A Arte da Omissao

A magnitude da espionagem mundial da NSA

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Colocação de um cabo submarino no Quénia, em 2009. | AFP 

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Tradução do artigo  L’ampleur de l’espionnage mondial par la NSA

Durante o verão, os documentos fornecidos ao Guardian e Washington Post pelo ex-empregado da NSA, Edward Snowden, ajudaram a revelar a extensão da vigilância e espionagem realizada pela agência aos seus aliados. Le Monde também tem  agora acesso a alguns desses documentos.

Leia as nossas informações sobre  Como a NSA espiou a França 

Antes do verão, a NSA era a agência de inteligência mais secreta dos Estados Unidos. Edward Snowden, ex NSA e asilado por um ano na Rússia, obteve vários milhares de documentos altamente confidenciais, com o fim de denunciar “o maior programa de espionagem arbitrária da história humana”.

No início de Junho, os primeiros segredos da Agência de Segurança Nacional começam a ser  analisados. The Guardian revelou que a operadora de telecomunicações Verizon forneceu à NSA, dados telefónicos de vários milhões de americanos, no âmbito de uma ordem judicial top secret. Depois, foi a vez de desvendar o programa Prism, que permite que os serviços secretos dos EUA, em especial a NSA, aceda de maneira privilegiada, desde dezembro de 2007, a dados de nove grandes empresas de Internet, incluindo a Google, Facebook e Microsoft. (1)

VIGILÂNCIA DO CABO SUBMARINO

Um documento de formação interna sobre o Prism, que o Le Monde também teve acesso, explica como os analistas da NSA podem aceder aos bancos de dados dos gigantes da Web, documentos de pesquisa, emails ou discussões instantâneas. Tudo dentro de um quadro legal que os libertou de mandatos individuais. As empresas citadas nos documentos negaram que a NSA teve acesso direto e unilateral aos seus servidores.

Além dessa vigilância orientada, registros de Snowden revelam um outro método de recolha massiva da NSA conhecida por Upstream. Este sistema permite recolher dados a partir de infra-estruturas de internet por cabo submarino. A estratégia é lógica, quando se sabe que 99% das comunicações globais correm em cabo submarino.

Para saber mais sobre o contexto das revelações do Le Monde, consulte o editorial “Combattre Big Brother”

A equivalente britânica da NSA, a sede do Governo Comunicações (GCHQ), desempenha um papel importante neste sistema, devido à proximidade histórica da Grã-Bretanha com os Estados Unidos, e aos acordos de confidencialidade e dependência financeira desses serviços entre Londres e Washington. Existem também razões técnicas: uma parcela significativa dos cabos submarinos que ligam a Europa à América passa pela Grã-Bretanha. Graças a Edward Snowden o programa Tempora, que visa “controlar a Internet” por meio da vigilância desses cabos, foi revelado. Ao virar uma página do documento de apresentação do programa Prism, descobrimos que o Upstream depende de quatro programas (Blarney, Fairview, Oakstar Stormbrew), que conhecemos só contornos neste momento. O Fairview, está relacionado em grande parte com conversas telefônicas interceptadas através das principais operadoras norte-americanas.

ferramentas de análise

São necessárias muitas ferramentas para ordenar tal quantidade de dados interceptados. Uma delas é o chamado XKeyscore, e o seu funcionamento está detalhado nas colunas do Guardian. A extrema precisão dos dados recolhidos é clara. Graças ao XKeyscore, os analistas podem aceder ao conteúdo de emails, à lista de sites visitados pelos seus alvos ou a palavras-chave digitadas por estes último nos motores de busca.

Vídeo Comment la NSA vous surveille (expliqué en patates)

O enquadramento para estas pesquisas não é vinculativa, explica o The Guardian e muitos dados sobre americanos são disponibilizados aos agentes. De acordo com os materiais de apresentação, destinados a promover as capacidades da ferramenta, trezentos terroristas foram detidos desde 2008 graças a XKeyscore.

A NSA e a GCHQ não só dedicaram os seus consideráveis recursos à vigilância relacionada com a luta contra o terrorismo, como  também aos seus aliados. Na cimeira do G20 em Londres, em 2009, os computadores dos diplomatas e Chefes de Estado foram espiados pela GCHQ, assim como alguns dos telefonemas. A NSA concentrou-se na União Europeia (UE), como revelou o Der Spiegel, sempre com base em documentos de Snowden. A NSA instalou cookies na instalação da Representação da União Europeia em Washington. A delegação da UE na ONU, em Nova York, bem como o edifício do Conselho da União Europeia, em Bruxelas, foram também alvos da agência dos EUA. O Brasil foi também um dos países afetados por esta espionagem. De acordo com a Globo, os líderes políticos e  algumas empresas foram alvos da NSA.

Os documentos de Snowden expoêm os consideráveis esforços feitos pelos Estados Unidos na escuta da Internet, dentro de um quadro legal, que por vezes, são pouco claros e frequentemente longe do debate democrático real. Entrevistadas pelo Le Monde, as autoridades americanas asseguraram que o programa Prism foi tema de um debate parlamentar nos Estados Unidos e que funciona num quadro jurídico estritamente regulamentado. James Clapper, diretor de Inteligência Nacional dos EUA, questionado em 12 de Setembro sobre as revelações de Snowden, disse: “O que se aconteceu – e que é prejudicial – desencadeou conversações e debates provavelmente necessários. “

(1) Artigos relacionados:

A armadilha global na Internet – ACTA SOPA PIPA

ACTA – Petição entregue em Bruxelas

Ron Paul e o CISPA

CISPA – Petição de protesto à Microsoft, Facebook e IBM

FACEBOOK APOIA CISPA – ENCERREM AS CONTAS

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