a Líbia

Hillary Clinton ri de Kadafi: «Nós viemos, nós vimos, ele está morto»

Italian drones aimed at Libya

de Manlio Dinucci

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| Roma (Itália) | 1 de Março de 2016

A organização do mecanismo projectado para um ataque à Líbia continua. Enquanto as forças especiais aliadas já estão no trabalho no terreno, novos equipamentos estão a ser instalados na França e Itália.

Desempenhando o papel de um Estado soberano, o governo de Matteo Renzi (Primeiro Ministro italiano -NdT), “autorizou, caso a caso” a saída de drones americanos armados de Sigonella (Sicília) com destino à Líbia e a outros países.

É do conhecimento geral que em 2011, um drone “Predator Reaper“, telecomandado a partir de Las Vegas, levantou voo de Sigonella e atacou na Líbia, o comboio onde Muammar el-Qaddafi viajava, jogando-o nas mãos das milícias de Misurat.

A Itália ocupou desta forma, o seu lugar na lista oficial das bases de ataque americanas de drones, sob o comando exclusivo do Pentágono, juntado-se a países como o Afeganistão, Etiópia, Níger, Arábia Saudita e Turquia. O Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paolo Gentiloni, especificou que «o uso destas bases não requer qualquer comunicação especial com o Parlamento», e garantiu-nos que «isto não constitui um prelúdio de uma intervenção militar» na Líbia.

Na realidade, a intervenção já começou. Forças especiais dos EUA, Reino Unido e França – conforme noticiado pelo The Telegraph [1] e Le Monde [2]  – operam já secretamente na Líbia.

Aviões de transporte C-130 (provavelmente pertencentes aos Estados Unidos) levantam voo incessantemente de um aeroporto em Pisa, perto da base americana de Camp Darby, transportando equipamento militar para bases do sul, e talvez também para bases no norte da África.

Vários aviões norte-americanos KC-135 chegaram à base de Istres, França (Bouches-du-Rhône), para  reabastecerem em voo vários caças-bombardeiros franceses. A operação não diz respeito só à Líbia. Istres é a base para a «Opération barkhane», campanha que a França conduz com 3.000 soldados na Mauritânia, Mali, Níger, Chade e BurkinaFaso.

Nesta zona, e também na Nigéria,  forças especiais dos EUA estão a operar em conjunto com uma base de drones nos Camarões – sempre com o motivo oficial de lutarem contra o Daesh e seus aliados.

Ao mesmo tempo,  a NATO deslocou para o Mar Egeu  o Segundo Grupo Naval Permanente, sob comando alemão, e aviões radar AWAC (centros de comando voadores para a gestão do campo de batalha), com a missão oficial de «apoiar a resposta à crise dos refugiados» (Hilariante. A NATO a ajudar os refugiados sírios que a Aliança criou, se quisermos acreditar se tratar de uma acção humanitária- Ndt).

A esta operação devemos acrescentar o « Dynamic Manta 2016 », exercício militar da NATO no Mar Jónico e no Estreito da Sicília com forças aeronavais dos EUA, França, Reino Unido, Espanha, Grécia, Turquia e, também a Itália que forneceu as bases de Catane, Augusta e Sigonella.

Esta constitui a preparação para a “operação de manutenção da paz sob controlo italiano“, que, sob o pretexto de libertar a Líbia do Daesh, visa ocupar as regiões costeiras económicas e estratégicas mais importantes da Líbia. (ninguém aprendeu nada -Ndt). Falta apenas o “convite”, que pode ser emitido por um governo fantasma líbio.

Hillary Clinton está a pressionar para uma  intervenção na Líbia. Ela é candidata à presidência, e – escreve o New York Times numa ampla reportagem [3]– “ela tem a abordagem mais agressiva sobre as crises internacionais”.

Foi Hillary Clinton que em 2011 convenceu Obama a romper com as suas hesitações. “O presidente assinou um documento secreto, que autorizou uma operação clandestina na Líbia e o fornecimento de armas aos rebeldes”, enquanto o Departamento de Estado dirigido pela [Hillary] Clinton reconhecia os rebeldes como “legítimo governo da Líbia”.

As armas, inclusive mísseis antitanques Tow e radares anti-bateria, foram enviados pelos EUA e outros países ocidentais para Benghazi (cidade líbia) e para alguns aeroportos. Ao mesmo tempo, a NATO, sob o comando dos Estados Unidos, levava a cabo ataques aéreos e náuticos, largando dezenas de milhares de bombas e mísseis, destruindo, assim, o Estado líbio a partir do exterior e do interior. Quando em Outubro de 2011 Kadafi foi assassinado, Clinton vibrou com um “Uau!” e exclamou: “Nós viemos, nós vimos, ele morreu”.

Não sabemos ainda que líder ela citará na segunda guerra na Líbia. Sabemos no entanto quem a vai telecomandar.
 

[1] “US Special Forces thrown out of Libya after secret mission revealed”, Richard Spencer, December 18, 2015; “France special forces waging ’secret war’ against Isil in Libya”, David Chazan, February 24, 2016; “British ’advisers’ deployed to Libya to build anti-Isil cells”, Ruth Sherlock, February 27, 2016, The Daily Telegraph.

[2] «La France mène des opérations secrètes en Libye», «La guerre secrète de la France en Libye», Nathalie Guibert, Le Monde, 24 février 2016.

[3] Part 1: “Hillary Clinton, ‘Smart Power’ and a Dictator’s Fall”, Part 2 : “A New Libya, With ‘Very Little Time Left’”, Scott Shane & Jo Becker, The New York Times, February 27, 2016.

 

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This entry was posted on 21 de Março de 2016 by in Líbia, USA and tagged , .

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