A Arte da Omissao

ACORDEM

A magnitude da espionagem mundial da NSA

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Colocação de um cabo submarino no Quénia, em 2009. | AFP

Notas do tradutor: links dentro de «» e realces desta cor são da minha responsabilidade

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Tradução do artigo  L’ampleur de l’espionnage mondial par la NSA

de Martin Untersinge do Le Monde em 21 de Outubro de 2013

Durante o verão, os documentos fornecidos ao The Guardian e Washington Post pelo ex-empregado da NSA, Edward Snowden, ajudaram a revelar a extensão da vigilância e espionagem realizada pela agência aos seus aliados. O Le Monde também tem agora acesso a alguns desses documentos.

Leia  Comment la NSA espionne la Francetradução deste artigo aqui» – Ndt)

Antes do verão, a NSA era a agência mais secreta dos Estados Unidos. Edward Snowden, ex NSA e asilado na Rússia, obteve vários milhares de documentos altamente confidenciais, com o fim de denunciar “o maior programa de espionagem arbitrário da história humana“.

No início de Junho, os primeiros segredos da Agência de Segurança Nacional começam a ser  analisados. O The Guardian revelou que a operadora de telecomunicações Verizon forneceu à NSA, dados telefónicos de vários milhões de americanos, no âmbito de uma ordem judicial top secret.

Depois, foi a vez de desvendar o programa «Prism», que permite desde Dezembro de 2007, que os serviços secretos dos EUA, em especial a NSA, tenha acesso privilegiado a dados de nove grandes empresas de Internet, incluindo a Google, Facebook e Microsoft.

VIGILÂNCIA DO CABO SUBMARINO

Um documento de formação interna sobre o Prism, que o Le Monde também teve acesso, explica como os analistas da NSA podem aceder aos bancos de dados dos gigantes da Web, à procura de documentos, e-mails ou chats instantâneos. Tudo dentro de um quadro legal que os liberta de mandatos individuais. As empresas citadas nos documentos negaram que a NSA tenha tido acesso directo e unilateral aos seus servidores.

Além dessa vigilância direccionada, os documentos de Snowden revelam outro método de recolha em massa da NSA chamado de «Upstream». Este sistema permite a recolha de dados que passam por cabos submarinos e infra-estruturas de Internet. Uma estratégia lógica, tendo em conta que 99% das comunicações globais passam dentro de cabos submarinos.

Para saber mais sobre o contexto das revelações do Le Monde, consulte o editorial “Combattre Big Brother”

A agência britânica equivalente à NSA, a Sede de Comunicações do Governo (GCHQ), desempenha um papel importante neste sistema, devido à proximidade histórica da Grã-Bretanha aos dos Estados Unidos, devido aos acordos confidenciais e à dependência financeira dos serviços de Londres aos de Washington. Existem também razões técnicas: uma grande parte dos cabos submarinos que ligam a Europa à América passam pela Grã-Bretanha. Graças a Edward Snowden, foi revelado o programa Tempora, que visa “controlar a Internet” com a monitorização desses cabos. “Está numa posição invejável”, explica o documento de apresentação do Tempora  apresentado pelo The Guardian: “Divirta-se e aproveite ao máximo”.

No final de uma página do documento de apresentação do Prism, descobrimos que o Upstream depende de quatro programas (Blarney, Fairview, Oakstar e Stormbrew) dos quais sabemos até hoje apenas as principais linhas. «Fairview», por exemplo, foca-se principalmente em interceptações de conversas telefónicas através das principais operadoras dos EUA.

ferramentas de análise

São necessárias muitas ferramentas para ordenar tal quantidade de dados interceptados. Uma delas é o chamada XKeyscore e o seu funcionamento está detalhado nas colunas do The Guardian. A extrema precisão dos dados recolhidos é clara. Graças ao «XKeyscore», os analistas podem aceder ao conteúdo de e-mails, à lista de sites visitados pelos seus alvos ou a palavras-chave digitadas por estes últimos nos motores de busca.

Vídeo Comment la NSA vous surveille (expliqué en patates)

O enquadramento destas pesquisas não é muito vinculativa, explica o The Guardian e muitos dados sobre americanos são disponibilizados aos agentes. De acordo com os documentos de apresentação, destinados a promover as capacidades da ferramenta, trezentos terroristas foram detidos desde 2008 graças a XKeyscore.

A NSA e a GCHQ não utiliza os seus meios importantes de vigilância apenas à luta contra o terrorismo, mas também para a espionagem dos países aliados. No Cimeira dos G20 realizada em Londres no ano de 2009,  os computadores dos diplomatas e chefes de Estado foram monitorizados pela GCHQ, bem como alguns dos seus telefonemas. A NSA concentrou-se na União Europeia (UE), como é revelado pelo Spiegel, novamente com base nos documentos de Snowden.

A NSA instalou “informadores” nas instalações da representação da União em Washington. A delegação da UE na ONU em Nova Iorque e o prédio do Conselho da UE em Bruxelas também foram examinados pela agência dos EUA. O Brasil é também um dos países vítimas da espionagem. De acordo com o grupo brasileiro O Globo, os seus líderes políticos e algumas empresas foram alvos da espionagem.

Os documentos de Snowden esclareceram os esforços consideráveis feitos pelos Estados Unidos para escutar a Internet, num quadro jurídico às vezes vago e, na maioria das vezes, distante dos debates democráticos reais. Questionadas pelo Le Monde, as autoridades americanas asseguraram que o programa Prism foi objecto de debate parlamentar nos Estados Unidos e que operou dentro de um marco legal estritamente regulado. (deixa-me rir -Ndt)

James Clapper, director de Inteligência Nacional dos EUA, questionado a 12 de Setembro sobre as revelações de Snowden, disse: “O que aconteceu – e que é prejudicial – desencadeou conversações e debates provavelmente necessários.”

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This entry was posted on 25 de Outubro de 2013 by in Edward Snowden, NSA Files and tagged , .

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