A Arte da Omissao

Como a Bulgária forneceu drogas e armas à Al-Qaida e Daesh

NATO e União Europeia participam no terrorismo


Como a Bulgária forneceu drogas e armas à Al-Qaida e ao Daesh de Thierry Meyssan

Os segredos mais bem guardados acabam por ser revelados. O cartel da máfia que governa a Bulgária foi preso por  fornecer drogas e armas à Al-Qaida e ao Daesh, a pedido da CIA, tanto na Líbia como na Síria. O caso é tanto mais grave, quando se trata da Bulgária, membro da NATO e da União Europeia.

| Damasco (Síria) | 4 de Janeiro de 2016

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Cabeça de um dos dois cartéis da máfia búlgara, Boiko Borisov ocupa o cargo de primeiro-ministro desde 2014. Enquanto o seu país é um membro da NATO  e da União Europeia, ele tem fornecido drogas e armas para a Al-Qaida e Daesh na Líbia e Síria.
 
Parece que tudo começou por mero acaso. Ao longo de 30 anos, a fenetilina foi usada como droga para melhorar o desempenho dos desportistas na Alemanha Ocidental. De acordo com o treinador Peter Neururer, mais da metade dos atletas tomava-a regularmente [1]. Os traficantes de drogas búlgaros avistaram uma oportunidade, e desde a dissolução da União Soviética até a entrada da Bulgária na União Europeia, começaram a produzi-la e exportá-la ilegalmente para a Alemanha sob o nome de Captagon.
Dois grupos mafiosos assumiram uma séria concorrência  Vasil Iliev Security (VIS) e Security Insurance Company (SIC), esta última a empresa que empregou Boiko. Este atleta de alto nível, professor na Academia de Polícia, criou uma empresa que fornecia protecção a personalidades importantes, tornou-se no guarda-costas do  pró-soviético e expresidente Todor Jivkov, bem como do pró-EUA Simeon II Saxe-Cobourg-Gotha. Logo que  Simeon II se tornou primeiro-ministro, Borisov foi nomeado  Director Central do Ministério do Interior, e de seguida, foi eleito prefeito de Sófia (capital da Bulgária, NdT).
Em 2006, o embaixador dos Estados Unidos na Bulgária (e futuro embaixador para a Rússia), John Beyrle, retractou-o num telegrama confidencial, revelado pelo Wikileaks. Nele, retractou Boyko Borisov ligado a dois importantes chefes da máfia, Mladen Mihalev (apelido «Madzho») e Roumen Nikolov (também conhecido por «A Pacha») [2], fundadores da SIC. (Security Insurance Company, NdT)
Em 2007, o EUA Congressional Quarterly  com base num relatório elaborado por uma grande empresa suíça, alegou que Borisov abafou vários inquéritos do Ministério do Interior, tendo sido implicado em 28 assassinatos da máfia. Aparentemente, tornou-se sócio de John E. McLaughlin, vice-director da CIA. Quarterly  referiu ainda que Borisov teria criado uma prisão secreta para a agência na Bulgária, e teria ajudado a providenciar uma base militar no quadro do projecto de ataque ao Irão. [3]
Em 2008, o especialista alemão em crime organizado, Jürgen Roth, qualificou Boiko Borisov  como o «Al Capone búlgaro». [4]

Tendo-se tornado primeiro-ministro, quando o seu país já era membro da NATO e da UE, foi solicitado pela Agência (CIA, NdT) para ajudar na guerra secreta contra Muammar al-Gaddafi. Boiko Borisov forneceu Captagon, droga fabricada pela SIC (Security Insurance Company, NdT), para os jihadistas da Al-Qaeda na Líbia. A CIA tornou esta droga sintética mais atraente e mais poderosa,  ao a misturar com haxixe, facilitando a manipulação dos jihadistas e tornando-os mais aterrorizantes, em linha com a obra de Bernard Lewis [5]. Depois disso, Borisov estendeu este mercado a Síria.
Mas o mais importante, é que a CIA utilizou as particularidades de um ex-Estado membro do Pacto de Varsóvia e que tinha aderido à NATO, e comprou-lhe armamento do tipo soviético, no valor de 500 milhões de dólares, transportou-o depois para a Síria – principalmente 18.800 lança-granadas anti-tanque portáveis e 700 sistemas de mísseis anti-tanque Konkurs.
Quando o Hezbollah (resistência libanesa, NdT) enviou uma equipe à Bulgária para recolher informações sobre este tráfego, um ónibus que levava turistas israelitas foi objecto de um ataque terrorista em Burgas, ferindo 32 pessoas. Imediatamente, Benjamin Netanyahu (Primeiro Ministro de Israel, NdT) e Boiko Borisov acusaram a resistência libanesa, enquanto o imprensa atlantista espalhava uma série de alegações sobre o suposto Kamikaze do Hezbollah. Por fim, o cientista forense, Dr. Galina Mileva, notou que o seu cadáver não correspondia às descrições de testemunhas – enquanto um chefe de contra-inteligência, coronel Lubomir Dimitrov, citou que não era um  kamikaze, mas sim um simples portador, e que o bomba tinha sido accionada à distância, provavelmente sem o seu conhecimento.
A imprensa acusou dois árabes de nacionalidade canadense e australiana, mas a Agência de Notícias de Sófia (capital da Bulgária, Ndt) citou um cúmplice dos EUA conhecido pelo pseudónimo de David Jefferson. O resultado foi que quando a União Europeia procurou usar o caso, com o fim de classificar o Hezbollah como uma «organização terrorista», o Ministro dos Negócios Estrangeiros durante o curto período em que Boyko Borisov foi excluído do poder executivo Kristian Vigenine, deixou claro que na realidade, nada foi encontrado que pudesse ligar o ataque à resistência libanesa [6].
A partir do final de 2014, a CIA cessou as suas encomendas e foi substituída pela Arábia Saudita, que foi capaz de comprar armas que já não eram sobras ex-soviéticas, mas sim material moderno da NATO, como os mísseis BGM-71 TOW. Rapidamente, Riade (Capital da Arábia Saudita, Ndt) foi apoiada pelos Emirados Árabes Unidos [7]. Os dois estados do Golfo encarregaram-se das entregas à Al-Qaida e ao Daesh, através das empresas  de transporte  Saudi Arabian Cargo e Etihad Cargo, quer em Tabuk, na fronteira Arábia Jordânia, ou na base  Al-Dhafra.
Em Junho de 2014, a CIA muda de atitude. Desta vez, ao proibir a Bulgária que autorizasse a passagem pelo seu território do gasoduto russo South Stream, que poderia  abastecer a Europa Ocidental [8]. Este decisão, que privou a Bulgária de receitas muito significativas, ajudou a abrandar o crescimento da União Europeia, conforme descrito no plano de Wolfowitz [9]; favoreceu a aplicação das sanções europeias contra a Rússia, sob o pretexto da crise ucraniana;  favoreceu também o desenvolvimento o gás de xisto na Europa Oriental [10]; e por fim, a manter o objectivo de derrubar a República árabe síria,  um possível grande exportador de gás [11].
Segundo as últimas informações, a Bulgária —Estado-membro da Nato e da U.E.— persiste em fornecer ilegalmente drogas e armas à al-Qaida e ao Daesh, apesar da recente resolução 2253, adoptada por unanimidade, pelo Conselho de Segurança da ONU.

[1] „Doping war im Fußball gang und gäbe“, Frankfürter Allgemeine Zeitung, June 13th, 2007.

[2] “Bulgaria’s most popular politician: great hopes, murky ties”, John Beyrle, May 9, 2006.

[3] “Bush’s Bulgarian Partner in the Terror War Has Mob History, Investigators Say”, Jeff Stein, U.S. Congressional Quarterly, May 2007.

[4] Die neuen Dämonen, Jürgen Roth, 2008.

[5] The Assassins: A Radical Sect in Islam, Bernard Lewis, Weidenfeld & Nicolson, 1967.

[6] “Bulgaria discards Hezbollah involvement in Burgas bombing”, Voltaire Network, June 8th, 2013.

[7] « Mise à jour d’une nouvelle filière de trafic d’armes pour les jihadistes », par Valentin Vasilescu, Traduction Avic, Réseau Voltaire, December 24th, 2015.

[8] « Le sabotage du gazoduc South Stream », par Manlio Dinucci, Tommaso di Francesco, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, June 10th, 2014.

[9] « US Strategy Plan Calls For Insuring No Rivals Develop » and « Excerpts from Pentagon’s Plan : “Prevent the Re-Emergence of a New Rival » », Patrick E. Tyler, New York Times, March 8th, 1992. « Keeping the US First, Pentagon Would preclude a Rival Superpower », Barton Gellman, The Washington Post, March 11th, 1992.

[10] « South Stream bloqué, la “claque” des États-Unis à l’Union européenne », par Manlio Dinucci, Traduction Marie-Ange Patrizio, Il Manifesto (Italie), Réseau Voltaire, December 5th, 2014.

[11] “Struggle over the Middle East: Gas Ranks First”, by Imad Fawzi Shueibi, Voltaire Network, 17 April 2012.

Links e realces desta cor são da minha responsabilidade

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