A Arte da Omissao

Arsenais de armas químicas e as verdades ocultas sobre a “Convenção”

Tradução do artigo  Chemical weapons arsenals and the hidden truths about the “Convention”, de Manlio Dinucci

VOLTAIRE NETWORK | ROMA (ITÁLIA) | 13 de Setembro 2013

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O martelar sobre armas químicas usadas na Síria, levado a cabo pelos políticos e comunicação social, que, baseada na secreta “evidência” da CIA, foi usado por forças governamentais e gerou a grande e falsa impressão de que é só a Síria que agora possui tais armas e com elas ameaça o resto do mundo. Esse é o poder da arma de distração em massa, que é capaz de concentrar a atenção do público num único ponto, fazendo com que todo o resto desapareça.

A Alemanha foi a primeira a usar armas químicas entre 1915-1917: primeiro com cloro líquido e fosgênio, e mais tarde com o asfixiante gás mostarda. Em resposta, a Grã-Bretanha e França começaram a produzir este gás mortal.

O gás de nervos Tabun, que origina a morte por asfixia, foi descoberto em 1936 por pesquisadores da empresa alemã IG Farben (a mesma empresa que produziu o Zyclon B, usado nas câmaras de gás).

Em 1936, a Itália usou armas químicas na Etiópia, e já as tinha usado também na Líbia em 1930.

A Alemanha produziu produtos químicos, ainda mais letais, conhecidos por agentes Sarin e Soman. Adolf Hitler não os usou no início da guerra, porque provavelmente temia represálias vindas dos Estados Unidos e Grã-Bretanha, que tinham os maiores arsenais químicos, e na última fase da guerra, porque não restaram aviões suficientes para realizar tais ataques.

Durante a Guerra Fria a corrida ao armamento químico acelerou com a descoberta do gás de nervos mais tóxico, VX, cuja produção começou nos Estados Unidos em 1961. Em seguida, as primeiras armas químicas binárias foram produzidas nos Estados Unidos: São balas, bombas e ogivas de mísseis que contêm dois componentes químicos separados, os quais separados são relativamente inofensivos, mas que durante a trajetória se juntam dando origem a uma mistura tóxica. Os EUA e URSS acumulam as maiores e mais letais armas químicas, mas o “clube químico” rapidamente se expandiu a outros países.

Terminada a Guerra Fria, a Convenção sobre Armas Químicas entrou em vigor em 1997, proibindo o uso dessas armas químicas e instituiu a destruição dos stocks existentes.

Agora, 16 anos depois, nem os Estados Unidos nem a Rússia destruíram por completo os seus stocks, uma vez que não têm cumprido os prazos estabelecidos. De acordo com dados oficiais, os EUA ainda mantém cerca de 5.500 toneladas de armas químicas. A Rússia tem muito mais, cerca de 21.500, herdadas dos arsenais soviéticos.

No entanto a simples comparação quantitativa é enganadora: os Estados Unidos, Rússia e outros países tecnologicamente avançados mantêm a capacidade de construir sofisticadas armas químicas binárias e de combinarem os seus exercícios de guerra nuclear com os da guerra química.

De acordo com uma dimensã, que também é quantitativa, os Estados Unidos, que lideram a campanha contra as armas químicas na Síria, possuem cerca de seis vezes mais armas que a Síria. De acordo com uma estimativa dos serviços secretos franceses, provavelmente inflamada, a Síria supostamente terá cerca de 1.000 toneladas de agentes químicos e substâncias adequadas para a produção de armas químicas.

Porque é que a Síria não assinou a Convenção sobre Armas Químicas? A resposta é, básica. Os sírios precisam de se defender das armas nucleares de Israel e não é só.

Na década de 1960, Israel também construiu um sofisticado arsenal de armas químicas. Mas os valores quantitativos continuam em segredo, porque Israel assinou, mas não ratificou a Convenção sobre Armas Químicas.

Em 1983, de acordo com o relatório “Foreign Policy“, baseado num documento da CIA, soube-se que foram realizadas investigações avançadas sobre armas químicas no Centro de Investigação Biológica Israelita, e que armas foram produzidas e armazenadas no deserto de Negev, em Dimona, onde Israel também produz as suas armas nucleares.

Até o “Jerusalem Post”, relata isto a 10 de Setembro. Mesmo que Israel não mantenha tal arsenal, a revista “Jane” escreve: “ tem a capacidade de “desenvolver um programa de armas ofensivas químicas dentro de alguns meses.” (Jane’s CBRN Assessments, 23 July 2009, www.janes.com). É então compreensível, que até o Egipto não tenha assinado a Convenção sobre Armas Químicas.

Os EUA e Israel oficialmente nunca violaram a regra da proibição do uso de armas químicas, uma vez que a dioxina química (agente laranja), amplamente utilizado pela USA no Vietname, e as bombas químicas de fósforo branco usadas também pela USA no Iraque, Iugoslávia, Afeganistão e Líbia, e por Israel em Gaza, não são consideradas armas químicas. Tal não serve de consolo para as famílias que viram as suas crianças a nascer deformadas pelo Agente Laranja ou queimados até a morte pelo fósforo branco.

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