A Arte da Omissao

Para melhor compreender a crise Financeira (2)

‘moneychangers’ e a crise económica mundial de 2008 – Bancos Centrais

moneychangers (ou argentários) Para se entender esta entidade temos que recuar até Aurélio, quando a palavra “usura” ganha sentido (juro exorbitante, exagerado, lucro exagerado). Dois imperadores romanos foram assassinados por terem pretendido implantar leis de reforma que limitassem a propriedade privada de terras ao máximo de 500 acres e liberando a cunhagem de moedas, que era feita peor especuladores. Júlio César recupera o poder de emitir moeda, tornando-a disponível para qualquer um que possuísse ouro ou prata. Também acabou assassinado. Em seguida, as pessoas comuns perderam suas casas e seus bens, da mesma forma como temos assistido  na crise americana das hipotecas.

Nos séculos seguintes, a arte da usura pelos “moneychanger” foi expandida a todos os segmentos da vida, dando origem a  expansões e contracções financeiras. Estas foram ocorrendo ao longo de gerações. Mas também foram encontrando opositores pelo caminho. Sempre que uma tentativa de  irradiar a usura era bem-sucedida,  esta acabava por voltar,  mais reforçada pela ganância e  pelo poder dos fortes e ricos contra os fracos e pobres.

Na Idade Média, o Vaticano proibia a cobrança de juros sobre empréstimos, dando voz aos ensinamentos e à doutrina de Aristóteles e São Tomás de Aquino.  “o propósito do dinheiro é servir à sociedade e facilitar a troca de bens necessária à condução da vida”, afirmava  Vaticano. Mas nessa altura, a maça de Adão ganhou forma de novo, quando a Igreja conspirava com o Estado para acumular dinheiro e poder através dos séculos e para controlar os oprimidos com os castigos e  bênçãos do Deus castigador.

Emprestar mais dinheiro do que se tem em caixa. A maior fraude implementada enquanto  a usura se ia instalando em todas as camadas sociais. Em paralelo,  os moneychangers aperfeiçoavam a arte da manipulação  financeira. Os  “ciclos económicos”, são as identificações dos períodos de expansão e retracção manipuladas pelos bancos em todo o mundo, através do “fractional reserve lending”.

Basicamente adaptaram as regras do passado aos dias de hoje. Mesmo quando ainda não existiam bancos, esta prática era alimentada  por ourives e mercadores de ouro e prata. Estes, guardavam os metais nobres do povo em custódia para não serem roubados. Depois  começaram a emprestar dinheiro a juros, normalmente em quantias muito superiores ao ouro e prata que possuíam guardados em custódia.  Com a contínua expansão desse negócio ilícito e usurário, os moneychangers abriram lojas destinadas a estes empréstimos,  daí a origem dos bancos modernos.

O primeiro banco central  a praticar o “fractional reserve lending”, ou FRL foi o Bank of England (Banco da Inglaterra). Era controlado por accionistas fraudulentos e mal-intencionados que utilizaram o mote “people’s bank” (banco do povo), para praticarem  fraudes, visando unicamente o lucro. As dívidas de gerações seguintes para com o Banco da Inglaterra, representadas ou pela própria monarquia inglesa ou pelo governo, foram salvaguardadas com a criação de taxas impostas ao povo, as quais se transformaram no Imposto de Renda de hoje. O modelo do Banco da Inglaterra  foi passando para os bancos centrais de todos os países no mundo actual. Os agiotas muito cedo viram que  era mais lucrativo emprestar a monarcas e governos do que a cidadãos comuns. Através da dívida, tornavam-se literalmente credores e soberanos de nações inteiras.

Rothschild: No início do século XVIII,  50 anos depois do Banco da Inglaterra estar a operar, um alemão chamado Amshel Moses Bauer, ourives e agiota de Frankfurt, na Alemanha, começou um negócio identificado de Rothschild. O negócio prosperou e ele mudou seu próprio nome para Amshel Moses Rothschild. Teve cinco filhos que ao atingirem a maioridade,  foram enviados  para 5 capitais da Europa para emprestarem dinheiro a juros, principalmente às monarquias e reinos.  Amshel, ficou em Frankfurt; Solomon foi para Viena; Nathan para Londres, Jacob para Paris e Carl para Nápoles.  Nasce a mais rica família da história do mundo a  reinar nos séculos seguintes com o único propósito do lucro e do poder, seja qual fosse o custo. Gerações seguidas dos Rothschild e seus correlegionários exercem ainda hoje um poder sobre a sociedade mundial, utilizando-se da antiga prática da usura e do fractional reserve lending.

Donos de uma fortuna incalculável obtida com  empréstimos a todos os países europeus, os Rothschild envolveram-se nos  financiamentos ao governo inglês para as colónias da América, causando indirectamente a independência americana ao restringiram o crédito e ao aumentaram  as taxas cobradas aos pilgrims. Após a independência, implantaram o modelo de banco central no Novo Continente, para expandirem  mais os seus lucros. Durante a primeira metade do século XIX nos Estados Unidos, os presidentes James Madison e Andrew Jackson tiveram êxito no fecho do banco, mas este acabava por surgir de novo.

Durante a Guerra Civil americana,  os conspiradores lançaram o seu mais bem-sucedido esforço nesse sentido. Judah Benjamin, principal assessor de Jefferson Davis (na época presidente dos Estados Confederados da América), era um agente dos Rothschild. A família  começou a espalhar seus braços até ao  gabinete do presidente Abraham Lincoln, com a proposta da venda  da  ideia de negociar com a Casa de Rothschild. Lincoln desconfiou e rejeitou a oferta, tornando-se inimigo da família. É também nessa época que iniciam a arte de “despachar” quem os confronta. Lincoln acaba assassinado. Investigações sobre o crime revelaram que o assassino era membro de uma sociedade secreta cujo nome jamais foi revelado,  pois  altos funcionários do governo americano eram seus membros. O fim da guerra civil retardou as chances dos Rothschild de expandirem mais braços no sistema monetário dos Estados Unidos, como já faziam com o da Inglaterra e todos os países da Europa. Mas apenas temporariamente.

Anos depois,  Jacob H. Schiff, chega a Nova Iorque. Nascido numa das casas dos Rothschild em Frankfurt, ele traz um objectivo definido: comprar acções de um grande banco para gradualmente adquirir o controle sobre o sistema financeiro americano. Schiff comprou quotas de participação numa empresa chamada Kuhn & Loeb, uma famosa casa privada de financiamentos. Entretanto, para cumprir sua missão, ele precisava de  obter a cooperação de “peixes mais graúdos” do segmento bancário norte-americano. Tarefa difícil para o humilde jovem alemão oriundo dos subúrbios de Frankfurt. Mas Schiff tinha trunfos: ele era enviado dos Rothschild e ofereceu acções europeias de alto valor para distribuição no mercado americano.

No período pós-guerra civil,  a indústria americana começava a crescer. Havia muita infra-estrutura para criar (estradas-de-ferro para construir, a nascente prospecção petrolífera, das siderurgias e das empresas têxteis. Tudo isto necessitava de financiamento e dinheiro não abundava. A  casa de Rothschild era detentora de  recursos abundantes, resultado da vigorosa especulação financeira empreendida em todos os centros comerciais da Europa nos 150 anos anteriores, emprestando dinheiro a monarcas, governos e parlamentares.

O jovem Schiff com o dinheiro dos Rothschild,  financiou a Standard Oil Company (hoje a poderosa ESSO), as ferroviárias Union Pacific Railroad e Southern Pacific Railroad e o império do aço de Carnegie. Foi apenas uma questão de tempo para Jacob Schiff deter o controle da comunidade bancária de Wall Street, em Nova Iorque, que já incluía os Lehman Brothers, Goldman-Sachs e outros grupos internacionais até hoje actuantes no mercado financeiro, todos eles desde aquela época controlados pelos Rothschild.

Schiff era o “chefe” do mercado financeiro de Nova Iorque e controlava o dinheiro dos Estados Unidos. Assim foi preparado o bote sobre o sistema financeiro americano. Com seus cinco filhos firmemente encastelados em todos os centros financeiros da Europa, a família Rothschild ascendeu à posição da mais rica família do planeta. Esta situação persiste até hoje, embora eles professem uma postura de discrição, avessa à média e à divulgação. Nenhuma família ou grupo empresarial possui tanto poder e controle financeiro em todos os países do mundo como os Rothschild.

parte 3

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This entry was posted on 4 de Fevereiro de 2011 by in Para melhor compreender a crise Financeira and tagged , , , .

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