A Arte da Omissao

ambição louca que se transforma numa guerra civil

Tradução do artigo Clinton, Juppé, Erdoğan, Daesh et le PKK de Thierry Meyssan

A retoma da repressão contra os curdos na Turquia é apenas a consequência da impossibilidade de alcançar o Plano de Juppé-Wright de 2011. Enquanto era fácil implantar o Daesh no deserto sírio e nas províncias de Niniveh e al-Anbar (Iraque), de maioria sunita, revelou-se impossível assumir o controle da população curda na Síria. Para realizar o seu sonho de um Curdistão fora da Turquia, Recep Tayyip Erdoğan (actual presidente Turco – NdT) não tem outra escolha senão a guerra civil.

| Damasco (Síria) | 3 de Agosto  2015
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Ao chegar ao poder em 2013, o partido islâmico AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento Turco – NdT) alterou as  prioridades estratégicas da Turquia. Ao invés de usar relatórios sobre a «Tempestade no Deserto», Recep Tayyip Erdoğan (actual Presidente da Turquia, NdT) nutria a ambição de libertar o seu país do isolamento que tem conhecido desde o fim do Império Otomano. Com base em análises fornecidas pelo seu assessor, o professor Ahmet Davutoglu, defendeu a resolução dos problemas seculares com os vizinhos da Turquia, e tornar-se progressivamente o inevitável mediador regional. Para o fazer, a Turquia tinha de se tornar num modelo político e construir relações com os seus parceiros árabes, sem perder a sua aliança com Israel.
Esta política, conhecida como zero problem», foi iniciada com sucesso. Ancara deixou de temer Damasco e o seu apoio ao PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão – NdT), e pediu à Síria para ajudar a negociar uma saída. Em Outubro de 2006, o partido curdo declarou uma trégua unilateral e começou a negociar com o governo de Erdoğan. Em Maio de 2008, Ancara organizou negociações indirectas entre Damasco e Tele-Avive, as primeiras conversações desde a rejeição de Ehud Barack ao plano de Bill Clinton e de  Hafez el-Assad. Mas o presidente Bachar el-Assad retirou-se das discussões depois de Israel ter atacado Gaza em Dezembro de 2009.
Percebendo que devido ao conflito palestino, era impossível manter boas relações com todos os Estados da região, Ancara optou por apoiar a Palestina contra Israel. Este foi o período dos episódios Davos e Freedom Flotilla. Grandemente apoiada no mundo muçulmano, Ancara aproximou Teerão e aceitou, em Novembro de 2010, participar no mercado comum TurquiaIrão-IraqueSíria. Os vistos foram revogados; os direitos da Alfândega foram reduzidos consideravelmente; um consórcio foi criado para gerir os pipelines do petróleo e gás; uma autoridade foi criada para permitir a gestão dos recursos hídricos. A estrutura geral parecia tão convidativa que o Líbano e a Jordânia apresentaram a sua candidatura. A paz sustentável parecia possível para o Levante.
Quando, em 2011, o Reino Unido e a França lançaram a guerra dupla contra a Líbia e Síria, a pedido e sob o controle dos Estados Unidos, a Turquia, logicamente opôs-se. Estas guerras, lançadas sob o pretexto de proteger as populações, eram evidentemente estratégias neo-coloniais. Além disso, elas prejudicam os interesses turcos, uma vez que a Líbia era um dos seus principais parceiros económicos e a Síria tornou-se num através do novo mercado comum regional.Foi quando tudo se desmoronou

Como a  França causou o colapso da Turquia

Em Março de 2011, por iniciativa de Alain Juppé, Ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Paris secretamente propôs apoiar a candidatura de Ancara à União Europeia e ajudá-la a resolver o seu problema curdo, se a Turquia se juntasse à França na sua guerra contra a Líbia e Síria.

Do ponto de vista francês, esta foi radicalmente uma nova proposta, uma vez que Alain Juppé,  durante o período que liderou  o partido gaulista e foi colaborador de Jacques Chirac, sempre se opusera à entrada da Turquia na União. Mas em 2005 foi condenado por corrupção na França, exilou-se para a América, deu aulas no Quebeque e, ao mesmo tempo seguia um curso no Pentágono. Convertido ao neo-conservadorismo, regressou à França e foi escolhido por Nicolas Sarkozy para ministro da Defesa,  e mais tarde para ministro dos Negócios Estrangeiros.

Retrospectivamente, o plano Juppé revelou as intenções dos franceses: as mesmas diziam respeito à criação de um Curdistão no Iraque e na Síria, plano presente num mapa publicado dois anos mais tarde (em 2013, NdT) por Robin Wright no New York Times,  e que foi implementado conjuntamente pelo Emirado Islâmico, pelo Governo Regional do Curdistão iraquiano e alguns ex-colaboradores de Saddam Hussein ligados à Irmandade Muçulmana.

O documento, co-assinado por Alain Juppé e pelo o seu homólogo turco Ahmet Davutoglu, não deixa dúvidas: a França pretendia reconstituir um império colonial na Síria. Além disso, a França tinha ligações com movimentos terroristas islâmicos e antecipou a criação do Daesh.  Com o fim de garantir o plano Juppé, Catar concordou em fazer grandes investimentos no leste da Turquia, na esperança de que os curdos turcos abandonassem então o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão – NdT).

Este plano manteve-se em segredo até hoje. Se os parlamentares franceses e turcos conseguissem obter legalmente uma cópia, seria mais do que suficiente para levar os Srs. Juppé e Davutoglu ao Tribunal Penal Internacional, por crimes contra a humanidade.

Ao contrário da ideia popular, os curdos estão profundamente divididos.

Na Turquia e na Síria, o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão – NdT), originalmente um partido marxista Leninista, sempre defendeu o ponto de vista anti-imperialista.

Os curdos iraquianos, ligados a Israel desde a Guerra Fria, sempre foram os aliados dos Estados Unidos.

Os dois grupos não falam a mesma língua e têm histórias muito diferentes.

É provável que, do seu lado, os Estados Unidos adoçam o dote ao promoverem o modelo político turco no mundo árabe, e ao ajudarem o AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento Turco – NdT) a assumir o comando dos partidos políticos saídos da Irmandade Muçulmana, de tal forma que a Turquia se tornaria no centro do próximo Oriente Médio. Em qualquer caso e in extremis, Recep Tayyip Erdoğan (actual Presidente da Turquia, NdT) apoiou o projecto da NATO, que substituiu o AfriCom após a revolta de seu comandante [1].
Imediatamente, Ancara (capital da Turquia – Ndt) mobilizou os cidadãos do Misrata, na Líbia. Estes são na sua maioria descendentes de soldados judeus do Império Otomano, os Adghams, e de mercadores nómadas descendentes de escravos negros, os Muntasirs, os quais haviam apoiado os Jovens Turcos. Eles formaram o único grupo líbio significativo, capaz de atacar Tripoli (capital da Líbia – NdT).  [2]
Simultaneamente, a partir de Agosto de 2011, Ancara organizou várias reuniões com a oposição síria em Istambul. Por fim, em Outubro de 2011 a Irmandade Muçulmana constituiu o Conselho Nacional Sírio, associando representantes de diversos grupos políticos e de minorias.
 

NATO renuncia invadir a Síria

Constatando a intervenção da NATO na Líbia, Ancara esperava, logicamente, um idêntico envolvimento da Aliança Atlântica na Síria. Mas, apesar dos numerosos atentados e da orquestrada campanha de imprensa internacional, revelou-se ser impossível, ao mesmo tempo, revoltar a população e atribuir, de forma credível, os crimes em massa ao presidente el-Assad. Acima de tudo, Moscovo e Pequim, escaldados pelo caso líbio, opuseram-se por três vezes, no Conselho de Segurança a qualquer resolução destinada, supostamente, «proteger» os Sírios do seu próprio governo (Outubro de 2011,  Fevereiro e Julho de 2012).

Washington e Londres abandonaram o jogo, apesar de Paris e Ancara continuarem a acreditar nele [3]. Os dois estados desenvolveram uma estreita colaboração, de tal forma que em Setembro de 2012 planearam o assassinato do ministro sírio dos Negócios Estrangeiros, Walid al-Mouallem, e do presidente Bachar el-Assad.

A Julho de 2012, o  ataque terrorista em Riade em resposta ao assassinato dos membros do Conselho de Segurança Nacional da Síria, feriu gravemente o príncipe Bandar ben Sultan, deixando o movimento internacional  jihadista órfão. Embora o príncipe sobrevivesse aos ferimentos, deixou o hospital um ano depois, e nunca mais foi capaz de assumir o papel que exercera até então.
Recep Tayyip Erdoğan (actual Presidente da Turquia, NdT) aproveitou a ocasião para o substituir e encetou relações pessoais com Yasin al-Qadi, o banqueiro da Al Qaeda, recebido secretamente várias em Ancara. Também supervisionou uma série de grupos jihadistas, inicialmente criados pelos Estados Unidos,  Reino Unido e França.
Em Janeiro de 2013, a França ao intervir no Mali distanciou-se dos jihadistas sírios, deixando no terreno operações militares para a Turquia, mantendo alguns legionários no lugar.
Pouco tempo depois, Washington obriga o Emir do Catar, cheikh Ahmada, a abdicar, culpando-o  após denúncia da Rússia de operar de uma forma prejudicial para os interesses económicos dos Estados Unidos. Mesmo antes do filho, cheikh Tamim, assumir o poder, a maior parte do financiamento da guerra contra a Síria estava a ser feito pela Arábia Saudita.
Com o fim de beneficiar deste apoio e do de Israel, Recep Tayyip Erdoğan (actual presidente da Turquia – NdT), começou a prometer que os Estados Unidos iriam ignorar os vetos russo e chinês e lançar a NATO num assalto a Damasco. Lucrando com a confusão, organizou a pilhagem da Síria, desmantelou todas as fábricas em Aleppo, a capital económica, e roubou as máquinas-ferramentas. Da mesma forma, organizou o roubo de tesouros arqueológicos e criou um mercado internacional em Antioquia [4].
Aparentemente sem saber das consequências e com a ajuda do general Benoît Puga, chefe do Estado Maior de França, Ancara organizou uma operação de falsa bandeira destinada a provocar o lançamento de uma guerra pela Aliança Atlântica o bombardeamento químico a Ghoutta em Damasco, ocorrido em Agosto de 2013. Mas Londres imediatamente pôs a descoberto a manipulação e recusou-se a participar [5].
A Turquia participou na operação de limpeza étnica e na divisão do Iraque e Síria, conhecida como o «plano de Wright». A presença dos serviços secretos turcos nas reuniões preparatórias com o Daesh em Amã foi verificada pela publicação de um registo de decisões por parte do PKK. Além disso, o «plano de Wright» é uma cópia do «plano Juppé», que convenceu a Turquia a entrar na guerra.
Após isso, Recep Tayyip Erdoğan (actual presidente da Turquia – NdT) assumiu o comando da organização terrorista, garantindo ao mesmo tempo o seu fornecimento de armas e a venda da sua gasolina.
 
Ansiosamente observando as negociações entre Washington e Teerão, Ancara temia um acordo de paz que o iria deixar impotente. Solicitado pelo seu homólogo russo, Vladimir Putin, o Sr. Erdoğan aceitou participar no projecto do pipeline de gás,  Turkish Stream, destinado a quebrar o monopólio dos Estados Unidos e a evitar o embargo europeu. De seguida, acumulando sua coragem, ele foi ver o seu homólogo iraniano, Hassan Rohani cheikh, que lhe assegurou que não tinha nada a temer do acordo que foi, então, desenvolvido. Mas assim que ele foi assinado, no dia 14 de Julho de 2015, foi evidente que ele não deixou espaço na região para a Turquia.
Sem surpresa, Recep Tayyip Erdoğan recebeu no dia 24 de Julho, um ultimato do Presidente Obama, que o obrigou a:
  Renunciar imediatamente ao projecto do pipeline de gás russo;
Cessar o seu apoio ao Daesh do qual, por trás da cortina,  se tinha tornado o chefe executivo de Abou Bakr al-Baghdadi e ir para a guerra com eles.
Aplicando uma pressão ainda maior, Barack Obama evocou a possibilidade de excluir a Turquia da NATO, com a concertação do Reino Unido, embora esta situação não esteja prevista no Tratado.
Depois de ter implorado perdão e de ter autorizado os Estados Unidos e a NATO a usarem a base militar de Incirlik contra o Daesh, o Sr. Erdoğan contactou o emissário especial para a Coligação Anti-Daesh, o general John Allen, conhecido pela sua oposição ao acordo com o Irão. Os dois homens concordaram em interpretar as observações do presidente Obama como um incentivo a combater o terrorismo, rubrica na qual incluíram o PKK.
Excedendo as suas funções, o general John Allen prometeu criar uma «zona de exclusão aérea» com 90 milhas de largura, ao longo do território sírio e ao longo de toda a fronteira com a Turquia, supostamente destinada a ajudar os refugiados sírios que fugiam do seu governo, mas, na realidade, destinava-se a aplicar o  «plano Juppé-Wright».
O primeiro-ministro turco, Ahmet Davutoglu, revelou no canal de TV A Haber o apoio dos EUA ao projecto ao declarar  os ataques contra o PKK.
O general John Allen conseguiu por duas vezes prolongar a guerra contra a Síria. Em Junho de 2012, conspirou com o general David Petraeus e com a a secretária de Estado Hillary Clinton para sabotarem o acordo de Genebra entre Washington e Moscovo para a paz no Oriente Médio. Este acordo previa, entre outras coisas, a paz na Síria – embora Damasco não tenha sido convidada para a conferência mas foi considerado inaceitável tanto pelos neo conservadores como pelos «falcões liberais» norte-americanos.
O trio Clinton-Allen-Petraeus contou com o novo presidente francês, François Hollande e seu novo ministro dos Negócios Estrangeiros, Laurent Fabius, para convocar a conferência dos «Amigos da Síria» e rejeitar o Acordo de Genebra. Obama, em plena campanha eleitoral, não podia sancionar os seus colaboradores, mas no dia seguinte a sua eleição, David Petraeus e John Allen foram presos, vítimas de uma armadilha sexual.
Hillary Clinton permaneceu por algumas semanas, mas de repente e após um «acidente» aposentou-se.
 
Por fim, só  David Petraeus foi considerado culpado, enquanto Allen foi branqueado e Hillary Clinton – como Juppé começou os preparativos para a próxima campanha eleitoral presidencial.
O trio Clinton-Allen-Petraeus encenou uma segunda operação em Dezembro 2014 e que conseguiu perturbar a Conferência de Moscovo. Ao prometerem à Irmandade Muçulmana que iria implementar o «plano Juppé-Wright», convenceu a Coligação Nacional da Síria a recusar qualquer discussão sobre a paz. Este episódio atesta o facto de que o objectivo da Coligação Nacional da Síria não era a mudança do regime na Síria, mas sim a destruição do país e do seu estado.
o presidente Obama, ao ter conhecimento dos factos durante a sua viagem à África, negou oficialmente a contratação do general Allen, reconheceu o direito da Turquia a lutar contra o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão – NdT), mas denunciou qualquer acção contra ele fora da Turquia. O presidente Erdoğan, convocou de seguida uma reunião do Conselho do Atlântico para os informar da sua entrada na coligação anti-terrorista e da sua dupla acção contra o Daesh e o PKK. No dia 29 de Julho, os Aliados friamente responderam que apoiavam a  sua acção, mas não lhe reconheciam o direito de bombardear o PKK no Iraque e na Síria, excepto em casos de «perseguição» – por outras palavras, se o PKK usar bases em outros países para gerir os movimentos das tropas contra a Turquia.
Além disso, o presidente Obama aliviou Daniel Rubinstein das suas funções de enviado especial para a Síria, e substituiu-o por Michael Ratney, especialista tanto no Próximo Oriente como em  comunicações. Sua principal tarefa será a de manter debaixo de olho o General Allen.

Turquia entra em guerra civil

Actualmente, as acções do exército turco contra o PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão – NdT) no Iraque e na Síria não têm qualquer justificação à luz do direito internacional. Ambos os governos têm denunciado os ataques aos seus territórios. A partir do ponto de vista dos EUA, o PKK e o Exército Árabe Sírio – por outras palavras, o exército da República – são as únicas forças terrestres capazes de confrontar o Daesh. A retoma da guerra contra a minoria curda ilustra o desejo do AKP (Partido da Justiça e Desenvolvimento Turco – NdT) em continuar com a execução do «plano Juppé-Wright», mesmo após a retirada parcial do Catar e da França.

No entanto, um elemento fundamental mudou profundamente o jogo: Israel e Arábia Saudita, que não há muito tempo atrás apoiavam a ideia de criar um Curdistão e um Sunistão  no Iraque e Síria, agora opõem-se a isso. Tele-Avive e Riade compreendem agora que estes dois novos estados, se  o viessem a ser, não seriam controlados por eles, mas por uma Turquia que já não está esconde as suas ambições imperiais, e que se tornaria de facto num gigante regional.
Devido a uma dessas reviravoltas,  Israel e a Arábia Saudita chegaram a um acordo para se oporem à loucura do Presidente Erdoğan também, sub-repticiamente para apoiarem o PKK, apesar da sua identidade marxista. Além disso, Israel já contactou os inimigos tradicionais da Turquia,  a Grécia de Alexis Tsipras  e o Chipre de Nikos Anastasiadis.
Que não hajam enganos Recep Tayyip Erdoğan ( actual presidente da Turquia – NdT) escolheu a guerra civil como a sua única saída política. Depois de perder as eleições legislativas e de ter conseguido bloquear a criação de um novo governo, ele agora está a tentar assustar o seu próprio povo para convencer os MHP (nacionalistas) a apoiarem o AKP (islamitas) e formarem um governo de coligação, ou chamar por mais uma rodada de eleições gerais e vencer.
A operação anti-terrorista que se destinava a combater tanto o Daesh como a população curda,  tem agora como objectivo quase exclusivo o ataque ao PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão – NdT) e ao PYG (Partido de União Democrática Sírio – NdT). Os atentados que foram supostamente destinados ao Emirado Islâmico não destruiram nada. Ao mesmo tempo, o Sr. Erdoğan deu início a inquéritos judiciais contra os líderes curdos da HPD, Selahattin Demirtaş e Figen Yüksekdağ. Para começar, o Ministério Público acusa-os de apelaram à violência contra os  não-curdos o que é ridículo e, por outro, de apoiarem o PYG, a milícia da República Árabe da Síria e, portanto, de acordo com o magistrado, uma organização terrorista.
A guerra civil que está a começar não será igual à da década de 1990. Vai ser muito mais ampla e assassina. Em parte, porque a Turquia não tem um aliado fora de seus limites, e em parte porque as políticas islâmicas do governo têm dividido a sua própria sociedade. Assim, não haverá instituições turcas apoiadas pela NATO de um lado e o PKK apoiado pela Síria do outro – mas uma fragmentação da sociedade turca secular contra islamitas; moderno contra tradicionalista; alevitas contra sunitas; curdos contra os turcos.

[1] Initially called « Odyssey Dawn », the operation against Libya was commanded by General Carter Ham in his role as head of AfriCom. However, he argued against the importance given to al-Qaïda on the ground in the overthrow of the Libyan Arab Jamahiriya, while the Coalition pretended they were only protecting civilians. He was relieved of his functions and moved to NATO, and the operations was then rebaptised « Unified Protector ».

[1] Inicialmente conhecida como a «Alvorada da Odisseia», a operação contra a Líbia foi comandada pelo general Carter Ham, na qualidade de chefe do AfriCom. No entanto, este insurgiu-se contra o papel atribuído  à al-Qaida no terreno, para a derrubar, enquanto a Coligação simulava que só pretendia proteger a população civil. Ele foi demitido das suas funções, foi para a NATO, e a operação foi, então, denominada de «Protector unificado».

[2] The inhabitants of Benghazi refused to attack Tripoli once they had obtained their independence de facto. The Misratas were chaperoned by al-Qaïda combatants.

[2] Os habitantes de Bengazi recusaram atacar Tripoli uma vez obtida a sua independência. Os Misratas foram enquadrados pelos combatentes da al-Qaida.

[3] To be more more specific, Paris withdrew from the war in March 2012 after the fall of Baba Amr’s Islamic Emirate and the restitution of the French legionnaires who had been taken prisoner. But President Sarkozy was unable to get re-elected in May, and his successor, François Hollande, went back to war in July.

[3] Para ser mais preciso, Paris retirou-se da guerra em Março de 2012, após a queda do Emirado Islâmico de Baba Amr e a restituição dos legionários franceses na altura prisioneiros. Mas, o presidente Sarkozy não conseguiu  reeleger-se em Maio e o seu sucessor, François Hollande, retomou a guerra em Julho.

[4] A town also known by the names of Antakya or Hatay.

[4] Cidade igualmente conhecida pelos nomes de Antakya ou Hatay

[5] The Prime Minister organised a spectacle with the head of the opposition – a « debate » in the Commons in which the two leaders jousted by exchanging quotes from the same text. The United Kingdom was thus able to withdraw from the war without having to publicly accuse Turkey. The United States followed suit.

[5] O Primeiro-ministro organizou um espectáculo com o chefe da oposição um « debate« na Casa dos Comuns, onde  os dois líderes competiram um com o outro lendo um mesmo texto. O Reino-Unido pôde assim, retirar-se da guerra sem ter de acusar publicamente a Turquia. Os Estados Unidos seguiram-lhe as pisadas.

 

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This entry was posted on 11 de Agosto de 2015 by in DIANTE DOS NOSSOS OLHOS, GEOPOLÍTICA MUNDIAL, Iraque, Líbia, Síria and tagged , , .

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